“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. Não é à toa que a frase do teórico da Administração Peter Drucker está exposta em um dos painéis do Centro de Design da General Motors do Brasil, e serve de inspiração para os designers que trabalham nos novos projetos da empresa. Em meio à maior crise financeira de sua matriz, a GM do Brasil exerce papel fundamental na reconstrução da marca Chevrolet, para a qual o País é o segundo mercado mais importante do mundo.
“Temos pela primeira vez a capacidade de desenvolver um projeto do começo ao fim”, declarou Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil, durante a inauguração das novas instalações do Centro Tecnológico (CT), em São Caetano do Sul, realizada na última quarta-feira (2). A área construída do CT passou de 19.211,00 m2 para 30.169,00 m2.
Ardila aproveitou a ocasião para revelar o Agile, primeiro veículo derivado da plataforma Viva, que dará origem a novos compactos nos próximos dois anos. O Agile, totalmente desenvolvido no Brasil, será produzido na fábrica da GM de Rosário, na Argentina, e chega às lojas em outubro deste ano. Em 2012, começam a chegar ao mercado os carros da família Ônix, outra plataforma da GM que receberá R$ 2 bilhões de investimento, volume que inclui a expansão da fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul. “Vamos renovar toda a linha de produtos até 2012”, garantiu o presidente. Mais do que na hora.
Papel, tela e realidade
A demanda global por novos produtos levou a GM a quase triplicar seu Centro de Design em São Caetano do Sul, um dos dez espalhados pelo mundo. Agora são 7.148,00 m2 de área construída e a equipe de profissionais passará de 79 funcionários para 190.
Durante a inauguração do novo espaço, tivemos a oportunidade de conhecer uma parte dos estúdios, em uma ação inédita da GM. É lá que nascem as primeiras ideias e o fascinante trabalho de criação de um automóvel. As paredes estavam forradas de sketches (esboços) do Agile, veículo que já é um passado distante da equipe de Design: hoje os profissionais já trabalham nos carros de 2012.
Os esboços tomam forma em mesas digitalizadoras, equipadas com avançados softwares de simulação e, de lá, o projeto ganha vida em um protótipo 3D (três vezes menor que um modelo na escala 1:1). Depois, surge o modelo de tamanho real, feito por uma máquina de usinagem em ‘clay’ (argila). Até este ano, o Centro de Design da GM contava com quatro destas máquinas, que agora foram substituídas por 16 novas de última geração. O trabalho do design passa ainda por diversas fases interessantes, como o trabalho de escolha das cores do veículo, que começa dois anos antes de seu lançamento, design de interiores, além da construção de protótipos rígidos das partes do veículo antes do início da produção, que ajudam na análise de falhas na montagem.
Estrutura global
Além do departamento de Design, outros prédios compõem o Centro Tecnológico: Engenharia de Produtos (8.935 m2), Gerenciamento de Programas, Exportação e Engenharia de Produtos (2.629,00 m2) e o novo prédio, de 9.290 m2, que abrigará as áreas de Engenharia de Manufatura e Powertrain. Atualmente, o CT conta com mais de dois mil profissionais envolvidos em projetos de criação e desenvolvimento de veículos para diversos países.
Desde 2006, a GM investiu US$ 100 milhões na ampliação da estrutura física e aquisição de novos equipamentos do Centro Tecnológico (CT), montante que também inclui a construção e modernização dos laboratórios e pistas do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba.