Depois de uma temporada fraca em termos de novidades – no ano passado, apenas o Idea Adventure e o Siena Tetrafuel foram os destaques –, a Fiat do Brasil estréia 2007 mostrando a roupa nova de seu campeão de vendas, o Palio. Mas apesar dos lançamentos escassos, 2006 foi um dos melhores anos da história do fabricante de Betim (MG). A empresa conquistou a liderança do ranking de vendas pelo segundo ano consecutivo, registrando mais de 460 mil veículos emplacados e faturando 25,4% do mercado nacional.
Mas a Fiat quer mais. Quer tomar do Volkswagen Gol o trono de tradicional líder entre os modelos mais vendidos do país. Não que o Palio nunca tenha alcançado o posto. Em alguns momentos isso aconteceu em 2006. Então, por quê mexer agora? A resposta é que a montadora quer manter o fôlego de vendas do hatch, dando a ele um desenho renovado e alinhado com os próximos lançamentos da marca no país, como o Punto.
E essa semelhança com os primos europeus tem sua lógica. A missão de criar a nova "cara" do Palio ficou a cargo do Centro de Estilo da Fiat, na Itália. As três gerações anteriores do modelo foram desenvolvidas pela Italdesign, do designer Giorgetto Giugiaro. Mas o visual atualizado não é a única novidade do Palio. Ele vem acompanhado do reposicionamento dos catálogos e do pacote de equipamentos, a exemplo do que aconteceu com o novo Ford Fiesta, lançado em janeiro. Assim como o concorrente, o novo Palio chega como linha 2008. As vendas começam nesta primeira quinzena de março.
O trunfo da Fiat em relação à Ford é que a tabela de preços não foi reajustada. Por outro lado, a gama de versões do novo modelo foi reduzida de sete para cinco. Despedem-se a básica EX ( 1.0 Flex, de 3 portas), a topo de linha HLX (1.8 Flex, de 5 portas) e a série ELX "30 anos" (1.0 e 1.4, Flex, ambas de 5 portas). Permanecem a ELX (1.0 e 1.4, Flex, de cinco portas) e a esportiva R (1.8 Flex, de três e cinco portas).
ESTILO
As principais mudanças do Palio se concentraram na carroceria. A parte frontal, que é a que mais desperta a curiosidade do público, em nada lembra a da atual geração. Saem de cena o conjunto ótico, com os faróis recortados e refletores duplos, e a grade cromada e cheia de furinhos; para dar lugar a faróis de contornos mais simples e uma grade maior e saliente, com contornos cromados e vincos que se prolongam capô acima. O estilo lembra a atual identidade visual dos modelos da Audi e Volvo.
As laterais também receberam vincos: mais acentuados, no meio das portas, e mais discretos logo abaixo das janelas e contornando as caixas das rodas. Na traseira, as lanternas verticais foram substituídas por outras de perfil horizontal. Elas também diminuíram de tamanho e ganharam elementos arredondados, mas continuam apoiadas sobre o pára-choque. O vidro traseiro também ficou menor e agora conta com uma moldura ao seu redor. A tampa do porta-malas perdeu a placa, que voltou para o pára-choque, e exibe um chanfro que percorre a base da janela. As mudanças renderam 2 centímetros a mais no comprimento e 0,6 cm, na largura.
O interior, ao contrário do lado externo, sofreu poucas modificações. Além do padrão dos revestimentos e da oferta de equipamentos, a principal novidade fica para o painel de instrumentos, que passa a contar com nova disposição dos instrumentos. Agora, em vez de dois mostradores circulares posicionados nas extremidades – velocímetro, à esquerda, e contagiros, à direita –, medidor de velocidade foi para o centro do quadro, melhorando a visualização. A esquerda está o contagiros e, à direita, o marcador de temperatura do motor, acima do mostrador digital, que engloba o hodômetro e o nível de combustível. A Fiat também mudou o posicionamento dos botões dos faróis auxiliares, que saíram do painel e foram para o lado esquerdo. O comando do desembaçador traseiro também abandonou o painel e está posicionado atrás do volante, na alavanca de acionamento dos faróis.
O pacote de equipamentos de série ficou mais atraente. Agora todas as versões passam a contar com volante com ajuste de altura, encosto de cabeça central no banco traseiro, faróis auxiliares, rodas aro 14 polegadas, porta-óculos, porta-revistas no encosto dos bancos dianteiros e rede no porta-malas. A versão R recebeu rodas aro 15", volante revestido de couro, ajuste de altura do assento do motorista e novo aerofólio sobre o vidro traseiro. A Fiat também passa a disponibilizar na rede de revendas do país três pacotes com itens opcionais: Bluetooth, com tecnologia sem fio para telefone celular, Sport e Emotion.
DESEMPENHO
A parte mecânica do Palio não foi modificada. A linha continua com os mesmos motores flexíveis 1.0 litro de 66 cavalos de potência, 1.4 litro, de 81 cv, e 1.8 litro, de 115 cv. Por isso, ele não traz nenhuma experiência nova ao volante. Durante a avaliação, realizada em um trajeto de cerca de 20 quilômetros asfaltados pela cidade de Natal (RN), que conciliou trechos urbanos e de estrada, o modelo mostrou o mesmo desempenho da geração atual. A impressão é de que a precisão melhorou com a adoção de rodas aro 14 polegadas ( 1.4 e 1.0) e 15" (1.8R). Como de costume, a versão de entrada, demora um pouco para deslanchar até o ponteiro do contagiros ultrapassar a marca dos 3.000 rpm. Já no 1.4, a história é diferente. O carro se mostra mais ágil nas saídas e retomadas de velocidade. O 1.8R, por sua vez, exibe potência de sobra e reage bem aos mais leves toques no pedal do acelerador.
A Fiat garante que o isolamento acústico foi melhorado, mas ele é quase imperceptível. Como todo o percurso disponibilizado para a avaliação era de asfalto de boa qualidade, também não foi possível avaliar a performance do modelo em pisos irregulares, característica presente nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro.
MERCADO
Como parte da estratégia de lançamento, a Fiat manteve os preços sugeridos do Palio. A versão de entrada ELX, equipada com motor 1.0 litro e na configuração de 3 portas, custa a partir de R$ 28.700. Com 5 portas, o valor sobe para R$ 30.260. A versão 1.4 litro, de 5 portas, sai por R$ 31.980, enquanto a 1.8R, de 3 portas, tem tabela fixada em R$ 40.300. A topo de linha 1.8R, de 5 portas, por sua vez, é vendida por R$ 41.850.
De acordo com o fabricante, a opção 1.4, vendido apenas com 5 portas, será responsável por metade das vendas da linha. Agora, resta saber como e quando virão as derivações do Palio, ou seja, a perua, a picape e o sedã.