Em um ano marcado pelo renascimento dos hatchbacks - veja-se o Chevrolet Vectra GT, o Fiat Punto, o Nissan Tiida, o Volvo C30 e, em breve, o Renault Sandero -, o consumidor também não pode reclamar das novidades do segmento de sedãs de entrada, segundo maior nicho do mercado nacional, concentrando 18% das vendas no Brasil. Prova disso são o Renault Logan e o Chevrolet Corsa Sedan 1.4 Econo.Flex. Já o contra-ataque da Fiat era uma questão de tempo. Nesta terça-feira (30), após alguns meses de espera, o fabricante de Betim (MG) mostrou a quarta geração do Siena. A apresentação do sedã para a imprensa especializada nacional aconteceu em Brasília.
E para que não haja controvérsias sobre o design do três volumes, a marca teve de romper um paradigma que já durava dez anos. Desde 1997, quando o Siena foi lançado por aqui, é a primeira vez que o modelo não traz as linhas de seu irmão menor, o Palio. Os executivos da Fiat juram que essa mudança não ocorreu por causa da polêmico visual do hatch.
Independentemente disso, o sedã mineiro vem para se tornar referência de design em seu segmento, mirando até em rivais categorias superiores, como o Volkswagen Polo. Disponível em quatro configurações (ELX 1.0, ELX 1.4, 1.4 Tetrafuel e HLX 1.8), a novidade tem preço sugerido a partir de R$ 33.660 (mesmo valor da linha 2007) e começa a ser comercializada a partir do dia 14. Assim como ocorreu na gama Palio, a configuração Fire continua a ser vendida normalmente, mas com a carroceria antiga.
ESTILO
A Fiat faz questão de enfatizar que a quarta geração do Siena foi concebida pelo Centro Stile da marca na Itália. De fato foi. Mas, na verdade, a empresa levou engenheiros brasileiros para sua terra-natal para desenvolver o produto. E o resultado foi bom. Externamente, o veículo traz design totalmente novo, desde a moldura dos faróis de neblina à tampa do porta-malas.
Com identidade própria, a dianteira chama a atenção pelos faróis com dupla parábola. A grade do radiador tem acabamento cromado e os faróis de neblina (também com contornos cromados) são de série em todas as versões (como acontece no Punto). Já o pára-choque conta com novas entradas de ar e, dependendo da versão, frisos cromados nas extremidades.
Nas laterais, o destaque fica por conta dos vincos, que percorrem toda a extensão do veículo. Os frisos cromados na lateral (opcional no modelo 1.0) dão uma aparência mas sofisticada ao veículo. Calotas e rodas trazem novo desenho. Na parte de trás vale ressaltar a linha alta da tampa do porta-malas, que continua com 500 litros de capacidade e braços de sustentação que “roubam” espaço do bagageiro.
Entretanto, as lanternas merecem um capítulo à parte. O novo conjunto é mais estreito que o modelo 2007. Assim como na dianteira, o pára-choque traseiro pode trazer frisos cromados. O novo logotipo da Fiat, que fez a sua estréia no Punto, também está presente na linha 2008 do Siena. A quarta geração do sedã está 2 centímetros mais comprido e mais alto que a terceira geração. São 4,15 metros de comprimento, 1,63 m de largura, 1,43 m de altura e 2,37 m de distância entreeixos.
No interior, as mudanças foram mais modestas. O quadro de instrumentos tem fundo preto e o marcador do nível de combustível passa a ser digital. Agora há três apoios de cabeça no banco de trás e a parte traseira dos encostos dos assentos dianteiros ganhou porta-revistas. De resto, tudo lembra o Palio, tanto no desempenho como na funcionalidade e no aspecto do console central.
DESEMPENHO
A Fiat Powertrain Technologies (FPT) estendeu o trabalho realizado no motor 1.4 Flex utilizado no Punto para o Siena e aproveitou para dar uma “animada” no propulsor 1.0 Flex. De acordo com dados da marca, o resultado foi mais potência e economia. Na linha 2008, a motorização 1.0 passa a desenvolver 73 cavalos (gasolina) e 75 cv (álcool) a 6.250 rpm e 9,5 kgfm e 9,9 kgfm de torque a 4.500 giros, respectivamente.
