Desde que foi lançado em 2001, o Xsara Picasso já contabiliza mais de 70 mil unidades vendidas. Mas de uns tempos para cá, o modelo estacionou no volume de vendas. Para recuperar o ritmo, a Citroën do Brasil decidiu fazer a primeira reestilização do monovolume no País, na tentativa de conquistar os consumidores que buscam um veículo menos desatualizado. A linha 2008 — apresentada hoje (31) no Guarujá (SP) — que já está em algumas concessionárias da marca, sofreu modificações apenas estéticas e está disponível em duas opções de câmbio e duas de motor.
Oferecido nas versões de acabamento "GLX" e "Exclusive", que se subdividem em seis configurações, o Xsara Picasso 2008 tem preço sugerido para seu lançamento a partir de R$ 55.990, podendo chegar a R$ 73.380. Porém, o real valor inicial proposto pela montadora é de R$ 58.315, que deverá passar a vigorar daqui a dois meses.
Apesar de trazer várias mudanças, o novo monovolume tem como "cartão de visitas" o novo visual da parte frontal, que passou a seguir os modelos mais luxuosos da Citroën, como as gamas C4 e C5. Além disso, a linha 2008 do Xsara Picasso foi o primeiro projeto desenvolvido totalmente no Brasil pelo Grupo Peugeot-Citroën (PSA), que precisou de um ano e cinco meses para concluir o produto.
ESTILO
E se a intenção da marca era dar ares mais sofisticados ao veículo, ela conseguiu. As novas linhas dianteiras são evidenciadas pelo pára-choque — maior e mais alongado que a versão 2007 —, que ganhou uma faixa cromada. Agora, o capô passou a ser ligeiramente mais arredondado. A parte traseira também foi revista. Foram alterados o pára-choque, os monogramas e os chevrons (logomarca). Para a linha 2008, a montadora ampliou as opções de cores disponíveis. Entram no catálogo as tonalidades Gris Cendre (dourada), Gris Fer (cinza), Perla Nera (preto) e Icare (azul).
Outro item alterado foram as calotas. As dimensões continuam as mesmas: 4,27 metros de comprimento, 1,63 m de altura, 1,75 m de largura e distância entreeixos de 2,76 m. O porta-malas tem capacidade para 550 litros e o veículo leva até cinco pessoas. Internamente, as modificações ficam por conta dos detalhes das tonalidades. Painel, revestimento dos bancos e forro das portas estão mais escuros.
As versões mais básicas, "GLX" (com câmbio manual ou automático), trazem de série direção hidráulica, ar-condicionado dianteiro com filtro antipólen, quatro airbags, painel digital, computador de bordo, vidros elétricos, mesas tipo "avião" para os bancos traseiros, travamento automático das portas e porta-malas a partir de 10 km/h, retrovisores com comando elétrico, entre outros. Já os acabamentos "Exclusive" acrescentam ar-condicionado automático digital, freios com ABS com EBD e AFU, rádio com CD player e sistema de comando na coluna de direção, faróis de neblina, rodas de liga leve.
DESEMPENHO
A montadora francesa optou em não modificar a parte mecânica da gama 2008. Com isso, os modelos continuam sendo oferecidos nos motores 1.6 litro Flex e 2.0 l, a gasolina, de maneira que o segundo pode ser equipado com câmbio manual de cinco marchas ou automático, de quatro velocidades e opção de trocas seqüenciais.
O propulsor 1.6 16 válvulas é o mesmo utilizado na linha C3, com 110 cavalos (com gasolina) e 113 cv, apenas com álcool no tanque, ambos a 5.600 rpm. O torque — disponível a 4.000 rpm — é de 14,5 kgfm e 15,8 kgfm, respectivamente. A motorização 2.0, por sua vez, gera 138 cv de potência a 6.000 rpm e 20 kgfm de torque a 4.100 rpm. De acordo com a marca, 90% da força máxima do veículo é oferecida a partir de 2.500 rpm.
Para o consumidor, isso significa que quem gostava do Xsara Picasso 2007, não terá motivos para se queixar do novo modelo. Em um test-drive de cerca 40 quilômetros pelas ruas de Guarujá, o comportamento do monovolume não mudou. A visibilidade continua a mesma, assim como a dirigibilidade e o conforto interno.
MERCADO
Mesmo com as mudanças leves, a Citroën projeta que a linha 2008 do Xsara Picasso consiga fazer o veículo voltar ao patamar de 1 mil unidades vendidas por mês. Brigando diretamente com Renault Scénic e Chevrolet Zafira, o monovolume montado em Porto Real (RJ) contabiliza atualmente a média de 800 carros mensais.
A receita par este crescimento, segundo o presidente da Citroën do Brasil, Sergio Habib, é baseada nas projeções de mercado. Conforme o executivo, o perfil do consumidor brasileiro mudou. "O mercado nacional vem sendo puxado por veículos mais caros, de modo que os modelos populares vêm mantendo a mesma participação em um universo em crescimento".
Outra aposta do executivo são os preços fechados de revisão para o modelo, onde na primeira verificação (aos 10 mil km) o consumidor gastará em qualquer autorizada Citroën R$ 195 e, na revisão dos 40 mil km, R$ 295. "O Xsara Picasso tem um índice de fidelização muito bom, além de ser o monovolume que atrai mais mulheres no mercado. O público feminino é responsável por 56% das vendas", conclui Habib ao mencionar que o mix de vendas da gama 2008 não deve sofrer modificações em comparação à gama 2007, que divide as motorizações 1.6 Flex e 2.0 igualmente.