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 Peugeot 307 Sedan26/07/2006 

 O leão entra na guerra dos sedãs
Texto: Rafaela Borges
Fotos: Divulgação

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Jujuy, Argentina - Para boa parte da população mundial, a principal disputa de 2006 foi a Copa do Mundo. A indústria automobilística brasileira, todavia, foca seus holofotes em outra batalha, a travada no segmento de sedãs médios. No início de agosto, mais um soldado se apresenta: o 307 Sedan. Penúltimo lançamento importante da categoria este ano - falta o Volkswagen Jetta, à venda em setembro -, o carro traz credenciais como origem e família francesa, a Peugeot, e nacionalidade argentina. É produzido na planta da PSA em Buenos Aires, capital do país vizinho. Assim, está isento do pagamento do imposto de importação ao desembarcar no Brasil, fato que o deixa com preço atraente.

A principal arma do 307 Sedan na batalha dos sedãs é a relação custo benefício. Desde a versão de entrada, “Presence” com motor 1.6 bicombustível, ele vem bem equipado, trazendo pacote de segurança e conforto. Avaliamos o veículo equipado com motor 2.0, a opção mais potente, em percurso na província argentina de Jujuy. Ele não chega a ser lento, mas não empolga como o 307 hatch. Entretanto, mostra boa dirigibilidade e conforto, heranças da versão monovolume.

Todavia, desta vez a Peugeot não acertou no estilo. Referência para a indústria neste departamento, a marca francesa foi conservadora na concepção do 307 Sedan. A traseira não tem a ousadia do 407, por exemplo. Ela lembra a de alguns modelos nacionais, já fora de linha. Entretanto, dianteira e interior, que seguem as diretrizes do hatch, suprem a falta de criatividade das demais linhas do sedã.

   

ESTILO
Comecemos pela traseira, que é a principal novidade visual do carro. Um primeiro olhar nos detalhes remete o observador a carros fabricados no Brasil em outras épocas, como o antigo Chevrolet Vectra. Há traços que lembram também o Ford Focus Sedan, ainda fabricado, mas com visual já defasado. A impressão do observador não é a de olhar para um lançamento, e sim para um veículo de geração próxima da aposentadoria. O porta-malas tem tampa quadrada, os faróis contam com formato de um quarto de circunferência, enquanto o pára-choque é proeminente. O toque de modernidade fica por conta da linha cromada na tampa do compartimento de bagagem.

Entretanto, se a traseira peca, dianteira, lateral e interior se redimem, pois seguem as diretrizes do 307 hatch, cuja versão reestilizada chegou ao mercado nacional em maio. O destaque fica por conta da grade do radiador larga, incorporada ao pára-choque. Seu formato lembra o de uma grande boca. Os faróis repuxados se estendem até as laterais do carro. O efeito moderno gerado pelos dois detalhes identifica a nova geração de modelos da Peugeot, entre eles o 407 e o 207 – o substituto do 206 no mercado europeu. As rodas de liga leve de 15 polegadas são itens de série do sedã.

O lançamento da Peugeot conta com 4,48 metros de comprimento, 267 milímetros a mais do que o hatch. Isto contribui para o aumento da capacidade do porta-malas, 506 litros, número que coloca o 307 Sedan em um bom patamar diante da concorrência. O acabamento interno do carro também segue as características do hatch, com materiais cuidadosos desde a versão de entrada, além de boa qualidade do tecido que reveste os bancos e do plástico dos painéis e portas. A versão “Griffe”, topo da linha, usa e abusa de couro e alumínio, o que dá um toque requintado e, ao mesmo tempo, de esportividade ao sedã.

   

Apesar da distância entreeixos de 2,61 metros, uma das menores do segmento, o espaço na cabine é agradável, e deixa confortável a vida de ocupantes dianteiros e traseiros. Itens como freios ABS, airbags, ar-condicionado, vidros elétricos e computador de bordo estão no pacote de equipamentos de série desde a versão “Presence”. A intermediária, “Feline”, vem ainda com ar-condicionado digital "dual zone", que proporciona duas diferentes zonas de temperatura na cabine. A “Griffe” traz todos os itens citados e mais bancos revestidos de couro, rádio com disqueteira para seis CDs e teto solar, ar-condicionado digital.

