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 Hyundai Vera Cruz13/07/2007 

 Jipão chega ao Brasil com discrição asiática
Texto: Thiago Vinholes
Fotos: Marcelo Goto e divulgação

Durante o último Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro do ano passado, houve uma estréia mundial que passou despercebida do público. No discreto estande da Hyundai, um utilitário de grande porte chegou a ser mostrado, mas inexplicavelmente acabou sendo coberto por uma capa e depois retirado do evento. Tratava-se do Vera Cruz, que ostenta o nome de uma cidade mexicana mas foi concebido para agradar o consumidor dos Estados Unidos.

O jipão acaba de chegar ao mercado brasileiro esbanjando luxo e requinte, mas deixando um pouco a desejar no desempenho. O Carsale teve a chance de conferir esta novidade da Hyundai durante a última edição do Quatro Rodas Experience, no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, São Paulo, a convite do fabricante sul-coreano.

   

ESTILO
O Vera Cruz impressiona pelo tamanho. Ele mede 4,84 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,70 m de altura, e 2,80 m de distância entreeixos. Suas dimensões avantajadas, aliadas ao motor 3.8 V6 - de 270 cavalos de potência -, o colocam como principal concorrente de utilitários esportivos de grande porte, como Jeep Grand Cherokee Limited V8, Land Rover Discovery SE V8, Mitsubishi Pajero Full HPE V6 e o Nissan Pathfinder LE V6.

O desenho do jipão segue a atual identidade visual da Hyundai, que prima pelas linhas limpas e fluidas. A aparência imponente se utiliza de contornos arredondados e entregam ao SUV um visual jovial e futurista. A dianteira exibe aparência sóbria e simples, longe da agressividade da maioria dos modelos do segmento. Os faróis de xenon aliados à grade dianteira criam um conjunto harmonioso. O Vera Cruz conta também com uma saia de plástico escuro, que percorre a parte de baixo das laterais e dos pára-choques dianteiro e traseiro. Atrás, o desenho das lanternas segue o estilo adotado pelo conjunto óptico frontal. Outro destaque da traseira é o defletor montado sobre a tampa do porta-malas e as duas grandes saídas de escape cromadas.

Ao entrar no carro, a primeira reação é de surpresa. O acabamento interior prioriza o conforto, mas não ostenta materiais requintados, como madeira e itens cromados, mas traz couro em duas tonalidades. A cabine abriga confortavelmente até sete passageiros - o utilitário esconde dois assentos sob o assoalho do porta-malas. O bagageiro também impressiona pela grande capacidade de carga: 1.133 litros. O revestimento de couro não se limita aos assentos, ele se estende pelo teto, onde ficam saídas de ventilação reguláveis.

   

Os recursos à disposição do motorista também não desapontam. Toda a instrumentação é de fácil acesso. Os mostradores também são simples, mas oferecem boa visualização, inclusive no escuro, graças à iluminação azulada. Os bancos dispõem de regulagem elétrica e aquecimento, que é acionado por meio de um comando no painel. Aliás, as inúmeras funções do sistema de áudio e do ar-condicionado são controlados por botões instalados no console central. O Vera Cruz também vem com espelho retrovisor interno com sistema anti-ofuscante automático e bússola, piloto automático e rádio AM/FM e MP3 player com comandos no volante e capacidade para seis discos.

DESEMPENHO
Mesmo com um potente motor V6 de 3.8 litros DOHC capaz de entregar 270 cavalos de potência a 6.000 rpm, e 36,2 kgfm de torque a 4.500 rpm, o Hyundai é tímido na performance. A razão para o desempenho contido está na configuração da transmissão automática de seis velocidades. A relação de marchas é longa e perde-se certo tempo em arrancadas e retomadas de velocidades. Mesmo pisando fundo no pedal do acelerador não há mudança de marchas instantânea, o que faz com que o jipão perca agilidade.

No entanto, durante o test-drive no autódromo de Interlagos, o utilitário coreano se mostrou bastante estável nas curvas, mesmo em altas velocidades - e a contra-gosto do instrutor me acompanhava na avaliação. A dirigibilidade também é outro fator positivo do modelo, que no alto de seus 4,84 m de comprimento e 2,80 m, de entreeixos, é bastante versátil em manobras complicadas, como estacionar em espaços limitados.

   

A suspensão independente nas quatro rodas transmite segurança em curvas fechadas. Grande parte deste atributo se deve ao sistema "Self Levelizer", que nivela automaticamente a inclinação do carro em relação ao solo. O veículo possui ainda sistema de tração integral controlada eletronicamente de acordo com a necessidade imposta pelo piso. Ele possui acionamento manual de bloqueio do diferencial central, no caso de perda de tração nas rodas.

Segundo informações divulgadas pelo fabricante, o Vera Cruz alcança velocidade máxima de 215 km/h e leva 7,6 segundos para ir de zero a 100 km/h. Contudo, o carro penou muito para atingir a velocidade de 140 km/h na Reta dos Boxes de Interlagos. O nível de ruído no interior da cabine, durante a acelerada, também causou certo incômodo. O pacote de equipamentos de segurança integra freios a disco nas quatro rodas com ABS, distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência de frenagem (BAS), e nada menos que 11 airbags - frontais, laterais e tipo cortina.

MERCADO
O preço sugerido do Vera Cruz no mercado brasileiro é de R$ 175 mil. O grupo CAOA, responsável pela distribuição do modelo no Brasil não divulgou números de expectativa de vendas, sequer a quantidade de unidades a serem importadas até o fim do ano. No mercado norte-americano, o jipão é sucesso de crítica e público. Além de faturar uma série de prêmios de qualidade, o modelo disputa mercado com concorrentes fabricados no país, como Jeep, Chrysler, General Motors e Toyota.

   


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