Em agosto do ano passado, o Troller T4 passou a integrar o time de utilitários equipados com motor a diesel eletrônico. O propulsor anterior, um MWM 2.8 turbodiesel – que também era usado pela picape Nissan Frontier –, cedeu seu lugar ao novo NGD 3.0 turbodiesel de quatro cilindros e injeção direta de combustível (common rail), fabricado pela International, que comprou a MWM em abril de 2005. Trata-se da mesma motorização eletrônica da picape Ford Ranger, porém, com alguns aprimoramentos para a melhor adaptar-se ao jipe cearense.
A mudança está prevista na nova legislação ambiental Conama 272 (Euro III), que exige redução de emissões de poluentes por veículos movidos a diesel. A chegada do novo motor surpreendeu àqueles que esperavam apenas que o antigo ganhasse componentes eletrônicos para atender às adequações ambientais. O visual robusto, inspirado no Jeep Wrangler, porém continua o mesmo da versão anterior.
DESEMPENHO
Com o novo motor, a potência aumentou de 132 cavalos, a 3.200 rpm, para 163 cv, a 3.800 rpm. O torque, por sua vez, subiu de 34,7 kgfm, a 1.800 rpm, para 38,7 kgfm, disponível agora entre 1.600 e 2.200 giros. De acordo com a Troller, a motorização eletrônica, além de reduzir a emissão de poluentes, proporciona baixo consumo de combustível e menos ruído. O fabricante, no entanto, não divulgou os novos números de desempenho do jipe. Ao herdar o novo propulsor, o T4 também passou a contar com acelerador eletrônico com sistema drive-by-wire, que dispensa o uso de cabos, oferecendo melhor dirigibilidade.
O Carsale teve a oportunidade de avaliar o T4 em São Paulo e em trilhas próximas da cidade. No asfalto, seu comportamento é de um peixe fora da água. A direção tem um pouco de folga, os engates da alavanca de câmbio são duros, assim como os pedais do freio e da embreagem, e, ao manobrar bruscamente, o cotovelo esquerdo esbarra na porta. Sem falar da dificuldade de estacionar um carro com 3,94 metros de comprimento, 1,74 m de largura e 1,88 m de altura, e pouquíssima visão traseira – nesse caso, um sensor de distância cairia bem. Por isso, aqueles que estão acostumados a guiar carros de passeio, vão estranhar a condução do jipe nos primeiros quilômetros. Pelo menos, o porte parrudo do T4 impõe respeito no trânsito.
Na estrada é preciso ter bom senso e paciência. Não adianta acelerar forte que T4 não vai responder como um utilitário esportivo. Curvas também devem ser feitas com moderação, pois apesar de a suspensão integrar componentes que reduzem o balanço lateral, a estabilidade do jipe tem limitações, principalmente, pelo fato de a carroceria ser curta e alta.
Mas, na hora encarar a lama, a história é outra. Pois é longe do asfalto que o T4 está em casa. Diante de percursos de terra, buraqueira, atoleiros e outros obstáculos, o jipe cearense mostra seus verdadeiros atributos; ainda mais agora, com torque maior e oferecido em uma faixa de giro mais ampla. Essa força faz com que ele supere terrenos difíceis com facilidade, transmitindo segurança para quem está ao volante. Para acionar a tração 4x4 basta girar um botão no painel – no modo 4x4 reduzida é preciso girar os cubos das rodas dianteiras.
As características off-road do T4 são de dar inveja a outros modelos, inclusive importados. Ele oferece ângulo de entrada de 56º, de saída de 47º e inclinação lateral de 45º, além de capacidade para atravessar trechos alagados de até 80 centímetros de profundidade (sem snorkel). O jipe conta também com diferencial traseiro autoblocante Track-Lock, que possibilita a transferência de força motora entre as rodas traseiras do veículo, e freios a disco nas quatro rodas.
Por dentro, ele não empolga muito. A posição de dirigir é alta, mas o motorista fica encaixado, com os movimentos limitados até certo ponto. O painel exibe os mesmos botões de levantamento dos vidros do VW Gol antigo e os de ventilação do Ford Ka. O espaço interno acomoda quatro ocupantes com certo conforto, apesar de o banco traseiro vir com encostos de cabeça e cintos de segurança para três passageiros. Já o som é garantido por um CD player Siemens-VDO e alto-falantes instalados nas portas e no teto, atrás do santantônio.
MERCADO
O T4 é vendido a partir de R$ 80.960 e vem equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, acionamento elétrico das travas, retrovisores e vidros, porta-copos, banco traseiro bi-partido, console entre os bancos com porta objetos e porta copos e rodas de alumínio. Mas, mesmo contando com motor mais potente, as vendas do Troller não decolaram. De janeiro a meados de maio, foram vendidas 276 unidades do T4 2006, 76 a menos que o total registrado nos cinco primeiros meses do ano passado.
Entre os potenciais adversários do jipe cearense estão o Mitsubishi Pajero TR4, fabricado em Catalão (GO), e o CL 244, produzido pela Crosslander, em Manaus (AM). A tabela do TR4, com motor 2.0, parte de R$ 74 mil, enquanto do CL 244, com propulsor 2.8, de R$ 63 mil.