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 KOMBI “EDIÇÃO 50 ANOS”08/02/2008 

 Uma volta ao passado com a velha senhora
Texto: Michel Escanhola
Fotos e vídeo: Vinícius Zucatelli

"Carro de pasteleiro", "veículo de feirante", "perua escolar", "velha senhora" ou até mesmo "Kombosa". Apelidos não faltam. Assim como Xerox, Insulfilm e Bombril, a Kombi criou novos conceitos e virou sinônimo de produto ao longo deste meio século que está presente no Brasil. E o modelo Volkswagen ganhou no início de dezembro uma configuração comemorativa ao seu jubileu de ouro de produção, a "Edição 50 Anos". Dificilmente ela será vista pelas ruas, mas certamente — e em curto prazo — você irá se deparar com ela exposta em alguma mostra automotiva. E essa era a intenção da marca, já que a série foi limitada em apenas 50 unidades, tornando esta edição pra lá de especial.

Agora, responda francamente: depois de conseguir reservar sua unidade entre tantos pedidos e ter desembolsado R$ 45.500, você se arriscaria a colocar um veículo desses, que é praticamente exclusivo (já que cada unidade tem sua numeração no painel e no documento), no trânsito caótico de hoje em dia? Pois é, a Volkswagen também não. Ainda mais porque a Kombi "Edição 50 Anos" de posse da marca é a mais preciosa de todas: é a de nº 00, a que serviu de protótipo para a meia centena de unidades fabricadas.

E se a "velha senhora" não pode sair da fábrica de São Bernardo do Campo, onde é construída, o que nos resta é a oportunidade de dirigir, ou melhor, desfilar com o modelo pelas alamedas da planta localizada no ABC Paulista. Por que desfilar? Ora, existem apenas 50 carros (tudo bem, 51 com o da Volks) como este no mundo. Para que correr?

   

ESTILO
O visual é o mais retrô possível. Está certo que a Kombi nunca foi sinônimo de design arrojado, mas a "Edição 50 Anos" resgata a nostalgia das pinturas "saia e blusa", de duas tonalidades. A parte superior da carroceria e os pára-choques são pintados de branco, enquanto que o restante da lataria é vermelha. Segundo a marca, essa era a combinação preferida dos consumidores, que podiam mesclar outras cores com branco.

Na teoria tudo é muito fácil, basta pintar e pronto. Porém, com a modernização do processo de pintura, cada unidade da série comemorativa teve que passar duas vezes pela linha de montagem. De acordo o especialista em Marketing de Produto da Volkswagen do Brasil, Eduardo Marchetti, a edição especial foi feita quase na unha, artesanalmente.

São itens de série também vidros verdes, pára-brisa degradê, aros dos faróis em prata e lanternas traseiras fumê. Um novo tecido de banco ("Tear Le Fendy"), vidros laterais corrediços, luzes de seta dianteira translúcidas e vidro traseiro com desembaçador complementam o conjunto da obra. De resto, tudo é igual às demais versões da velha senhora.

   

Modernidades como o cluster inspirado na linha Fox e também utilizado nos modelos da família Gol contrastam com soluções incorporadas em 1957, como quebra-vento e acionamento do freio de mão no console central. Com 4,50 metros de comprimento, 1,72 m de largura e 2,04 m de altura, faz eco dentro da "kombosa", principalmente quando a porta lateral é fechada com aquele característico "plam!". A distância entreeixos é curta, são apenas 2,4 m (5 centímetros a menos que o novo Ford Ka), o que dificulta bastante as manobras.

DESEMPENHO
O motor EA-111 1.4 litro 8V Total Flex, produzido na planta de São Carlos (SP), é derivado do usado no Fox de exportação. Bicombustível, ele rende 78 cavalos de potência utilizando apenas gasolina, 34% a mais que no propulsor a ar, e 12,5 kgfm a 3.500 rpm. Apenas com álcool no tanque, os números sobem para 80 cv e o torque chega a 12,7 kgfm, também a 3.500 rpm.

Mais silencioso e potente, este propulsor deu mais fôlego à Kombi, mas o motorista não é incentivado a pisar fundo do acelerador. Por falar nisso, é no mínimo estranho dirigir um veículo no qual os pedais de freio e de embreagem saem do assoalho, e do acelerador, não. Em outras palavras, o condutor tem de fazer força para frente para acelerar ao mesmo tempo em que empurra o pedal da embreagem para baixo. Na Kombi, vale tudo.

   

Mas o melhor, com certeza, é o volante. Além de pesado, o equipamento (que mede 45 centímetros) parece não exercer muita força sobre as rodas, ao contrário do motorista, que tem que fazer um esforço danado para esterçar a direção. A alavanca de câmbio também é generosa: são 60 cm.

Outro obstáculo para os marinheiros de primeira viagem é a visibilidade traseira. Atrás do volante, a impressão que se tem é de que o vigia está bem bem mais distante do que realmente é. Essa situação é justamente oposta na dianteira. Alguns brincam que o pára-choque frontal da Kombi é o joelho do motorista, uma vez que o carro termina (ou começa) praticamente na mesma linha do pára-brisa.

MERCADO
Muita coisa poderia ser melhor na "velha senhora". Mas para quê? A Kombi sempre foi um veículo que se vendeu sozinho, e não é à toa que ela completa seu jubileu ouro no mercado nacional. Que outro utilitário na faixa de preço de R$ 40 mil tem capacidade de transportar nove pessoas e carregar 1 tonelada? Não há concorrentes diretos.

   

Para o gerente de Vendas Especiais da Volkswagen, Guilherme Blumm, fatores como este fizeram da Kombi um dos alicerces da marca no Brasil. "É um veículo utilizado em sua grande maioria por profissionais, já que alia uma série de diferenciais a baixo custo de manutenção. São mais de 1,3 milhão de unidades vendidas no País".

E se nas versões "normais" a procura é grande — a Kombi é oferecida nas configurações Furgão (R$ 40.680) e Standard (R$ 42.570) —, na série especial "Edição 50 Anos" foi um verdadeiro corre-corre. De acordo com Blumm, as 50 unidades produzidas pela marca foram reservadas em apenas uma semana. Como se todos os diferencias desta série não fossem suficientes, cada proprietário recebeu uma miniatura da T1 (primeiro modelo Kombi vendido no Brasil) com a mesma pintura "saia e blusa" e numeração do veículo reservado. "É para colecionador dormir olhando para a réplica e matar a saudade de sua Kombi que está na garagem", brinca o gerente.

   


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