Olhe bem para o Kia Soul. Às vezes ele parece um monovolume, outras um jipinho e, quase nunca, um carro coreano. Mas é assim mesmo que ele quer ser conhecido: um carro diferente, ‘descolado’, inovador. Nas palavras da Kia, o veículo fabricado em Gwangju, na Coreia do Sul, inaugura a categoria do “carro design”. O Soul é a aposta da marca para revolucionar diversos mercados, como o Brasil.
O primeiro lote com 700 unidades já desembarcou no País. O Soul será oferecido com uma única opção de motor 1.6 litro, de quatro cilindros e 16 válvulas, de 124 cv, a gasolina. A versão flex chega em 2010, garante o fabricante. São cinco versões disponíveis no mercado brasileiro, três com câmbio manual de cinco marchas e duas com câmbio automático de quatro velocidades, por preços que variam de R$ 51.490 a R$ 64.900. Tivemos oportunidade de conhecer a versão topo de linha em test-drive realizado nesta sexta-feira (24), em Guarulhos (SP).
ESTILO
Esqueça a imagem que você tem dos carros coreanos, pois o Soul foge de qualquer estereótipo. Se achar o carro esquisito, não se preocupe: essa impressão passa logo. O Soul mistura o design ‘quadradinho’ com linhas curvas e formas ressaltadas, além do desenho diferenciado de farois e lanternas. O resultado é um visual atraente. Detalhes de plástico preto nos para-choques, frisos laterais e barras de teto dão ao carro o aspecto ‘off-road’.
A grade frontal, inspirada na “boca de um tigre”, traduz a nova identidade de design da Kia. Quem assina o projeto do Soul é ninguém menos que Peter Schreyer, designer que trabalhou mais de 20 anos na Audi e Volkswagen, criando modelos como o Audi TT e VW New Bettle, e agora comanda os projetos da marca coreana. Na versão topo de linha (com câmbio manual ou automático), as rodas são de liga-leve 18’’. Os demais modelos saem de fábrica com rodas de aro 16’’.
A versão topo de linha, avaliada pelo Carsale, é equipada com câmbio automático e custa R$ 64.900. A lista de equipamentos é recheada e interessante: traz até câmera com visor LCD (que aparece no retrovisor interno), acionada com a marcha-a-ré, para auxiliar nas manobras, um item não encontrado nem como opcional nos principais concorrentes - Ford Ecosport, VW CrossFox, Honda Fit EX e Sandero Stepway. Há também rádio CD Player com MP3, USB, entrada auxiliar para iPod (inclusive com o cabo), volante multifuncional, ar-condicionado, tomada 12 V no console central e porta-malas, trio elétrico, entre outros itens. Faz falta o computador de bordo, pois há apenas hodômetro com medições parciais.
O Soul traz bom acabamento interno, apesar de algumas rebarbas encontradas no plástico do painel. As portas também abusam do plástico e não há nenhuma inserção de couro ou tecido. Na versão topo de linha, o couro é encontrado apenas no volante. Os bancos são de tecido e trazem a nomenclatura ‘Soul’ no encosto. O interior do porta-luvas e porta-objetos central (acima do rádio) traz a cor vermelha, em todas as versões, e há também diversos lugares para copos e garrafas nas portas. O porta-malas, com capacidade para 340 litros, não traz tampa de cobertura, apenas um compartimento adicional com divisórias para facilitar o transporte de objetos. Com os bancos rebatidos e a bandeja, a capacidade sobe para 700 l.
DESEMPENHO
Dentro do Kia Soul, o motorista se sente confortável. A posição de dirigir agrada, assim como a boa visibilidade. Há ajuste de altura do cinto de segurança (para motorista e passageiro), regulagem de altura do banco do motorista e do volante – faz falta apenas o ajuste de profundidade. O controle dos vidros, travas e retrovisores elétricos é concentrado nas portas, facilitando a vida do condutor.
Com motor 1.6 litro de 124 cv de potência, o Kia Soul tem disposição, mas demora um pouco para pegar no embalo. O torque máximo, de 15,9 kgfm, é disponibilizado apenas aos 4.200 giros. Na versão com transmissão automática, aos 120 km/h e com o câmbio na posição ‘D’, o conta-giros trabalha aos 3.100 rpm com o ‘overdrive’, função que alonga a relação das marchas e diminui a rotação do motor, um bom recurso principalmente para trechos rodoviários. Com o overdrive desligado (basta apertar um botão ao lado esquerdo da alavanca de câmbio) e nessa mesma velocidade, a rotação sobe para 4.500 rpm. Segundo a Kia Motors, o Soul pode médias de até 11 km/l na cidade e 13 km/l na estrada, com transmissão automática.
Na estrada, a direção elétrica com assistência progressiva se adapta às altas velocidades e se comporta com rigidez, transmitindo segurança ao motorista. A suspensão não absorve tão bem os buracos, e as vibrações e o barulho adentram ao habitáculo. Com rodas aro 18’’, ficam mais evidentes os ruídos de rodagem. Na versão topo de linha, o Kia Soul sai de fábrica com airbags duplos frontais, barras de proteção contra impactos laterais, além de freios ABS com EBD (distribuição eletrônica de frenagem).
Todos os passageiros se beneficiam do bom espaço interno. A distância entre-eixos do Soul é de 2,55 metros. Quem viaja atrás tem todo o conforto para acomodar as pernas e a há espaço de sobra para a cabeça. Há três encostos de cabeça traseiros, mas os cintos de segurança de três pontos estão disponíveis apenas nos bancos laterais.
MERCADO
Para desvendar o público-alvo do Soul no mercado brasileiro, a Kia realizou uma pesquisa com 620 pessoas no Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, quando o veículo fez sua primeira aparição pública no Brasil. Surpreendida pelos bons resultados, a marca coreana está confiante no sucesso do Soul e espera vender 3 mil unidades até o final deste ano.
O Grupo Gandini, que representa a Kia Motors no País há mais de 10 anos, vai avaliar o comportamento do Soul no mercado brasileiro para, então, confirmar sua produção nacional. O grupo já adquiriu um terreno em Salto (SP) para a construção da fábrica, mas por enquanto o projeto está paralisado. Com a crise econômica mundial, a empresa voltou o foco para a fábrica no Uruguai, onde é produzido o utilitário Bongo.
Da pesquisa realizada com consumidores brasileiros, a Kia estabeleceu os principais concorrentes do Soul: Ford Ecosport XLT (R$ 57.060), Idea Adventure (R$ 51.430), Sandero Stepway (R$ 42 mil), Honda Fit EX (R$ 58.280), Nissan Livina (R$ 46.690) e VW Crossfox (R$ 41.530). Com motor mais potente que todos os rivais, boa lista de equipamentos, garantia de cinco anos e preços competitivos, o coreano de alma nova promete sacudir a concorrência – principalmente quando o motor flex for incorporado ao mercado brasileiro, no ano que vem. A Kia também promete ampliar a rede de concessionárias, ainda restrita, para 125 pontos até o final deste ano.