BRAGANÇA PAULISTA (SP) - A Citroën agora tem mais um monovolume no Brasil, o C8. O modelo - fabricado na unidade da Sevelnord na região de Valenciennes, norte da França - terá como principal rival a Chrysler Grand Caravan (R$ 145.700). Apesar de luxuosa, a van mostrou que o motor 2.0 (o mesmo do Xsara Picasso) não rendeu o suficiente para garantir agilidade.
Quanto a possível chegada do motor V6, que equipa o modelo europeu, o presidente da Citroën do Brasil, Sergio Habib, afirmou ser inviável. "Com este motor o C8 passaria a custar aproximadamente R$ 190.000 e competiria com modelos Mercedes-Benz, Volvo e BMW. Nossa intenção, na verdade, é aproveitar este nicho que está meio esquecido pelos fabricantes", disse Habib.
ESTILO
A van, além de sofisticada internamente, também chama a atenção por fora. São 4,72 metros de comprimento, 2,19 metros de largura e 1,75 metro de altura, envolvidos por uma carroceria harmoniosa e robusta. Na dianteira, os destaques ficam por conta do grande pára-brisa (com 2,2 metros de área), e do capô, com forma abaulada, que realça os faróis de lentes lisas e transparentes. A grade central, além de ampla, traz incorporado o símbolo da marca.
Nas laterais o destaque fica por conta da grande área envidraçada, que aliada à linha ascendente (do farol dianteiro até traseira), cria a sensação de uma carroceria bem alongada. As laterais são realçadas pelas maçanetas cromadas e pelos repetidores instalados na capa dos retrovisores externos. O aspecto de van é reforçado pelas colunas dianteiras, que criam uma ruptura entre o pára-brisa curvo e o capô, e pelas rodas de liga leve de 7 raios. Na traseira, as lanternas verticais elevadas, parecidas com as do C5 Break, transmitem maior sensação de segurança.
CONFORTO
No interior ficam guardados os principais segredos e as principais qualidades do C8. Além das portas deslizantes (que facilitam a entrada no veículo e são acionadas eletricamente) e do amplo espaço, com capacidade para até sete passageiros, o monovolume traz equipamentos e soluções de última geração.
Os assentos dianteiros são giratórios, permitindo que os dois passageiros da frente se virem para trás, e suas configurações tem ajuste elétrico. Além disso, o assento do motorista vem com sistema de memória, que permite a gravação de três diferentes posições. Os bancos traseiros são posicionados sobre trilhos e podem ser deslizados para frente e para trás. E os dois últimos assentos podem ser retirados, aumentando o espaço do porta-malas de 480 litros para 1.600 litros.
O painel de instrumentos é centralizado e composto por três semi-esferas (formados por velocímetro, conta-giros e indicador de combustível), que permitem que todos os ocupantes tenham acesso as informações do veículo. Logo abaixo está localizado o mostrador, onde são estampadas todas as informações do computador de bordo. O volante tem regulagem de altura e profundidade, além de um mostrador multifunções, situado mais atrás, com informações sobre manutenção, nível do óleo, da marcha engatada e hodômetro. Outro ponto forte fica por conta do sistema de ar-condicionado, que pode ser comandado, eletronicamente e independentemente, em quatro saídas.
De série o C8 oferece câmbio automático auto-adaptativo seqüencial, piloto automático, computador de bordo, detector de obstáculos traseiros, faróis com regulagem de altura e acendimento automático, sensor de chuva, vidros com fechamento automático em caso de chuva, porta-luvas refrigerado, revestimento interno Alcântara, rádio/CD player com comando na coluna de direção e um sistema de climatização formado por sete difusores de ar na dianteira e mais quatro na traseira para dividir o fluxo de ar de maneira homogênea.
DESEMPENHO
Apesar de todo o requinte e conforto, o desempenho da nova van francesa, avaliada em percurso rodoviário, deixou a desejar. Constatação fácil de se prever, antes mesmo de dirigir o veículo, devido ao grande peso do modelo (400 kg a mais que o Xsara Picasso), que vem com motor 2.0 litros e 138 cavalos e 20,0 kgfm de torque a 4.100 rpm, o que resulta em uma relação peso/potência de 12,1 kg/cv, ante 9,25 kg/cv da Grand Caravan.
A suspensão poderia absorver melhor as irregularidades do piso, mas não causou desconforto e garantiu estabilidade nas curvas, uma das qualidades típicas da marca francesa. Ao volante do C8, a boa visibilidade ajuda nas manobras. O único problema fica por conta da tela que cobre a entrada de sol do teto-solar, que permite a entrada dos raios solares com facilidade, castigando o motorista. Ponto positivo também para a localização dos comandos no painel. O monovolume desenvolve velocidade máxima de 192 km/h e faz de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos, de acordo com dados do fabricante.
MERCADO
A nova van já está nas revendas da marca por R$ 135.000. Se a escolha for por incluir os três tetos solares e o comando elétrico dos bancos dianteiros o preço sobe R$ 7.200 (R$ 4.000 e R$ 3.200, respectivamente). De acordo com Sergio Habib, a expectativa com a nova van é de totalizar vendas anuais de cerca de 300 unidades. Caso a meta do presidente da Citroën seja atingida, a montadora conquistará a liderança do segmento, que hoje responde com apenas 45 unidades comercializadas por mês.
Apesar do otimismo com seu mais novo lançamento, Habib afirmou não acreditar em crescimento das vendas internas este ano. Segundo ele, o mercado deverá absorver algo em torno de 1.400.000 unidades em 2004.