Desfrutando de uma posição confortável no mercado nacional de utilitários esportivos e fazendo o papel de franco atirador no segmento de sedãs, a Hyundai passa a atuar também entre os hatchbacks médios. E o modelo escolhido para representar a marca nesse nicho é o i30. Assumidamente inspirado em rivais mais requintados, como o BMW Série 1, o médio coreano chega ao Brasil dois anos depois de ter sido lançado na Alemanha, país onde foi concebido, no estúdio de design da marca. A apresentação do carro à imprensa especializada aconteceu na última quarta-feira (10), na cidade de Campinas, interior de São Paulo.
O i30 já está sendo comercializado no País desde o mês de março, vindo da fábrica da Hyundai na Coréia do Sul. Em um primeiro momento, somente uma versão de acabamento está disponível, a GLS. Ela vem equipada com câmbio automático de quatro marchas e é oferecida por R$ 69.900. Segundo a Hyundai, outras quatro configurações, sendo duas com câmbio manual de cinco marchas, devem chegar ao País até o fim do ano, com preços entre R$ 54 mil e R$ 72 mil, na opção topo da linha.
O Carsale andou no hatch em um curto trecho estabelecido pela Hyundai na pista de testes da Pirelli em Sumaré (SP). Lá, pudemos ter as primeiras impressões de como se comporta o motor 2.0 l, com quatro cilindros em linha e capaz de desenvolver 145 cv de potência.
ESTILO
Ao contrário de algumas marcas chinesas, que criam verdadeiras réplicas de modelos de fabricantes européias e americanas, o i30 não é uma cópia de seus concorrentes. A carroceria do modelo tem 4,23 metros de comprimento, 1,77 m de largura e 1,48 m de altura. A parte frontal traz linhas que se integram ao restante do veículo, enquanto a traseira conta com grandes lanternas. O toque esportivo fica por conta de um aerofólio traseiro, com luz auxiliar de freio integrada, e rodas de liga leve de 17 polegadas.
Os 2,65 m de distância entreeixos garantem bom espaço interno ao i30 e proporcionam conforto suficiente para acomodar três ocupantes no banco traseiro. A capacidade do porta-malas é de 360 litros, podendo ser ampliada para 1.250 l com os bancos traseiros rebatidos. A versão que está disponível nas revendas traz volante esportivo de três raios e duas cores, com ajuste manual de altura e profundidade. O painel de instrumentos vem com iluminação azul, semelhante a de alguns modelos da Volkswagen. O acabamento interno agrada e conta com insertos de alumínio no console central, alavanca de câmbio e volante.
O i30 ainda é equipado de série com teto solar elétrico, piloto automático com limitador de velocidade no volante, computador de bordo, saídas de ar para o banco traseiro, porta luvas com chave e refrigerado e destravamento automático da tampa do bagageiro. O console central tem apoio para braço, porta-copos e tomada de 12 v. O sistema de áudio integrado conta com CD player e leitor de MP3 e pode ser acionado por meio de botões no miolo do volante. Equipamentos auxiliares, como conectividade para tocador Apple iPod e dispositivos USB, também podem ser conectados ao conjunto.
DESEMPENHO
Todas as versões do i30 têm sob o capô o motor 2.0 DOHC Beta, de quatro cilindros e 16 válvulas. Este bloco é uma evolução do propulsor do utilitário esportivo Tucson, e possui comando de válvulas variável. Ele é capaz de entregar 145 cavalos de potência a 6.000 rpm e torque de 19,4 kgfm a 4.500 giros. Por ser movido somente a gasolina, o modelo acaba ficando em desvantagem em relação a alguns rivais que tem motorização bicombustível, como o Volkswagen Golf.
No teste-drive realizado em Sumaré (SP), o i30 não decepcionou. O ponto negativo ficou por conta da transmissão automática de quatro marchas que, apesar de contar com sistema de condução adaptativa, que proporciona trocas mais rápidas de acordo com a força aplicada no pedal do acelerador, o hatch não ofereceu respostas ágeis aos engates. A Hyundai não divulgou dados de consumo do veículo, tampouco os números de desempenho, como tempo que o carro leva para acelerar de 0 (zero) a 100 km/h ou a velocidade máxima.
O conjunto de suspensão do i30 – tipo McPherson, na dianteira, e Multi-link, na traseira, com amortecedores a gás de dupla ação – é a mesma do Ford Focus, o que garantiu boa absorção das imperfeições do asfalto. A versão avaliada vem com dois airbags frontais, freios com ABS e distribuição eletrônica de frenagem (EBD), além de direção elétrica.
MERCADO
A lista de rivais do i30 no Brasil não é pequena e traz nomes importantes como o já citado Golf. Além dele, o hatch coreano tem pela frente o Chevrolet Vectra GT, o Fiat Stilo, a linha C4, da Citroën (VTR e Hatch), o Peugeot 307, o Nissan Tiida, o Ford Focus, o Audi A3 e, claro, o modelo que serviu de inspiração, o BMW Série 1.
Nesta briga de gente grande dentro de um segmento bastante concorrido, a Hyundai espera comercializar dois mil exemplares por mês por aqui. “Vamos batalhar, contudo, para chegar a três mil unidades”, afirma Carlos Alberto de Oliveira Andrade, presidente do Grupo CAOA, que desde 1999 importa veículos do fabricante coreano. Segundo Andrade, a rede de concessionárias da marca é formada atualmente por 145 lojas, mas será ampliada. “Até o fim do ano serão inauguradas entre 40 e 50 novas revendas”, revelou o empresário.
A gama do i30 só ficará completa no fim do ano. Segundo a empresa, até dezembro, chegarão outras quatro versões. O que distinguirá cada uma delas será a oferta de equipamentos e o tipo de transmissão. A mais barata, de R$ 54 mil, tem ar-condicionado manual, freios ABS sem o EBD e câmbio manual. Já a topo de linha, chegará por R$ 72 mil e trará o controle de tração (ESP), bancos de couro e airbags laterais e de cortina, além dos frontais. Todas elas têm garantia de cinco anos, sem limite de quilometragem. Uma versão perua do i30 também é esperada para o mercado nacional. No entanto, a Hyundai não confirmou a data de lançamento do modelo.
*Viagem feita a convite da Hyundai