Lançada em 1994 no mercado brasileiro, a veterana Ranger, hoje produzida na Argentina, chega ao modelo 2010 com mudanças significativas no visual. Ganhou novos farois, capô, grade frontal e para-choque cromados, menos vincos nas laterais, caixas de roda integradas e maior ângulo de ataque. Por trás da nova roupa, porém, nada mudou: motor, transmissão e suspensão seguem a mesma receita do modelo atual. Esta é a última re-estilização da Ranger antes de sua nova geração, que deve chegar daqui a três anos. A era flex, por enquanto, continua nos planos.
Outra novidade da linha 2010 está na introdução de duas novas versões. Agora os modelos com cabine dupla também estão disponíveis nas versões XL 4x4 com motor 3.0 diesel e o topo de linha Limited 4x2 a gasolina. No total, serão 18 versões nas concessionárias, a partir da segunda quinzena de agosto. Os preços começam em R$ 45.900, na versão XL 4x2 cabine simples, para frotistas, e variam até R$ 96.730 na versão topo de linha, Limited 4x4 cabine dupla, modelo que está R$ 8 mil mais barato que o anterior.
Há ainda as opções de acabamentos XLS e XLT (gasolina ou diesel). Apenas a Ranger Sport ainda não recebeu o novo design, o que deve acontecer em breve. Durante lançamento da picape, realizado em Campinas (SP), na semana passada, tivemos oportunidade de dirigir a versão XLT 4X4 diesel, cabine dupla (R$ 89.290).
ESTILO
Basta colocar os modelos 2010 e 2009 lado a lado para listar as mudanças no design da nova Ranger. O para-choque agora é de aço cromado (a partir da versão XLT) e, acima dele, há uma nova peça em plástico, na cor preta. O acabamento metálico se estende para os três filetes horizontais da grade frontal, como no novo Fusion. O capô, agora de aço estampado, foi redesenhado, assim como os retrovisores, farois dianteiros e lanternas traseiras. Nas laterais, a superfície da carroceria perdeu os vincos e as maçanetas são novas, vindas do Ecosport. A versão cabine dupla também passa a ser oferecida na cor externa vermelha.
Por dentro, pouca coisa mudou. O painel acinzentado dá lugar à cor preta, a pedido dos clientes, segundo a Ford. Apenas o console central traz acabamento em cinza, que lembra a cor prateada. Bancos e portas receberam novos tecidos, e o painel de instrumentos também tem novos grafismos.
A versão XLT 4X4, avaliada pelo Carsale, sai de série com rodas de liga-leve de 16 polegadas, faróis de neblina, estribos laterais, iluminação da caçamba, freios com ABS, airbags duplos frontais, ganchos (dianteiro e traseiro) para reboque, rádio CD player com MP3 e conexão para iPod, USB e Bluetooth, computador de bordo, ajuste de altura para o banco do motorista, descansa-braço no banco traseiro, alarme antifurto, ar-condicionado, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores), entre outros equipamentos.
DESEMPENHO
É no motor diesel que a Ranger encontra seu ponto forte. O propulsor 3.0 litros, de 16 válvulas, gera 163 cv de potência e tem um dos melhores torques da categoria: 38,7 kgfm, disponível já a partir dos 1.600 rpm. A picape tem fôlego suficiente para retomar velocidade na estrada ou pistas de terra, situação que enfrentamos durante uma prova de regularidade entre as cidades de Campinas e Itu, no interior de São Paulo.
Aos 100 km/h, em quinta marcha, o conta-giros trabalha aos 1.800 rpm, uma boa posição do ponteiro, que otimiza o consumo de combustível e proporciona um baixo nível de ruído dentro da cabine. Segundo a Ford, a Ranger a diesel tem consumo médio (cidade e estrada) de 11 km/l. O sistema de suspensão traseiro, redimensionado em 2007, ajuda a evitar as saídas de traseira. Com as mudanças no design, o ângulo de ataque da picape também melhorou, passando de 30o para 34o.
A posição de dirigir é boa e quem vai atrás viaja com conforto - mas ‘chacoalhar’ é inevitável aos passageiros. A direção hidráulica dá segurança em altas velocidades, porém transmite algumas vibrações ao motorista. O posicionamento dos comandos continua no mesmo lugar: para acionar a tração 4x4, basta girar um botão no painel, ao lado direito do volante.
MERCADO
Antes de lançar a nova geração da Ranger, provavelmente em 2012, a Ford aposta no design e no custo-benefício do modelo 2010 para enfrentar seus principais concorrentes: Totoya Hilux, Mitsubishi L200 e Chevrolet S-10, líder da categoria e única do segmento com opção de motor flex. Para a Ford, no entanto, o propulsor flexível ainda não é prioridade. Atualmente, 75% do mercado alcançado pela Ranger correspondem aos modelos a diesel. “Estamos trabalhando no motor flex”, garantiu Wilson Vasconcelos Filho, gerente de Marketing de picapes da Ford.