Quando se fala em carros anfíbios, logo o que vem em mente são imagens de veículos militares, de grande porte e capazes de carregar contingente militar. Mas a Rinspeed, empresa suíça especializada em modificar Porsches, desenvolveu o Splash, um protótipo de dimensões compactas e visual que transborda esportividade.
O protótipo será exposto no São Paulo Boat Show, evento de produtos náuticos que acontece entre amanhã (5) e o próximo dia 10, no Expo Transamérica, na zona sul de São Paulo. O Splash foi apresentado à imprensa especializada brasileira ontem (3), na Represa de Guarapiranga, também na zona sul da capital paulista, onde suas características aquáticas foram colocadas a prova.
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Com investimento estimado de US$ 2 milhões, a construção do Splash é considerada pelo designer suíço e proprietário da Rinspeed, Frank M. Rinderknecht, um sonho realizado. O protótipo ganhou as páginas dos jornais, em julho último, ao completar a travessia do Canal da Mancha, entre as cidades de Dover, na Inglaterra, e Calais, na França, em tempo recorde, batendo a marca anterior. Na ocasião, a travessia de 36 quilômetros que separa as duas margens levou 3 horas, 13 minutos e 47 segundos com uma média de velocidade de 12 km/h.
Mas a alegria de Rinderknecht durou pouco, pois recentemente, o piloto brasileiro de Fórmula 3 Inglesa, Bruno Senna, atropelou o recorde do suíço ao completar a travessia do canal em 1 hora e 40 minutos, a bordo do Gibbs Aquada, de fabricação britânica.
Construído em fibra de carbono, o Splash pesa apenas 825 quilos, justamente com o objetivo de alcançar melhor desempenho na água. Seu motor Weber de 0.7 litros, de dois cilindros, atinge a potência máxima de 140 cavalos, a 7.000 rpm. Na terra firme, segundo o fabricante, o carro pode atingir 200 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos, características dignas de um esportivo.
Na água, Rinderknecht garante que o protótipo é capaz de alcançar a máxima de 80 km/h, um ótimo desempenho se comparado a lanchas de alta performance. Mas durante a demonstração na represa, o carro sequer ultrapassou os 30 km/h. Segundo o fabricante, a força do motor é transferida das rodas para um motor de popa, que entra em ação a uma profundidade de 1,30 m, antes disso um pequeno motor elétrico entra em ação e se encarrega de deslocar o carro até a profundidade ideal. Por causa dos solavancos provocados pelas marolas, a aceleração não pode ser feita com a ajuda do pedal. Por isso, o comando foi transferido para uma alavanca, seguindo a mesma idéia de embarcações convencionais.
Na água, o funcionamento do Splash é semelhante ao de um aerobarco, pois ele utiliza um sistema de hidrofólios – uma espécie de asa capaz de erguer o casco do barco, conforme sua velocidade de deslocamento – posicionados nas laterais da carroceria. O acionamento do equipamento é demorado. São 40 segundos de espera, depois que o botão do equipamento, posicionado no painel, é ativado. Outro fato curioso é a configuração do hidrofólio traseiro que, em terra, funciona como um aerofólio convencional. O carro é equipado com um câmbio de seis marchas da Honda.
Recentemente, o carro anfíbio suíço ganhou um homônimo: um compacto da Suzuki, apresentado no Salão de Paris. A atitude de lançar um modelo batizado de Splash forçou a Rinspeed a acionar seus advogados pela disputa legal do uso do nome. “Achei uma grande besteira da Suzuki”, disse Rinderknecht, referindo-se à utilização do nome Splash pelo fabricante japonês. “Agora eles terão de se esclarecer na Justiça”, concluiu aborrecido o designer.
O Splash seria uma ótima opção em São Paulo, pois além de poder navegar durante enchentes, o carro também conta com um motor bi-combustivel, movido tanto à gasolina como a gás natural veicular.