O acordo de livre comércio entre Brasil e México acaba de abrir as portas do mercado nacional para mais um modelo latino, a perua Jetta Variant. A novidade é produzida na fábrica mexicana da Volkswagen de Puebla desde novembro de 2006. Derivada do sedã Jetta, que é vendido por aqui desde setembro de 2006, a versão familiar chega em opção única de motor e acabamento: 2.5 litros – o mesmo propulsor usado pelo três volumes –, de 170 cavalos de potência, atuando em conjunto com a transmissão automática Tiptronic, de seis marchas.
O preço sugerido do Jetta Variant é de R$ 91.940. E este valor inclui, entre outros equipamentos, ar-condicionado Climatronic de duas zonas, vidros, espelhos e travamento das portas acionado por meio de comando elétrico, direção eletromecânica, sensor de estacionamento, volante com comandos de som e CD/MP3 player para seis discos, além de dez alto-falantes.
ESTILO
Visto de frente, nenhuma novidade: sedã e perua têm a mesma face, com direito à grade em "V" e detalhes cromados. As medidas também são praticamente idênticas em ambas as configurações: 4,55 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,46 m de altura e 2,58 m de distância entreeixos. Além, obviamente, do formato da carroceria, que muda da metade do carro para trás, a diferença fica para a capacidade do porta-malas. E, por incrível que pareça, o sedã leva vantagem neste quesito: são 527 litros no três volumes contra 505 l, na perua. Com bagagem até o teto, a capacidade é de 690 l, e com o encosto do banco traseiro rebatido, o volume é ampliado para 1.495 l.
A traseira exibe linhas sutis. As lanternas, ao contrário das do sedã, não contam com elementos circulares, nem invadem a tampa do bagageiro. Elas investem no sentido contrário, pelas laterais. Outro destaque é o vidro traseiro generoso, que avança sobre as colunas e proporcionam maior visibilidade ao motorista. O carro também traz um spoiler com break-light na parte superior da porta traseira, rodas de liga-leve de 17 polegadas, saída dupla de escapamento cromada, bagageiro no teto, além de detalhes cromados nas janelas.
Por dentro, o estilo do Variant é o mesmo do Jetta. Os bancos são revestidos de tecido e o volante conta com botões que comandam as funções do sistema de som e o computador de bordo. A lista de itens de conforto inclui ainda coluna de direção regulável em altura e profundidade, apoio de braços entre os bancos dianteiros com ajuste de altura e porta-objetos integrado, pára-sóis com espelhos iluminados e banco traseiro bipartido (60/40). Forração de couro, ajuste lombar para motorista e passageiro e aquecimento dos assentos são oferecidos como opcionais.
Outro opcional de destaque é o teto "Sky View", exclusividade do Variant. Ele mede 1,36 metros de comprimento e 87 centímetros de largura. Somando-se ao conjunto de faróis bi-xenon com lavadores, o preço da perua salta para R$ 104 mil - ou seja R$ 12.060 a mais que a versão de entrada. E por falar em faróis, eles integram um dispositivo que ajusta a altura do facho automaticamente, de acordo com a carga do veículo, assim que o motor é ligado.
DESEMPENHO
Assim como o sedã, o Jetta Variant é empurrado pelo motor de 2.480 cm³, de cinco cilindros em linha e 20 válvulas, capaz de gerar 170 cavalos de potência a 5.000 rpm e 24,5 kgfm de torque, a 4.250 rpm. A aceleração de 0 (zero) a 100 km/h é feita em 9,2 segundos - 0,3 s mais lento que o sedã - e a velocidade máxima é de 205 km/h - a mesma para ambas as configurações.
O motor é equipado com cabeçotes feitos de alumínio e silício e cujo desenho foi inspirado no propulsor V10 do supercupê Gallardo, da Lamborghini. Para garantir maior durabilidade ao conjunto, o bloco conta ainda com balancins roletados e bielas forjadas, que geram menor atrito e maior resistência ao sistema, respectivamente. A tubulação de escape é toda feita de aço inox, material que permite melhor fluxo de gases.
