Texto: Rafaela Borges
Fotos: Divulgação
Desempenho
Mercado
Ficha técnica
Belo Horizonte (MG) – Durante o lançamento do novo motor 1.4 bicombustível, no primeiro semestre deste ano, o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, prometeu que, até o final de 2005,a empresa teria 80% de sua linha de produtos equipada com sistema “flex”. Naquela época, fontes da marca revelaram que os próximos modelos contemplados com a tecnologia seriam o Stilo e o Doblò. Agora, faltando dois meses para o encerramento do ano, a marca italiana apresenta a versão bicombustível do hatchback que, segundo o fabricante, já está à venda na rede de concessionárias da marca.
O Stilo Flex agora é a versão de entrada do modelo, equipada com o propulsor 1.8 8V lançado em setembro último, com a minivan Idea. Segundo a Fiat, o preço do carro não sofreu alteração, e parte de R$ 48,5 mil. Quanto ao Doblò com tecnologia flexível, Belini diz que o modelo não chegará este ano. Mesmo assim, mantém a afirmação de que 80% de sua linha será bicombustível até o final do ano. E que, nos próximos dois meses, o fabricante lançará dois novos produtos no mercado nacional.
DESEMPENHO
O motor 1.8 8V é baseado na unidade utilizada atualmente na linha Palio, mas ganhou algumas alterações para ficar mais potente. Entre elas está a introdução de coletor de admissão de plástico, que deixa o bloco 1.8 kg mais leve. Além disso, o cabeçote conta com nova geometria da câmara de combustão, e o comando de válvulas é acionado por balancim roletado. Agora, o propulsor rende 112 cavalos com o uso exclusivo de gasolina, 9 cv a mais que na antiga versão de entrada do Stilo. Com 100% de álcool no tanque, a potência sobe para 114 cv.
O torque, de 17,8 kgfm com gasolina e 18,5 kgfm com uso exclusivo de álcool, é alcançado a 2.800 rpm. A taxa de compressão chega a 10,5:1. Segundo a Fiat, os números são suficientes para levar o hatchback de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos, com o derivado do petróleo, e 10,7 segundos com o combustível vegetal. A velocidade máxima é de 188 km/h e 190 km/h, respectivamente para álcool e gasolina. Avaliamos o carro na rodovia BR-040, na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Fiat, os modelos destinados à avaliação estavam abastecidos com os dois combustíveis.
Durante os cerca de 30 quilômetros em que rodamos com o modelo bicombustível, em velocidades inferiores a 120 km/h, – devido à presença de radares – observamos que a aptidão esportiva do Stilo ficou ainda mais vigorosa com a introdução dos cavalos extras. A posição de dirigir é relativamente baixa, apesar da presença de controle de altura elétrico (item opcional) no banco do motorista. Na comparação com o carro 1.8 8V a gasolina, o “flex” conta com arrancada mais forte e chega com facilidade a altas velocidades. A faixa máxima de funcionamento do motor é 6.000 rpm.
A bordo do modelo, a vontade do motorista é acelerar e fazer curvas em velocidade, condição na qual o Stilo continua respondendo com boa estabilidade, apesar de leves balançadas em situações mais extremas. Nada que comprometa a segurança. É uma condução muito mais divertida e jovem do que a do Idea. Enquanto no Stilo, o novo motor 1.8 quer cativar o entusiasta da esportividade, na minivan sua função vocação é distinta, privilegiando o conforto. E o consumo? Segundo a montadora, o carro faz na cidade 12 km/l com gasolina e 8,2 km/l com álcool. Já na estrada, os números sobem respectivamente para 16,3 km/l e 11,2 km/l.
MERCADO
A expectativa da Fiat com o lançamento do Stilo Flex é, não apenas de ampliar a oferta bicombustível da marca, como as vendas do modelo em 20%. Atualmente, são comercializadas no Brasil entre 800 e 900 unidades do hatch por mês. No acumulado do ano, foram vendidos 8.073 modelos, números que o colocam atrás de dois concorrentes: Chevrolet Astra (27.983 carros comercializados) e Ford Focus (12.773). Entretanto, é importante ressaltar que os números de vendas dos dois veículos incluem a versão sedã de ambas as marcas, configuração que o Stilo não dispõe.
Os outros dois representantes do segmento dos hatchs médios estão atrás do Stilo: a Volkswagen vendeu 7.626 unidades do Golf no ano, enquanto foram comercializados 5.995 Peugeot 307. O carro da Fiat é o segundo de sua categoria a ter propulsor bicombustível, depois do Astra. O Golf vai receber a tecnologia no ano que vem, e espera-se que o mesmo aconteça com o Focus. A Peugeot não se manifestou sobre o lançamento de uma versão “flex” para o 307.
Segundo Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat do Brasil, a versão de entrada responde por 60% do total das vendas do modelo. Com o lançamento do bicombustível, a expectativa é que essa participação suba para 80%. Ramos revela ainda que o Stilo Flex consumiu investimento de US$ 14 milhões, valor que inclui desenvolvimento de produto e ações de lançamento. A Fiat continuará oferecendo na linha Stilo os propulsores 1.8 16V e 2.4 20V, ambos a gasolina.
|