Texto: Jairo Morelli
Fotos: Divulgação
Desempenho
Mercado
Ficha técnica
Demorou, mas chegou. Dois anos e sete meses depois do primeiro automóvel bicombustível ser lançado no país (o Volkswagen Gol Total Flex), finalmente, a Citroën resolveu apresentar o seu. O escolhido pela marca francesa para debutar a tecnologia fornecida pela Bosch foi o compacto-premium C3, porém, apenas o modelo equipado com propulsor 1.6i 16V. De acordo com o fabricante, a versão 1.4 também receberá o sistema, entretanto, apenas em meados do primeiro semestre do ano que vem.
Além da possibilidade de rodar com álcool e gasolina no tanque, o carro ganhou a identificação Flex na tampa do porta-malas e a versão GLX passa a trazer o ar-condicionado de série. E é só. Esteticamente o carro continua idêntico. O novo bicombustível, fabricado na unidade de Porto Real (RJ), chega em apenas duas versões de acabamento: a de entrada GLX, que parte dos R$ 41.650 e a topo de linha Exclusive, que sai por R$ 45.200.
DESEMPENHO
Durante a avaliação, em percurso rodoviário de aproximadamente 40 quilômetros, deu para perceber que o novo bicombustível da Citroën, quando abastecido apenas com álcool, ficou levemente mais ágil do que a versão movida apenas à gasolina. De acordo com números da empresa, o modelo manteve os 110 cavalos de potência a 5.600 rpm, com o derivado do petróleo no tanque, e passou a contar com 113 cv, também a 5.600 rpm, rodando com o combustível renovável. Já o torque máximo é de 14,5 kgfm a 4.000 rpm, com gasolina, e de 15,8 kgfm, com álcool. Os 100 km/h são conquistados em 9,8 segundos, com gasolina, e em 9,6 segundos, com álcool.
Além do remapeamento da central de gerenciamento do motor, o carro recebeu sistemas de injeção e ignição da Bosch, fabricados nacionalmente, assim como velas, bicos injetores e rampa de injeção. Fora isso, o modelo ganhou calculador, pistões e cabeçote com tratamento para resistir ao combustível renovável, bomba de combustível recalibrada para trabalhar com a maior pressão do álcool (de 3,5 bar para 4 bar), além do reservatório de partida a frio instalado no vão do motor e acionado em temperaturas abaixo dos 14 graus (acima desta temperatura, o motor entra em ciclo Otto com o próprio álcool). O ponto interessante fica por conta da manutenção da taxa de compressão em 11:1.
De acordo com o fabricante, que não divulga números de consumo, as alterações realizadas deixaram o modelo mais econômico. O consumo de gasolina baixou frente à versão anterior e, com o derivado da cana-de-açúcar, o carro gasta algo entre 30% e 40% mais. A manutenção das principais qualidades como, por exemplo, a direção elétrica, que pode ser regulada em profundidade e altura, além do acerto mecânico da suspensão, garante excelente dirigibilidade, estabilidade e conforto a bordo do C3. O ponto negativo ainda fica por conta do acionamento elétrico dos vidros por meio de botões localizados entre os assentos, mas que poderiam ser instalados nas portas.
MERCADO
Lançado em junho de 2003, o C3 acumulou, entre janeiro e setembro deste ano, 8.091 unidades emplacadas, resultado 43% superior ao consolidado em igual período de 2004 (5.660 unidades). Apesar da introdução da tecnologia Flex, não será agora que o carro passará a contar com transmissão automática. De acordo com executivos da empresa, apesar do modelo europeu já contar com a opção, o rebento nacional não deverá contar com o câmbio automático tão cedo. “Existe a possibilidade, porém o custo é o grande problema”, afirmou Filipe Pereira, gerente de Marketing, Produto e Estudo de Mercado da Citroën do Brasil.
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