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 Nissan 350Z25/10/2004 

 Japonês faixa preta
Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Jairo Morelli

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  Desempenho
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Quem acompanhou os lançamentos desse ano sabe que o Nissan 350Z não chega a ser novidade. O carro foi apresentado à imprensa em junho, sem a presença dos sites. Apenas agora tivemos contato com o carro. Mas a espera valeu a pena. Pudemos fazer uma avaliação completa durante três dias seguidos. Andamos pelas ruas de São Paulo e entramos na estrada rumo ao interior. O saldo foi positivo, mas com algumas ressalvas, típicas de esportivos com fome de asfalto, como esse cupê japonês faixa preta.

Herdeiro de uma linhagem que leva a letra "Z" cravada na carroceria, o 350Z honra sua nobreza e mantém vivo o espírito do Datsun 240Z, modelo lançado em 1969 e que iniciou a tradição da Nissan entre os esportivos. Sucessor do sofisticado 300 ZX, modelo que fez sucesso nos anos 90, o novo cupê da marca japonesa mostra que não nega fogo antes mesmo de começar a se mover. Basta dar a partida para ouvir o ronco forte do motor V6, que chega a balançar a carroceria com o câmbio em ponto morto.

DESEMPENHO
Mas antes de girar a chave é preciso pisar na embreagem, feita para quem não se incomoda em fazer força, sinal de que o carro tem torque de sobra e que foi feito para quem já está preparado para esse esforço. Dada a partida, já é possível atar o cinto de segurança e regular os espelhos retrovisores, para depois engatar a primeira. O engate é justo e oferece certa resistência, o que é comum nos esportivos cheios de disposição. O carro começa a andar, mas para sair da garagem é preciso cautela para que a parte de baixo não raspe no chão. Esse cuidado também vale para lombadas e valetas em geral.

   

Para quem gosta de precisão ao volante, o 350Z deve agradar em cheio. Já começa pelo contagiros, que além de grande e bem no centro da instrumentação, ainda vem com luz para indicar o momento em que a marcha deve ser trocada. E tem mais. É possível regular qual será a rotação da troca por meio do computador de bordo. Nada mal. O bom conjunto continua com a suspensão que mantém o carro firme nas curvas e com o câmbio com relações de marchas curtas. Para conter o ímpeto esportivo do carro os freios a disco nas quatro rodas têm pinças Brembo, marca conhecida pelas equipes de competição, inclusive da Fórmula 1.

Caminho livre pela frente. É hora de acelerar. O arranque inicial não chega a ser um estouro, mas é suficiente para colar as costas no encosto do banco. O ponteiro do contagiros vai às alturas com a mesma rapidez com que a adrenalina chega ao coração. Primeira, segunda, terceira e o velocímetro já indica 100 km/h. Ainda há três marchas para serem engatadas e o limite do carro ainda está longe de ser atingido. Pena que não estamos num autódromo. Mas deu para pisar mais um pouco no acelerador e sentir do que esse "samurai" é capaz.

O V6 3.5 rende 280 cavalos e 37 kgfm a 4.800 rpm, rotação alta. Mas, com o sistema de comandos de válvulas variáveis, há bom nível força desde as primeiras marcações do contagiros. Graças a isso, nas ultrapassagens, não é preciso reduzir as marchas constantemente. Claro que o melhor rendimento fica entre o regime de torque máximo (4.800 rpm) e 6.200 rpm, rotação de potência máxima, embora a faixa vermelha do contagiros comece nos 6.500 rpm. De qualquer maneira, o 350Z mostrou que é bom de fôlego, apesar de ter menos potência que o 300 ZX que o substituiu: o antecessor do 350Z vinha com motor 3.0 biturbo de 300 cv.

   

Além da boa disposição, o cupê japonês transmitiu segurança nas frenagens e firmeza nas curvas, mesmo as mais fechadas e abusando um pouco no acelerador. Isso, com o controle de tração ligado. Sem ele, o carro tem que ser segurado no "braço", mas sem sustos. Nas acelerações mais vigorosas e sem a ajuda da eletrônica, a tendência é a traseira escapar um pouco, mas nada que um leve movimento no volante não resolva. Em contrapartida, por causa da suspensão rígida, as irregularidades do piso acabam gerando solavancos, o que é perdoável num legítimo esportivo. Segundo a Nissan o 350Z acelera de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos e atinge 250 km/h, velocidade limitada eletronicamente.

ESTILO
O visual arrojado chama bastante a atenção de curiosos. Definitivamente, o 350Z não foi feito para quem procura discrição. Foi comum roubar olhares atentos no trânsito. As linhas que dão idéia de velocidade e sofisticação são chamativas, mas o fato de ser um modelo raro também contribuiu com esse assédio. Até o fim do ano, a Nissan pretende vender 40 unidades do 350Z, o que representa 39% do segmento no Brasil. Bom, mas isso não tira o mérito a equipe de desenhistas que trabalham nos estúdios da Nissan no Japão e Estados Unidos. Pelo contrário, o carro consegue transmitir a agressividade necessária e ter aerodinâmica eficiente (Cx 0,29) . Detalhes estéticos dignos de um concurso de design é o que não faltam.

O par de faróis que invadem parte do capô é um deles. Outro fica por conta da maçaneta de metal escovado, que combina com a porta sem coluna. O centro do capô é acompanhado por dois vincos e é saliente para dar espaço à parte superior do V6 3.5. Não há grade dianteira, substituída pela larga abertura de ar no pára-choque envolvente, que ainda comporta duas entradas laterais para refrigerar os freios. O "Z" desse esportivo da Nissan fica nos pára-lamas, logo acima dos repetidores de direção, sinal de bravura que fica em harmonia com as rodas de aro 18 montadas em pneus 225/45ZR18 na frente e 245/45ZR18 atrás.

   

Há espaço apenas para duas pessoas, mas os bancos são de couro e vêm com ajustes elétricos e largos apoios laterais. Faltou regulagem de altura e profundidade do volante, de três raios e com os comandos do controlador de velocidade de cruzeiro ("piloto automático"). Não há do que reclamar da instrumentação, que inclui até voltímetro e manômetro de óleo. Os comandos são todos fáceis de serem acionados e estão bem localizados. O carro vem com vários porta-objetos, mas há quem possa sentir falta de um porta-luvas espaçoso. No lugar dele, na frente do banco do passageiro, fica apenas um porta-copos escamoteável.

O sistema de som Bose, com disqueteira de seis discos embutida no painel também merece elogios. São 240 watts de potência, sendo sete alto-falantes no total: dois nas portas, dois traseiros, dois tweeters e woofer de 25 centímetros. Ah, quem ainda curte músicas em fita K7 também tem vez no 350Z. Entre os itens de segurança, estão incluídos air bags de proteção frontais e laterais, para motorista e passageiro. Detalhes, como o limpador de pára-brisa com função intermitente variável, agradam. Mas, como todo bom esportivo, falta espaço no porta-malas. São apenas 192 litros, quase o mesmo do pequeno Ford Ka (186 litros).

MERCADO
Com preço sugerido de R$ 228 mil, o Nissan 350Z vendido no Brasil já vem com vários itens de série, como ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, travas e espelhos elétricos, bancos de couro com aquecimento, rodas de aro 18, faróis com lâmpadas de xenônio no facho baixo, computador de bordo, vidros laterais verdes com fltro UV, cintos de segurança com pré-tensionadores, entre outros equipamentos.

Os proprietários do Nissan 350Z no Brasil poderão personalizar seus veículos com acessórios originais da NISMO (Nissan Motorsport International), uma divisão da Nissan responsável pelo desenvolvimento de equipamentos esportivos especialmente projetados para melhorar a performance de veículos. Todos os acessórios serão disponibilizados por encomenda através da rede de concessionárias Nissan, com prazo médio de entrega de 90 dias.

   


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