A proteção dos ocupantes é proporcionada por freios a disco nas quatro rodas - os dianteiros são ventilados - com ABS, e controles de tração (ASR) e estabilidade (ESP); além de seis airbags - frontais duplos, laterais (nos bancos dianteiros) e tipo cortina, nos vidros laterais dos bancos dianteiros e traseiros. A direção eletromecânica Servotronic, por sua vez, enrijece conforme a velocidade do carro aumenta, favorecendo o controle direcional do veículo. A lista de itens de segurança passiva também agregam cintos de três pontos para cinco pessoas e apoios de cabeça ativos para motorista e passageiro.
De acordo com a Volkswagen do Brasil, a perua Jetta é capaz de percorrer 10,6 quilômetros com 1 litro de gasolina na cidade e atingir a média de consumo de 13,6 km/l, em percurso rodoviário. A capacidade do tanque de combustível é de 55 litros.
Assim como o sedã do qual deriva, o maior destaque do Variant é a dirigibilidade. Avaliada por Carsale em estradas variadas do interior de São Paulo, com pavimentos alternando entre o ótimo e o péssimo, como na Rodovia Fernão Dias (SP), a perua demonstrou um acerto do conjunto de suspensão superior à média, em especial da traseira. Em curvas de diversas angulações, a perua não apresentava balanços laterais ou "rolling" da carroceria, mesmo em situações mais extremas de condução.
Com uma unidade completa em mãos – com faróis de xenon, bancos revestidos de couro caramelo e teto Skyview – Carsale rodou por um trajeto de cerca de 300 quilômetros. O comportamento é beneficiado pela facilidade em selecionar a melhor posição de dirigir, por meio de amplas opções de regulagens dos bancos, incluindo o ajuste lombar elétrico, e do volante, em altura e profundidade. É fácil se acomodar e encontrar os comandos na perua da VW.
Nos primeiros quilômetros, notamos o bom funcionamento do câmbio de seis marchas automático, compatível com o desempenho do motor 2.5 de 170 cv – que ganha 5 cv com o uso de gasolina premium. A 120 km/h, a rotação em 6ª marcha, era de baixos 2.500 rpm. Resultado? Silêncio ao rodar e economia. Mas era só provocar o acelerador, e mudar a alavanca do câmbio para o modo Tiptronic, de trocas manuais, para que um ronco agudo, do sistema de escapamento em inox, revelasse a pitada de esportividade. E, claro, fizesse o consumo piorar consideravelmente.
A suspensão é irrepreensível, característica essa herdada do sedã. Em retas, muita estabilidade, mesmo quando encaramos uma chuva torrencial durante o trajeto. Nas curvas, o condutor notará que a perua da VW "anda nos trilhos": mesmo aliviando o pé do acelerador no meio de uma curva, a transferência de peso na carroceria é feita de forma suave e progressiva. E se a situação sair do controle, a "sopa de letrinhas" – ABS + BAS + ESP – garante a retomada da situação.
Na esburacada rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo à Minas Gerais, as rodas de 17" provocaram uma certa apreensão. Mas não notamos fim de curso da suspensão ao transpor buracos ou valetas, e o acabamento interno resistiu ao "teste", sem ruídos. E por falar em acabamentos, a VW informa 505 litros de capacidade do porta-malas, mas, ao erguer o tampão do assoalho, para o acesso ao estepe, surge outro compartimento, de aproximadamente 60 litros. A Volkswagen conta que optou por criar este compartimento para manter um assoalho plano no porta-malas. Só quando se levanta esse compartimento, que faz a capacidade subir para mais de 560 litros, que se atinge o estepe.
MERCADO
A expectativa de vendas da VW é ambiciosa. São 3.000 unidades do Variant ao ano, ou 240 exemplares/mês. Com isso, a marca pretende elevar os emplacamentos do segmento de peruas médias de 7.500 unidades para 10 mil unidades/ano, e conseqüentemente abocanhar 30% deste mercado, formado atualmente por Renault Mégane Grand Tour, Toyota Fielder e Peugeot 307 SW.