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 Avaliação

 smart fortwo03/04/2009 

 Famoso em 37 países, compacto chega ao Brasil em duas versões
Texto: Carina Mazarotto
Fotos: Malagrine Estúdio

Seja bem-vindo ao mundo dos carros supercompactos. O retrato dos tempos modernos já é familiar em outros países: carrinhos para duas pessoas, fáceis de estacionar, econômicos e menos poluentes, roubam a cena nos centros urbanos. No Brasil, o longo caminho da nova era começa com o smart fortwo (com letras minúsculas mesmo), modelo pioneiro lançado em 1998 na Europa, e que até hoje já vendeu mais de 900 mil unidades em 37 países.

A smart é uma marca do grupo Daimler AG, do qual a Mercedes-Benz faz parte. Apesar de dividirem filosofias, smart e Mercedes terão atuação independente no País. O compacto, produzido na fábrica da smart em Hambach, na França, começa a ser vendido na próxima semana, em uma concessionária exclusiva da smart na Avenida Europa, nos Jardins, em São Paulo. São duas versões: coupé (R$ 57.900) e cabriolet (conversível, por R$ 64.900), ambas na configuração de acabamento ‘passion’, a topo de linha. Os dois modelos são equipados com motor traseiro 1.0 litro de três cilindros com turboalimentador, a gasolina, capaz de gerar 84 cavalos, acoplado ao câmbio automatizado de cinco marchas.

   

Em maio, mais uma loja será inaugurada na capital paulista, na avenida Hélio Pelegrino, zona sul da cidade. A smart estuda a expansão da rede para outras grandes cidades em 2010, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. Nesta semana, experimentamos as duas versões do compacto nas ruas congestionadas e esburacadas de São Paulo, primeira metrópole brasileira escolhida pela marca.

ESTILO

Antes de apresentar detalhes desse planeta desconhecido, aqui vai uma dica: livre-se dos seus conceitos sobre um carro de passeio, pelo menos até terminar de ler o texto. Siga o conselho do slogan da marca, “open your mind” (“abra sua mente’). Ficará mais fácil compreender como o smart fortwo se tornou um verdadeiro ‘popstar’ nas principais cidades do mundo.

   

Vamos começar pelo ditado: as aparências enganam. No caso do smart, é o que acontece. Ele parece até um carrinho de brinquedo, mas por dentro se comporta como gente grande. Há espaço suficiente para estender as pernas, os braços, e ajeitar o corpo sem bater a cabeça no teto, o que vale para os mais altos também. Mas nem tudo é perfeito: o motorista não tem regulagens de altura do banco, volante ou cinto de segurança. Um detalhe menos importante, mas que não passará batido com as mulheres, é a falta de espelho no para-sol do motorista – somente o passageiro tem esta opção. Vidros, travas e retrovisores têm controle elétrico.

O fortwo é um carro confortável. Muitas vezes, você até esquece que está dentro de um veículo de apenas 2,69 metros de comprimento – para se ter uma ideia, Fiat Uno e Ford Ka têm 3,69 m e 3,83 m, respectivamente. A distância entre-eixos é de 1,87 m, enquanto a largura é de 1,56 m e a altura de 1,54 metros. O porta-malas tem espaço para 220 litros (o Novo Ka tem 263 l). Se os bancos não estiverem totalmente afastados, ainda é possível ajeitar pastas e bolsas pequenas atrás deles. Mas neste ponto o smart fortwo é pouco prático: os bancos não trazem puxadores laterais para descer o encosto. A regulagem é feita apenas por uma alavanca que fica no lado interno do assento (ao lado direito do motorista), ou seja, se você está fora do carro e precisa pegar algum objeto atrás do banco, precisa se esticar ou entrar no veículo.

   

Painel e portas trazem revestimento de tecido, combinado com plástico. Tudo é bem encaixado e não há qualquer rastro de mau acabamento. São diversas combinações de cores internas, como vermelho (tecido), bege ou preto todos com detalhes em cinza. O painel de instrumentos traz velocímetro central e, abaixo, há um display digital com informações sobre a temperatura do motor, hodômetro, temperatura externa, posição do câmbio e quantidade de combustível no tanque (a capacidade é de 33 litros). Conta-giros e relógio ficam no centro do painel, em dois mostradores arredondados. Abaixo ficam os controles para o ar-condicionado manual, o rádio CD player com leitura para MP3. Há também um porta-trecos móvel na parte central inferior. O modelo conversível traz porta-luvas com tampa, diferentemente do coupé.

