O mercado brasileiro vive a era dos utilitários esportivos. Pequenos, grandes, urbanos ou luxuosos, os SUVs (Sporty Utility Vehicle) dominaram as ruas e estão entre os principais planos das fabricantes para os próximos anos. De carona nessa febre – e animada com seu bom desempenho de vendas nos últimos meses – a Audi apresenta o Q5, o irmão mais novo do jipão Q7, que desembarcou por aqui em 2006.
Mergulhado em tecnologias, o Audi Q5 chega às concessionárias em duas opções de motorização (2.0 Turbo FSI e 3.2 V6 FSI), ambas com tração integral ‘quattro’, e três variações de acabamento (Attraction, Ambiente e Ambition). A tecnologia é embarcada também no preço: o modelo de entrada, 2.0 Turbo FSI Attraction parte de R$ 205.840, enquanto o topo de linha, com motor 3.2 V6 Turbo FSI Ambition começa em R$ 274.500. Durante lançamento do jipe em Campinas, no interior do Estado de São Paulo, nesta quinta-feira (28), aceleramos a versão 2.0 Turbo FSI. Confira!
ESTILO
O Q5 é a tradução de todos os desejos da Audi. “Se a Audi tivesse de oferecer um único carro, como seria esse modelo?”, contou o presidente da marca no Brasil, Paulo Kakinoff, reproduzindo a pergunta feita pela diretoria da empresa no início da concepção do veículo, em Ingolstadt, na Alemanha. Primeiro, o design. “O Q5 seria um SUV com aparência de esportivo”, contou. Clichê? No caso do Q5, não.
O jipinho da Audi ganhou ousadia. A grade frontal trapezoidal, que traduz a identidade da marca, está maior e traz filetes verticais. Parachoques, capô e traseira são moldados por vincos e formas ressaltadas. Destaque para os farois de xenônio e as lanternas traseiras, equipados de série com LEDs (diodos emissores de luz), mais eficientes e econômicos que as luzes convencionais. Rodas de liga-leve (de 18’’ a 20’’) e dupla saída de escape completam o visual esportivo.
Na versão avaliada pelo Carsale, 2.0 TFSI ‘Ambiente’ (R$ 229.230), o Q5 sai de fábrica equipado com rodas de 19 polegadas, parachoques da cor da carroceria e janelas com frisos de alumínio, itens não disponíveis no modelo de entrada, o Attraction. O visual surpreendente do jipinho acaba ofuscando o ambiente interno, que é menos luxuoso do que parece. Mas o acabamento não deixa a desejar. Painel e portas trazem plásticos sensíveis ao toque, com detalhes de alumínio, e os bancos são revestidos de couro, em todas as versões.
Por falar nos bancos, vamos às duas particularidades. Há ajustes elétricos para motorista e passageiro (altura, lombar e longitudinal), com opção de memória para o condutor. Atrás, os assentos são ‘Comfort Plus’: reclináveis, rebatíveis e com 10 centímetros de deslizamento horizontal. Na versão Ambiente, também há descansa-braços central com dois porta-copos. Os três bancos trazem encostos de cabeça e cintos de segurança de três pontos. O espaço interno é generoso, graças aos 2,81 metros de distância entre-eixos.
DESEMPENHO
A combinação entre o motor 2.0 Turbo FSI - com injeção direta de gasolina, duplo comando de válvulas e sistema variável de abertura e fechamento de válvulas -, e o câmbio automatizado S-tronic, de sete velocidades e dupla embreagem, dá ao Q5 a dupla personalidade característica dos modelos da Audi: é um carro potente e, ao mesmo tempo, econômico.
O consagrado motor 2.0 TFSI, que equipa inclusive o concorrente VW Tiguan, entrega 214 cavalos de potência no Q5, embalo alcançado aos 4.300 rpm. Já o bom torque de 35,7 kgfm, disponível aos 1.500 rpm, ajuda o motorista a ganhar tempo nas ultrapassagens. O câmbio S-tronic, de sete velocidades, traz a opção automática, manual (com trocas na alavanca ou por borboletas atrás do volante) e esportiva (‘S’).
Nosso tempo de test-drive com o Q5 foi curto, cerca de 30 quilômetros em trechos de estradas no interior de São Paulo. A suspensão trabalha em sintonia com os ocupantes, que pouco sentem os incômodos do asfalto, e a direção eletroidráulica responde aos desejos do condutor: leve para manobras e firme em altas velocidades. Para que o sistema de suspensão interaja com o motorista, é preciso desembolsar mais R$ 15.944, preço do opcional ‘Audi Drive Select’, que configura as características de dirigibilidade (confortável ou esportiva) por meio de amortecedores adaptativos. Outra tecnologia interessante é o piloto automático adaptativo, que controla a velocidade do veículo em relação à distância do carro da frente, atuando junto aos freios. O sistema é opcional e custa R$ 7.580 na versão 2.0 Turbo FSI.
Aos 120 km/h e em sétima marcha (manual), o conta-giros pouco passou dos 2.000 rpm, o que comprova a facilidade do Q5 para exigir menos do motor em altas velocidades e, por isso, economizar combustível. Segundo a Audi, o SUV pode fazer até 12,3 km/l na estrada com o ar-condicionado desligado e sem cargas. Na cidade, os dados de fábrica indicam média de 8,7 km/l, nada mal para um veículo de 1.740 quilos e motor de 214 cv.
Mas o mais interessante está por trás da sigla ESP. O programa eletrônico de estabilidade do Q5 coloca a tecnologia ao alcance do condutor. Além de corrigir a trajetória do veículo em situações de risco, atuando em parceria com o freio ABS, o ESP também oferece a função ‘Off-Road’ (de série em todas as versões), que pode ser acionada por um botão no console central (‘ESP Off’), abaixo do câmbio. Então, o ESP gerencia o controle de tração (ASR), que não deixa o veículo derrapar em estradas de terra; o bloqueio de diferencial, que ajuda o Q5 a escapar das armadilhas das trilhas e, ainda, é capaz de adaptar o centro de gravidade do veículo para a carga transportada, não permitindo que o jipinho corra riscos ao encontrar inclinações laterais, por exemplo. Esse sistema é inédito e funciona por meio de um sensor no teto, que identifica quando o rack é instalado no veículo.
Para completar, o jipe de luxo sai de série com o sistema de assistência às descidas, acionado também pelo console central. Em descidas íngremes, numa velocidade de 6 km/h a 30 km/h, o carro freia sozinho, sem que você encoste no pedal. É só apertar o botão, olhar para baixo e soltar o jipe. Simples assim. Em nosso primeiro teste, realizado em uma descida de terra com 31 graus de inclinação, não foi difícil perder o fôlego! Aliás, se alguém se arriscar (mesmo) a colocar o jipinho de R$ 200 mil na lama, aqui vai mais uma dica: o Q5 tem 25 graus de ângulo de entrada e saída e 20 centímetros de distância livre do solo.
MERCADO
No Brasil, o Q5 não terá vida fácil. Além dos concorrentes diretos, como Mercedes-Benz GLK (R$ 225 mil) e BMW X3 (R$ 229 mil), o jipe de luxo da Audi terá de enfrentar também o competitivo Volvo XC60, crossover cheio de tecnologias que chegou ao País no ano passado por R$ 165.900. Sem contar com outros utilitários esportivos de luxo, como Ford Edge (R$ 149.700), VW Touareg (R$ 181.490) e o próprio VW Tiguan (R$ 124.190). A maior parte das apostas da Audi está no modelo de entrada, 2.0 Turbo FSI Attraction, que deve responder por 55% das vendas.