BUENOS AIRES - Formas arredondas, linhas modernas, novos motores a diesel "common-rail" e câmbio automático. Estes são alguns dos muitos atributos da nova geração da Hilux, produto que representa o primeiro passo na ofensiva da Toyota para conquistar 10% de participação nas vendas de veículos no Mercosul até 2010. A picape foi apresentada à imprensa especializada na última terça-feira, em Pilar (Argentina), cidade próxima a Zárate, onde está instalada sua linha de produção. As vendas nas concessionárias Toyota de todo o Brasil começam no próximo dia 5.
A nova geração da Hilux foi um segredo guardado a sete chaves pela marca japonesa até o dia de sua apresentação. Além do visual renovado, o utilitário da Toyota está maior do que seu predecessor, tem acabamento mais caprichado e oferece conforto aos ocupantes. Para o vice-presidente da Toyota Mercosul, Luiz Carlos Andrade Jr., esses novos atributos permitem à marca fazer uma previsão bem otimista para a Hilux: crescimento de 133% nas vendas. Avaliamos a picape em um circuito misto, que reuniu uma rodovia e um pequeno trecho off-road.
ESTILO
A Toyota considera a aparência externa da Hilux "uma revolução total". E não é que a picape mudou radicalmente mesmo? A dianteira ganhou linhas inteiramente novas e arredondadas, que contribuem com o visual mais imponente. A grade do radiador foi redesenhada e incorporou barra de divisão com o logo da Toyota no meio. O pára-choque é proeminente e traz a entrada de ar e os faróis de neblina integrados. O resultado final agrada pela aparência bem mais moderna que a geração anterior da picape. Na parte traseira, os destaques ficam por conta do vinco lateral e sos pára-lamas proeminentes, que deixam inspiram robustez.
A cabine impressiona pelo bom acabamento, com predominância de tecido e utilização de couro (nas versões topo da linha). Outro destaque fica por conta do novo desenho do painel de instrumentos, formado por três mostradores circulares. Todas as versões vêm equipadas com ar-condicionado, direção hidráulica com regulagem de altura, abertura do tanque de combustível no interior do veículo e relógio. Além disso, há vários porta-objetos, que inclui porta-copos para todos os ocupantes. As versões mais caras da linha contam ainda com sistema de áudio com CD, MP3 e toca-fitas, airbags dianteiros e freios ABS nas quatro rodas.
A segurança foi aprimorada com a incorporação do Sistema de Carroceria Deformável (GOA). Segundo a Toyota, a tecnologia permite efetivar a absorção de energia em impactos, o que minimiza os danos aos passageiros sem sacrificar a solidez estrutural do veículo. A nova plataforma deixou a Hilux com dimensões superiores as de seu predecessor: o comprimento ganhou 50 centímetros (5,25 metros) e a largura 13,5 cm (1,76 m). A largura e a distância entreeixos são as mesmas, respectivamente 1,81 metros e 3,08 m, mas a capacidade da caçamba aumentou e ficou com 1.025 kg. O peso total é 2.840 kg e as rodas de 15 polegadas estão montadas em pneus 255/70. Todas as medidas são da versão topo da linha, SRV cabine dupla.
DESEMPENHO
Avaliamos a versão topo da linha da Hilux, a SRV cabine dupla, equipada com sistema de tração 4x4 e motor eletrônico D4 - D 3.0 16V Turbo TGV, com injeção direta de diesel "common-rail". O propulsor rende 163 cavalos e 35 kgfm de torque entre 1.400 rpm e 3.200 rpm, mas a Toyota não divulgou seus números de desempenho. A primeira versão testada, com o novo câmbio automático de quatro marchas, mostrou força na rodovia que liga a cidade de Pilar a Buenos Aires. Mas o barulho na cabine ficou muito alto e incômodo a partir dos 120 km/h. Uma decepção, pois um dos objetivos do motor "common-rail", além de diminuir o consumo de combustível e as emissões de poluentes, é reduzir o nível de ruído.
Antes de entrar no circuito fora-de-estrada acionamos a tração 4x4 da picape por meio da pequena alavanca, ao lado da principal. Embora rústico e de engate um tanto difícil, esse sistema de engate da tração integral é considerado mais robusto que o automático, cujo acionamento é feito por meio de um botão no painel. Embora a Hilux tenha mostrado boa estabilidade, ficou devendo uma suspensão que absorve melhor as irregularidades do piso. Mesmo com a nova suspensão dianteira, o carro pulou bastante durante o teste, comprometendo o conforto dos ocupantes, principalmente de quem vai sentado no banco traseiro.
Avaliamos também a versão equipada com câmbio manual de cinco marchas. No trecho de terra, o desempenho do novo utilitário foi equivalente ao da versão automática. Mas, no asfalto, a Hilux manual mostrou mais disposição, com acelerações mais rápidas e desenvolvendo mais velocidade. O nível de ruído também diminuiu. Entretanto, o câmbio é longo e os engates poderiam ser mais precisos. Um ponto positivo é o freio de estacionamento, deslocado da parte de baixo do painel para o vão entre os bancos, como nos carros de passeio. A Toyota garante que o consumo de combustível do novo motor também foi reduzido, mas não divulga os números. A nova Hilux também está disponível com motor 2.5, de 102 cavalos, com opção de sistema de tração 4x2.
MERCADO
A nova Hilux chega às concessionárias da Toyota de todo o Brasil no próximo dia 5 em dez versões, que combinam cabine simples ou dupla, tração 4x2 ou 4x4, motor 2.5 ou 3.0 e câmbio manual ou automático. A opção de entrada, Cabine Simples, 4x2, tem preço sugerido de R$ 65.018. A topo da linha, Cabine Dupla, 4x4, SRV, automática, custa a partir de R$ 101.736. Há ainda a versão Cabine Simples, 4x4, Chassi, que conta apenas com cabine e chassi, sem caçamba. A novidade da linha Hilux tem preço sugerido de R$ 66.985. "A picape é destinada principalmente a prestadores de serviços, como eletricistas", diz Luiz Carlos Andrade Jr.
A picape da Toyota é a primeira com motor "common-rail" a ser vendida em nosso mercado. A Ford já apresentou sua Ranger com injeção direta de diesel; entretanto, o veículo da marca norte-americana estará à venda apenas em abril. Até julho de 2005, quando entra de vigor a legislação Conama 272 (Euro III), que exige a redução de emissões de poluentes por veículos a diesel, Chevrolet S10, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier também devem ganhar nova motorização. No ano passado, a Hilux ocupou a posição de lanterna em seu segmento, com 6.369 unidades comercializadas.
Com a nova geração, a Toyota está otimista: pretende vender 26 mil picapes no Mercosul, 16 mil apenas no Brasil, o que representaria crescimento de 133%. "Acreditamos que temos um produto pronto para ocupar a liderança do segmento", diz Andrade. Para abrigar a linha de montagem da Hilux, a Toyota investiu US$ 200 milhões na planta de Zárate. A expectativa é aumentar a produção anual para 45 mil unidades, ante 19.300 em 2004. Além de Brasil e Argentina, a picape também será destinada aos mercados do México e do Caribe. E, ainda em 2004, a marca japonesa inicia a fabricação do jipão da família IMV, o Fortuner, em Zárate. O veículo chega ao Brasil no segundo semestre.
* A repórter viajou a convite da Toyota do Brasil