DESEMPENHO

Fugir do convencional é regra também na hora de dar a partida: a chave fica entre os bancos, abaixo do câmbio. Iniciamos nosso test-drive a bordo do modelo conversível, que traz teto de lona dobrável, acionado eletricamente por um botão localizado pouco acima da alavanca de câmbio. É possível ajustar a capota em qualquer posição com o carro em movimento, independentemente da velocidade. Com a capota totalmente rebaixada, porém, a visibilidade traseira fica comprometida.

   

No primeiro trecho, percorremos cerca de 30 quilômetros em estradas próximas à capital, onde foi possível notar, de primeira, a disposição do pequeno fortwo em retas e ultrapassagens. Segundo a smart, o carrinho acelera de 0 (zero) a 100 km/h em apenas 10,9 segundos, e atinge velocidade máxima de 145 km/h. E não é difícil se empolgar com ele: aos 100 km/h, a sensação do condutor é de estar a 60 km/h. O barulho do motor é razoável em altas velocidades, mas no caso do conversível, o ruído de vento é muito perceptível mesmo com a capota fechada. O coupé, com teto panorâmico de policarbonato, é mais atraente. Interessante também é o consumo: o fortwo pode fazer até 24,4 km/l na estrada, segundo o fabricante.

Enquanto a direção elétrica dá conforto ao motorista, a transmissão automatizada incomoda. No caso do câmbio automatizado, a função do pedal da embreagem é feita por um motor elétrico. Portanto, diferentemente de um câmbio puramente automático, o carro age como se o motorista estivesse pisando na embreagem, tornando as trocas muito perceptíveis. Nas saídas, é preciso pisar fundo no acelerador, o que deixa o smart menos ágil do que parece, principalmente no trânsito. As trocas de marchas podem ser feitas pela alavanca de câmbio e por borboletas no volante. Há também a opção automática, acionada por um botão ao lado esquerdo do câmbio.

   

Na cidade, a suspensão do fortwo sofre ao encontrar as irregularidades do asfalto paulistano. Passageiro e motorista sentem constantemente os efeitos dos buracos. Depois de algum tempo rodando, você se pega até com medo de encontrá-los. O smart traz rodas 15’’ de liga-leve, calçadas com pneus dianteiros 155/60 R15 e traseiros 175/55 R15. Mas, e se o pneu furar? Pois bem, o smart não espaço para estepe, portanto o carrinho traz o kit de reparação emergencial Tirefit, que conta com um compressor de ar, que pode ser conectado ao acendedor de cigarros, e um spray anti-furo - o que não tira, obviamente, a necessidade de trocar os pneus quando possível. A caixinha emergencial fica localizada perto dos pés do passageiro, abaixo do painel. A assistência técnica do fortwo será feita pela Mercedes-Benz.

O fortwo traz tecnologias importantes de segurança, dificilmente encontradas de série em outros veículos, como quatro airbags, freios ABS, controle de estabilidade (ESP), assistência eletrônica de frenagem (BAS) e distribuição eletrônica de frenagem (EBD), além de ser envolto pela célula de segurança tridion, que protege os ocupantes como uma casca de noz.

   

MERCADO

A originalidade do smart é indiscutível. Mais que sua missão social - é um carro ecologicamente correto (emite apenas 116 gramas de dióxido de carbono por quilômetro) e fácil de transitar diante do ritmo alucinado das grandes metrópoles -, o pequeno veículo chega ao Brasil para conquistar um público totalmente novo, que, segundo a marca, valoriza a funcionalidade, a inovação e principalmente aspectos emocionais, como a ‘alegria de viver’. E, claro, que tenha R$ 57 mil sobrando no bolso para optar por um carro de dois lugares. O desafio do fortwo, porém, não será tão pequeno quanto ele: seu público seleto terá, em breve, outras opções exclusivas no mercado nacional, como o Mini Cooper (BMW), que chega em abril, e o Fiat Cinquecento, no segundo semestre do ano.


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