Silencioso e antipoluente, o carro elétrico carrega suas vantagens desde o século XIX, quando foi inventado. Mas é no seu coração – a bateria – que está um dos maiores dilemas da indústria automobilística até hoje. Como descartar as baterias sem causar estragos ao meio ambiente? É preferível optar por uma bateria grande e reciclável, perdendo espaço interno do veículo, ou por baterias menores que não podem ser recicladas? Como diminuir o tempo de recarga? Como aumentar a autonomia do veículo?
No Brasil, um grupo de pesquisadores e engenheiros da Fiat, em parceria com a Itaipu Binacional e com a empresa suíça KWO, busca as respostas para essas questões com o desenvolvimento do Palio Weekend Elétrico. A perua já roda pelas ruas brasileiras, mas por enquanto é vendida apenas para empresas parceiras do programa. Tivemos a oportunidade de conhecer o veículo de perto no Centro de Montagem e Desenvolvimento de Veículos Elétricos da Fiat, dentro do Complexo de Itaipu, onde é produzido.
Liga na tomada
O Palio Weekend Elétrico é equipado com um motor elétrico de 15 kW (20 cv), refrigerado a água, movido por uma bateria de sais de níquel, que traz a vantagem de ser totalmente reciclável, mas pesa 165 quilos e ocupa quase todo o espaço do porta-malas. A bateria tem autonomia de 120 quilômetros, segundo a Fiat. Para ‘abastecer’ o veículo, basta plugá-lo em qualquer tomada convencional, 110 V ou 220 V, durante oito horas.
Para se adaptar às mudanças de peso da carroceria, a perua recebeu acertos na suspensão: os amortecedores são mais rígidos na traseira, onde está a bateria, e mais flexíveis na frente, naturalmente mais leve com a substituição do motor a combustão (que pesa cerca de 130 quilos) pelo propulsor elétrico (50 kg). No total, o Palio Weekend elétrico está 50 quilos mais pesado que a perua 1.4 l.
Já ligou
Dirigir um carro elétrico é uma experiência interessante. A primeira reação é conhecida: de tão silencioso, você fica com dúvidas se o veículo está ligado, mesmo após virar a chave. Ao acelerar, o carro demorou a responder. “Foi uma opção nossa”, explicou Carlo Rebuschini, coordenador de montagem do veículo. Isso porque o torque de um carro elétrico, disponível instantaneamente, é poderoso e poderia assustar quem não está acostumado. O motor que equipa o Palio Weekend elétrico tem torque nominal de 5,1 kgfm, mas poderia chegar a cerca de 13 kgfm.
Em relação à Palio Weekend convencional, o modelo elétrico traz painel de instrumentos diferente, assim como o display central, no painel, que dá informações sobre a bateria (carga, tensão, temperatura e corrente). O câmbio também é diferente: a alavanca traz as opções ‘D’ (Drive), ‘N’, (Neutro) e ‘R’ (Ré). O torque é contínuo, portanto não há a sensação de trocas de marchas.
A perua elétrica acelera de 0 (zero) a 60 km/h em nove segundos e alcança velocidade máxima de 100 km/h, de acordo com dados de fábrica. Desde o ano passado, 21 modelos saíram da linha de produção, no Centro de Montagem e Desenvolvimento de Veículos Elétricos. Até julho de 2010, quando termina a primeira fase do projeto, serão 50.
Para gerar energia para o motor, a bateria precisa estar aquecida a 270 graus, temperatura mantida sempre que o carro é ligado na tomada. Segundo a Fiat, é possível ficar até três semanas com o carro desligado e, mesmo assim, a bateria estar em condições de funcionamento. Depois desse período, é necessária uma recarga direta de 24 horas na tomada.
Ainda custa caro
Se fosse comercializado hoje, o Palio Weekend Elétrico custaria R$ 145 mil. O preço, salgado, entra na conta do conjunto elétrico (que inclui motor, transmissão e a bateria), importado da Europa. Sem a alta carga tributária, o preço cairia para R$ 86 mil, segundo a Fiat.
A carroceria do Palio Weekend Elétrico é produzida na fábrica da Fiat, em Betim (MG), onde são retirados componentes, como tanque de combustível, câmbio e motor, e são feitos os ajustes na suspensão e freios. De lá, os veículos vão para o Centro de Montagem, em Itaipu, onde recebem os suportes para os componentes elétricos, fabricados no Brasil, e o ‘kit’ elétrico em si.
*Viagem feita a convite da Fiat