DESEMPENHO
Avaliamos o 307 “Feline”, com motor 2.0, a gasolina, e câmbio manual de cinco marchas. O propulsor rende 143 cavalos e torque de 20 kgfm a 4.000 rpm. No percurso de cerca de 100 quilômetros entre o aeroporto de Jujuy e o povoado de Purmamarca, região da Argentina marcada por paisagens consideradas patrimônio da humanidade, pudemos avaliar diversos aspectos do novo carro. Seu desempenho, embora não seja tão eficiente como no hatch, não decepciona. Ao pisar no acelerador, percebemos resposta rápida do conjunto mecânico; segundo o fabricante, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos.

As trocas de marchas são feitas de maneira precisa, mas nem tanto quando o motorista efetua reduções. Em altas rotações, o motor também responde rápido, facilitando ultrapassagens em rodovias. Ainda de acordo com a marca francesa, a velocidade máxima do 307 Sedan é 204 km/h. Não pudemos chegar a isso, primeiro porque obedecemos ao limite de velocidade nas rodovias argentinas. E, depois, porque metade do trecho foi feita em região serrana, onde avaliamos a estabilidade e o sistema de suspensão do novo sedã.

   

No quesito estabilidade, a nota é boa; efetuamos curvas fechadas a 90 km/h, e o 307 se manteve com os pneus firmes no chão, sem escapadas perigosas de traseira. A suspensão absorveu de maneira eficiente as irregularidades do piso que, pelo menos naquela região, apresenta condições superiores a de muitas grandes cidades e rodovias brasileiras. Na avaliação de dirigibilidade, o sedã mostrou desempenho parecido com o do hatch; o ajuste de altura do banco do motorista facilita a posição alta no volante, proporcionando boa visibilidade dianteira. Na traseira, esta poderia ser melhor, mas a área envidraçada utiliza espaço mediano.

Para finalizar, a ergonomia também é ponto alto; os comandos dos vidros elétricos apresentam fácil acesso ao motorista, que pode controlar o rádio pelo volante (nas versões topo, que trazem o equipamento de série). Se a escolha priorizar o conforto ou o prazer de dirigir, o sedã da Peugeot pode ser uma boa pedida. Ele herdou estas boas características do hatch, que é o mais moderno de seu segmento.

MERCADO
Expostos os prós e contras do lançamento, vamos agora ao que mais interessa ao consumidor: preço. A versão “Presence”, que vem equipada exclusivamente com motor 1.6 bicombustível, é oferecida a partir de R$ 54,7 mil, e tem como principais concorrentes o Ford Focus, o Renault Mégane e o Toyota Corolla, todos com o propulsor de mesma cilindrada. Já a intermediária, “Feline”, chega por R$ 63,6 mil com câmbio manual e R$ 68,6 mil com automático Tiptronic. A opção utiliza apenas motor 2.0.

   

A “Griffe”, topo da linha 307, vem apenas com câmbio automático seqüencial e motor 2.0. Seu preço sugerido é R$ 75.950. As versões com motor 2.0, dependendo da opção de acabamento, concorrem com Toyota Corolla, Honda Civic, Renault Mégane e Chevrolet Vectra. Podem até disputar clientes com Ford Fusion e o futuro Volkswagen Jetta, apesar de ambos contarem com motores mais fortes.

O 307 Sedan sairá da fábrica Argentina da PSA Peugeot Citroën para abastecer boa parte dos mercados latino-americanos. Além de Brasil, será também exportado para México, Chile, Bolívia, entre outros. O lançamento do carro, na província de Jujuy, reúne desde o último dia 11 de julho toda a imprensa do continente, em grupos separados por países. As vendas do 307 Sedan no mercado nacional começam no dia 24 de agosto, informa a Peugeot.

   


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