Conforme a Fiat, são 8 cv extras com 9% de economia a mais que o modelo anterior. O torque, porém, não subiu muito. O motor 1.0 Fire teve sua taxa de compressão elevada de 11,6:1 para 12,1:1, recebeu novos coletores de aspiração e de descarga tubular, mais pistões, válvulas de aspiração e perfil de comando de válvulas.
Apesar de tudo isso, durante o test-drive realizado pelas ruas da capital do País o comportamento do Siena foi praticamente o mesmo da linha anterior. Somente depois dos 3.000 rpm é que o Siena mostra-se (um pouco) mais esperto ao pedal do acelerador. O 0,4 kgfm (gasolina) e o 0,7 kgfm (álcool) que o motor ganhou são imperceptíveis, principalmente nas retomadas.
Para o motor 1.4 Flex são 5 cv a mais. Agora este conjunto entrega 85 cv, somente com gasolina no tanque, e 86 cv (100% álcool), e 12,4 kgfm e 12,5 kgfm de torque, respectivamente, disponíveis a 3.500 rpm. A montadora italiana diz que este propulsor está 3% mais econômico em função dos novos coletores de admissão (3 milímetros maior) e de escape (em aço tubular), pistões e sede de válvulas de aspiração em novo material. No percurso determinado pela Fiat, o motor 1.4 Flex mostrou-se mais adequado para o Siena. O modelo tem bem mais fôlego que o 1.0, sem consumir muito combustível para isso.
As demais motorizações permanecem como na linha 2007. O propulsor 1.4 Tetrafuel entrega 80 cv (com gasolina pura ou com gasolina composta por 20% de álcool), 81 cv (álcool) e 68 cv (gás natural veicular). Já o motor 1.8 Flex (desenvolvido em parceria com a General Motors e que equipa as linhas Palio 1.8R, Strada, Weekend, Stilo Flex e Doblò), rende até 114 cv a 5.500 rpm e torque de 18,5 kgfm a 2.800 rpm.
MERCADO
Correndo atrás do Corsa Sedan, o Siena é responsável por 25% das vendas na categoria. Isto é, 5% a menos que seu adversário (que atualmente lidera o segmento). E é justamente este percentual que a Fiat espera crescer em 2008 com a quarta geração do sedã, “que veio para brigar pela liderança”, diz o diretor Comercial da marca no Brasil, Lélio Ramos. Transformando em números, isto significa que a marca estima comercializar quase 90 mil unidades do Siena em 2008.
Em outubro, o modelo contabilizou 8.415 unidades vendidas, de maneira que no acumulado dos dez primeiros meses deste ano somam 71.220 carros emplacados (média superior a 7.100 veículos). Mesmo com o visual defasado, a configuração Fire será responsável por 60% do mix de vendas. Dos 40% restantes, 46% serão de modelos Tetrafuel, 25%, de 1.4, 16%, de 1.8, e 13%, de 1.0.
Vale ressaltar que, apenas a versão de entrada manteve o preço em relação à linha 2007. O valor sugerido pelo modelo ELX 1.4 cresceu R$ 360 (R$ 36.600), a configuração Tetrafuel, R$ 1.310 (R$ 44.960), e a HLX encareceu R$ 2.540 (R$ 44.850). Ramos justifica que estes reajustes se justificam em equipamentos. O modelo 1.4 traz como diferenciais as molduras cromadas e rodas aro 14, enquanto que o modelo 1.8 recebeu rodas de 15” e acabamento de veludo nos bancos.
O aumento que não teve explicação foi na versão Tetrafuel, que ganhou os mesmos mimos do acabamento ELX e encareceu R$ 950. Uma razão para isso é a velha lei da oferta e da procura, pois as expectativas de venda da Fiat para o modelo capaz de ser abastecido com quatro combustíveis foram superadas de longe. A marca esperava emplacar 200 unidades do modelo mensalmente, e não cerca de 700, como vem acontecendo. Mas Ramos garante: “houve apenas um reposicionamento”.
(O repórter Michel Escanhola viajou a convite da Fiat Automóveis do Brasil)