Americana (SP) - Se você é um daqueles apaixonados por jipões de luxo e tem uma conta bancária recheada para saciar essa paixão, já pode começar a comemorar. É que acaba de chegar ao mercado brasileiro o Land Rover Discovery 3, modelo que foi apresentado pela primeira vez no Salão de Nova York (EUA) do ano passado. De acordo com o fabricante, inicialmente, o modelo será comercializado por aqui com apenas uma opção de motorização: V8 4.4 de 299 cavalos de potência. Mas a partir do meio do ano desembarcam por aqui mais dois propulsores V6, um a gasolina e outro a diesel.
Tudo no Discovery 3 impressiona. Além da cara de mau, a sofisticada tecnologia empregada no veículo - que permite sua rodagem nos mais diferentes tipos de pisos e situações - deixa clara sua vocação para enfrentar caminhos tortuosos. Apesar de se tratar de um modelo para uso off-road, o carro também impressiona pelo conforto nas mais variadas situações. A grande questão fica por conta da coragem do proprietário em colocar na lama um modelo cujo preço fica em R$ 262 mil.
ESTILO
A terceira geração do utilitário esportivo vem com linhas que seguem o estilo tradicional do modelo, para não descaracterizá-lo, mas agora está mais sofisticada. O carro ganhou faróis adaptativos com lâmpadas de xenônio nos fachos alto e baixo, que se movem para iluminar melhor as curvas, assim como em modelos de luxo, como BMW Série 5 e Audi A8, por exemplo. Entretanto, não é apenas o grupo ótico que é novo. A frente foi totalmente redesenhada, ganhando formas mais arredondadas. O pára-choque pronunciado inspira robustez e ainda leva um par de faróis auxiliares, entradas de ar e proteção plástica para a parte inferior do radiador.
Na traseira, as lanternas não estão mais nas colunas, mas vêm com piscas em posição elevada e luzes de neblina incorporadas. E as abas dos pára-lamas estão protegidas por frisos. Outra novidade fica por conta da tampa do porta-malas bipartida e que abre na vertical e não mais na horizontal, o que facilita as operações de carga e descarga. Com isso, o estepe foi deslocado para dentro do carro. Os vidros são escurecidos mas o ambiente é iluminado pelos três tetos-solares.
O interior também foi renovado. Há espaço para até sete ocupantes, confortavelmente instalados em bancos de couro, que podem ser dobrados e embutidos no assoalho. O modelo conta ainda com sistema de navegação por satélite, porém, não operante no Brasil. O volante multifunção agrega os principais comandos do sistema de som e do controle de velocidade de cruzeiro ("piloto automático"). Outro destaque fica por conta do sistema de ar-condicionado, que permite o controle independente da climatização em cada uma das três fileiras de assentos.
DESEMPENHO
Impossível um carro com tantos atributos não fazer bonito na pista. Durante a avaliação em pista off-road e on-road - montadas na pista de testes da Goodyear, em Americana, interior de São Paulo -, pudemos conferir algumas das qualidades do veículo. O terreno escolhido para iniciar o teste foi o off-road. A intenção era verificar se o modelo daria conta do recado em seu "habitat" natural. Ao sentar a bordo do Discovery 3, a quantidade de botões presentes chega a confundir o motorista. É impossível sair dirigindo o novo jipão sem receber explicações técnicas, ou antes de ler o manual de instruções.
Após algumas informações sobre o carro saímos em direção ao trecho off-road. Na primeira acelerada já deu para perceber a força do modelo. De acordo com números do fabricante, são 299 cavalos de potência a e torque máximo de 43,3 kgfm a 4.000 rpm. A velocidade máxima é de 230 km/h e os 100 km/h são conquistados em satisfatórios 7,5 segundos, graças à boa relação peso potência, já que o carro vem com vários componentes de alumínio. Além disso, há que se considerar o trabalho da nova transmissão seqüencial de seis marchas.
Apesar da pista off-road não trazer trechos para testar o limite do novo modelo da marca inglesa, pelo menos deu para verificar cada uma das soluções tecnológicas desenvolvidas. No trajeto foram colocados cinco diferentes tipos de pisos para testar o sistema "Terrain Response" - sistema eletrônico que reconhece o tipo de superfície por onde o veículo está trafegando e, por meio de botão situado atrás do câmbio, permite ao condutor selecionar a opção que melhor se encaixa ao terreno. Ao total são cinco diferentes opções: modo de condução geral, para neve/grama e mais três modos especiais off-road (lama, pedra e areia).
Pela suavidade dos obstáculos oferecidos ficou difícil perceber as diferentes configurações oferecidas pelo sistema. Entretanto, o carro conta ainda com outro recurso, este fácil de ser percebido, que permite elevar e abaixar a suspensão, de acordo com a necessidade. Na opção "crawl", o veículo pode ser rebaixado em até 55 milímetros. O sistema também permite elevar a suspensão em alguns milímetros, facilitando a passagem pelos mais variados obstáculos, além de ajudar na entrada do habitáculo e no estacionamento em garagens de altura reduzida.
Outro sistema interessante do carro é o HDC (Hill Descent Control), um controle de descidas que, ao ser acionado, calcula eletronicamente a necessidade de frenagem em todo o tipo de descida sem a necessidade do acionamento do pedal do freio. Além de contar com controle de tração nas quatro rodas, o modelo traz ainda a tradicional reduzida. Uma vez acionada, permite transpor qualquer obstáculo. Vale destacar que todos estes comandos ficam situados ao entre os dois assentos dianteiros, o que facilita o acionamento de cada um deles.
A falta de ladeiras e descidas no percurso, porém, dificultou a avaliação dos ângulos de entra e saída do carro, além do vão central. Entretanto, segundo números do fabricante, o de entrada é de 37,2º, o de saída 29,6º e o vão central de 27,9º. E para incrementar a capacidade de transposição de áreas alagadas, a altura da admissão de ar para o motor também foi elevada, permitindo agora vencer até 60 centímetros de profundidade.
Já na pista on-road foi possível avaliar o sistema "Active Roll Mitigation" (ARM), que realiza correções de rota automaticamente, por meio da utilização dos sistemas de freio. Em bom português, o carro detecta a necessidade de frenagem para cada uma das rodas independentemente, corrigindo a direção e mantendo a estabilidade em curvas e em pisos molhados, quando há necessidade. Os freios são a discos ventilados na dianteira e traseira. O carro ainda traz ABS, EBD, EBA (Assistência à Frenagem de Emergência) e CBC (Controle de Frenagem em Curvas). Tudo isso para honrar o peso da tradição da marca.
MERCADO
De acordo com a companhia, Brasil é a grande aposta mundial da Land Rover. No ano passado, o mercado nacional registrou um dos maiores índices de crescimento da marca no mundo. Com 1.724 unidades vendidas, o volume foi 46% superior ao consolidado em 2003, sendo o Freelander o grande responsável pelo desempenho.
Apesar do preço um pouco salgado, a empresa projeta para este a ano a comercialização de 500 unidades do Discovery 3, em segmento que deve totalizar vendas de 2.500 unidades. O jipão de luxo chega para concorrer com modelos como BMW X5, e Pajero Full, situados em faixa de preço entre R$ 180 mil e R$ 262 mil.