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 De volta para o futuro23/06/2009 

 Novo Classe E segue a tradição de antecipar tecnologias
Texto: Carina Mazarotto
Fotos: Mauricio Machado / Malagrine Estúdio e Carina Mazarotto

Na década de 1960, quando a Mercedes-Benz lançou a terceira geração do sedã médio Classe E (o primeiro foi apresentado em 1953), o motorista tinha à sua disposição apenas um retrovisor externo, do lado esquerdo, como item opcional. Freios a disco nas quatro rodas e encostos de cabeça nos bancos, de série, eram inovações para a época. Piloto automático e freios ABS surgiram em seguida, no final dos anos 1970, com a quarta geração do sedã.

Décadas depois, o Classe E continua seguindo os rastros do futuro. Recheado de tecnologias, o sedã da Mercedes prova que a realidade urbana dos próximos anos transformará motoristas em passageiros. O sedã procura vagas no estacionamento e dá todos os comandos para que o motorista execute a baliza perfeita. Os farois, bixenônio, são inteligentes: acompanham o movimento das curvas e dosam a intensidade do farol alto automaticamente, de acordo com as condições do tráfego, para não ofuscar a visão de outros motoristas. A cada 20 minutos, o sedã também alerta o condutor caso ele dê sinais de sonolência. Isso sem contar com controle eletrônico de estabilidade, freios ABS, dez airbags e inúmeras tecnologias de segurança. Tudo de série.

Em sua oitava geração, o novo Classe E chega às lojas brasileiras neste mês, nas mesmas versões da linha anterior: E 350 (R$ 269.900, na Avantgarde, e R$ 299.900, no Avantgarde Executive), equipado com motor 3.5 litros V6, de 272 cavalos, e E 500 (R$ 375 mil), com motor 5.5 l V8, de 388 cv. Dirigimos o modelo E 350 Avantgarde nas estradas que ligam Angra dos Reis (RJ) a São Paulo. Confira!

   

ESTILO

O ‘quatro olhos’ do Mercedes está mais bonito. Os farois duplos, incorporados em 2005, perderam o formato arredondado e agora as linhas do conjunto ótico são retangulares. O espaço entre os dois farois está menor, o que dá a impressão de que eles são realmente divididos por um filete da carroceria. A estrela da Mercedes, na ponta do amplo capô, exalta a elegância do sedã. Os vincos estão mais aparentes que a geração anterior e as lanternas traseiras se estendem para as laterais.

Por dentro do Classe E, luxo e conforto reinam absolutos. Painel e portas são emborrachados, e as portas ainda trazem revestimento de couro próximo ao descansa-braço. Há também apliques em madeira escura, na cor preta (‘Black Ash’). Os bancos são de couro e o acabamento é impecável. Motorista e passageiro contam com ajustes elétricos dos bancos (longitudinal, altura, encosto de assento e cabeça) - o controle fica nas portas, como em outros modelos da Mercedes, e oferece três opções de memória. A função de massagem para os bancos, opcional, também deixa a viagem muito agradável para quem viaja na frente.

   

Atrás, há espaço de sobra para as pernas. Segurança não fica em segundo plano: o Classe E oferece três encostos de cabeça e cintos de segurança de três pontos para todos os passageiros. O ar-condicionado digital oferece três regulagens diferentes (duas para quem viaja na frente e outra para quem vai atrás). Na versão Avantgarde Executive, há ainda cortinas laterais, com ajuste manual, e uma para o vidro de trás, com acionamento elétrico no painel.

O entretenimento fica por conta do display central. É possível gerenciar o sistema de áudio, conectividade Bluetooth para celular e até assistir TV (com o carro parado), no caso do modelo Executive. Porém, para manusear o sistema, por botões no console central, você precisará de um bom treino. Na versão Avantgarde, o Classe E sai de série com leitor de DVD (vídeo, áudio e MP3), DVD Changer para 6 discos, conexão direta para MP3 Player, iPod e USB, além de HD interno com espaço para 4 GB e oito alto-falantes.

DESEMPENHO

Entro no Mercedes Classe E. O banco é confortável acompanha o movimento da suspensão, sem causar incômodo. O volante é leve, fácil e gostoso de guiar, e a alavanca do câmbio manual fica atrás dele, do lado direito. O motor é obediente. O capô amplo e a estrela da Mercedes, lá na ponta, pedem cuidados nos locais mais estreitos. Ao estacionar, aciono o freio de estacionamento por um pedal do lado esquerdo. E, então, saio feliz da vida de um Classe E W114, da década de 60, levado ao evento pelo clube de carros antigos da marca, o Mercedes-Benz Classic Car Owners Club Brazil.

   

As breves impressões da terceira geração do Classe E, de 1968, cabem perfeitamente ao novo sedã - guardadas as devidas proporções, é claro. A alavanca de câmbio continua no mesmo lugar, mas agora é responsável pela ação da moderna transmissão automática seqüencial de sete marchas (7G-Tronic), de trocas quase imperceptíveis. A direção hidráulica, com assistência variável, é leve para manobras e segura em altas velocidades. O pedal do freio de estacionamento também relembra as antigas gerações, e é desativado eletricamente por um botão no painel, ao lado esquerdo da direção.

O motor V6, 3.5 litros, entrega 272 cavalos de potência a 6.000 rpm. O torque de 35,7 kgfm, disponível a partir dos 2.400 rpm, dá fôlego de sobra ao Classe E. Aos 120 km/h e com o câmbio na posição ‘D’, o conta-giros marca 2.100 rpm, sem perder disposição, o que ajuda também no consumo de combustível. Nessa velocidade, o ambiente na cabine é calmo e silencioso. A suspensão ajusta os amortecedores de acordo com a situação e o motorista pode escolher, por um botão no console central, se prefere dirigir com mais conforto ou esportividade.

  

Mas o que mais surpreende no novo Classe E é a quantidade de tecnologias. Estacionar, por exemplo, é um show a parte: além da câmera traseira, que aparece automaticamente no display central quando a ré é acionada, o Classe E oferece o ‘Parking Guidance’, que procura vagas compatíveis com o tamanho do sedã, com a ajuda de sensores espalhados por todo o veículo. O sistema funciona sempre quando o motorista estiver abaixo dos 40 km/h. Caso a vaga esteja do lado esquerdo do motorista, é preciso ativar a seta. Ao encontrar uma vaga, o display no painel de instrumentos dá as instruções ao condutor. Basta observá-las com atenção, ser obediente e, pronto: o sedã se encaixa perfeitamente na vaga e fica a poucos centímetros de distância da guia. É de impressionar.

MERCADO

A combinação do novo design, conjunto mecânico aprimorado, boa lista de equipamentos e tecnologias de ponta dão ao Classe E o mérito de ser o modelo mais representativo da Mercedes-Benz em todo o mundo. O sedã chega ao mercado brasileiro bem preparado para enfrentar os principais rivais: Audi A6 3.0 TFSI quattro (R$279.700), que também acaba de passar por reestilização, e BMW Série 5 3.0 l (R$ 273 mil).

 


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