Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação
Depois de um ano de sucesso no mercado norte-americano, o PT Cruiser chega ao Brasil na versão Limited equipada com motor 2.0. O carro chama atenção pelo visual arrojado, com traços dos modelos dos anos 40 e 50. Mas aos que esperam um desempenho à altura do estilo agressivo, o propulsor nega fogo. O modelo, trazido pela DaimlerChrysler do Brasil, não tem o fôlego do PT Cruiser 2.4 trazido por importadores independentes (e avaliado por Carsale com exclusividade no começo do ano).
São poucos os que não desviam o olhar para conferir as linhas traçadas pelo desenhista Brian Nesbitt. O estilo retrô, tanto por dentro quanto por fora, confere um desenho inconfundível ao modelo. Da enorme grade dianteira ao grupo ótico pouco convencional, passando pelos pára-choques salientes, tudo chama a atenção. Para completar, a Chrysler não economizou nos cromados, presentes nas maçanetas das portas e nas rodas de aro 16 montadas em pneus 205/55R16.
No interior, nota-se um ambiente confortável, embora a disposição dos instrumentos seja pouco convencional em alguns casos. Não agrada a posição dos botões de acionamento dos vidros, na parte superior no painel, bem como a regulagem dos retrovisores (ao lado da coluna de direção) e o ajuste de altura dos faróis (embaixo do aparelho de som). Já a instrumentação é completa e conta até com bússola eletrônica e marcador de temperatura externa.
Merecem destaque o espaço interno e as 26 configurações diferentes dos assentos. É possível apenas rebater o encosto do banco traseiro (bipatido em 65% e 35%), ou até retirar os bancos a fim de abrir espaço para carga. Uma vez retirados, os bancos podem ser dobrados e carregados com ajuda de uma alça e de pequenas rodas, como uma mala de viagem. Outra boa solução é a possibilidade de transformar a cobertura interna do porta-malas em uma pequena mesa.
Na hora de acelerar o PT Cruiser deixa clara a proposta de ser uma carro versátil e confortável, longe de satisfazer os anseios dos que gostam de ter potência de sobra sob o capô. O motor 2.0 de 16 válvulas gera 141 cavalos a 5.700 rpm e 19,2 kgfm de torque a 4.150 rpm. Trata-se do mesmo propulsor do sedã Neon, acrescido de mais um comando de válvula, suficiente apenas para manter um desempenho razoável. Para agravar a situação, o câmbio automático de quatro marchas não conseguiu manter o motor na faixa ideal de utilização (de 4.150 rpm a 5.700 rpm) a maior parte do tempo, obrigando o motorista a pisar fundo no acelerador para provocar reduções de marcha.
Durante a avaliação feita entre São Paulo e Itu (SP), o nível de ruído incomodou durante as ultrapassagens. As retomadas de velocidade exigiram mais tempo do que o ideal, principalmente em aclives. Mas o PT Cruiser também apresentou virtudes. Apesar da altura, ele mostrou-se estável, mesmo em curvas fechadas contornadas em velocidade acima da média. Os freios a disco nas quatro rodas, com sistema antitravamento (ABS), também funcionaram com eficiência.
Com produção limitada a 200 mil unidades por ano, o PT Cruiser tem apresentado mais demanda do que oferta no mundo inteiro. Por aqui, as primeiras 160 unidades trazidas durante o ano já estão chegando às lojas. É um volume bem pequeno, por isso ele só será distribuído para as principais das 26 concessionárias da Chrysler no país.
O preço sugerido é de R$ 73.900,00, o que o torna um modelo bem mais caro que o VW New Beetle (R$ 63.353,57), por exemplo. Em comum, os dois modeles têm visual diferenciado e devem ser usados mais para passeios de fim de semana do que para o uso cotidiano.
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