Platinado, bobina, carburador...Tudo isso faz parte do passado. Hoje, os carros são equipados com injeção eletrônica e podem vir com freios ABS, air bags e sistema de controle de estabilidade (ESP), itens que não eram comuns há cerca de 15 anos. Agora, começam a aparecer alguns sistemas e dispositivos que deverão fazer parte da maioria dos carros em um futuro próximo, como pneus à prova de furo, câmbio de seis ou sete marchas e sistema que aproveita o calor dos freios para gerar energia.
O Ford Escape é um dos exemplos de modelos "hi-tech" que estão começando a serem vistos nas ruas. O carro combina um motor a gasolina de quatro cilindros com propulsor elétrico e seu desempenho é similar ao do Escape V6. Ao contrário do motor convencional, que queima combustível e produz emissões enquanto o carro está parado no farol vermelho ou no trânsito, o motor do Escape Hybrid se desliga nessas situações.
Quando o trânsito anda, o motogerador de 70 kw move o veículo usando energia elétrica. Se necessário, o sistema aciona novamente o motor a gasolina, em menos de 400 milisegundos e de modo suave, sem as emissões produzidas na partida pelo motor convencional. O veículo também recupera energia dos freios no anda-e-pára, por meio de um sistema regenerador, que aproveita as frenagens para recarregar a bateria.
No campo dos novos dispositivos de segurança um dos destaques fica por conta do novo sistema de controle de estabilidade (ESP) da Volkswagen que vai equipar o novo Golf a partir do ano que vem. Com a novidade, além de atuar nos freios e no corte de potência do motor para evitar derrapagens indesejáveis, a direção recebe pulsos elétricos que levam o motorista a corrigir a trajetória do carro esterçando o volante.
Com essa reação automática por parte de quem estiver dirigindo, segundo a marca alemã sediada em Wofsburg, consegue-se uma redução do espaço de frenagem acima de 10%, principalmente quando as rodas de um lado estão em diferentes tipos de piso (molhado de um lado e na neve do outro, por exemplo). Os pulsos que o volante recebe levarão o motorista a esterçar para o lado correto, de maneira intuitiva. Depois que o carro estiver estabilizado, o volante volta a atuar normalmente. O sistema leva em consideração inclinações da superfície de contato dos pneus com o solo e funciona em conjunto com a direção com servo assistência elétrica.
Para alertar o motorista que vem atrás que o freio foi acionado com força, além do já conhecido "brake light", alguns modelos já vêm com sistema que aumenta a intensidade da luz das lanternas nesse tipo de situação de emergência. O BMW Série 1 é um deles. Ainda em agosto do ano passado, o protótipo CS1, que viria a dar origem ao "caçula" da marca alemã já anunciava essa novidade, que deve substituir o acionamento do pisca alerta já empregado por algumas marcas (como a Citroën) no caso de freadas fortes.
A primeira marca a apresentar câmbio automático de sete marchas para automóvel de passageiro foi a Mercedes-Benz , que deverá ter seguidores em breve . O novo componente já é instalado nos modelos E 500, S430, S500, CL 500 e SL 500 em substituição à caixa automática de cinco marchas. A troca implica em ganhos de economia e desempenho, segundo a marca alemã. Outra vantagem apontada fica por conta das trocas mais suaves.
Com o novo câmbio, o sistema de controle ganha mais flexibilidade para selecionar as marchas mais adequadas para as várias situações que o carro enfrenta. Assim, até mesmo os níveis de consumo e de emissões de poluentes deverão ser reduzidos, além de tornar mais baixa a velocidade média do motor.
As reduções de marcha provocadas pelo chamado "kickdown" (pisada brusca no acelerador) nem sempre seguem uma mesma ordem de seleção de marchas com o novo componente. É possível ir da sétima para quinta, por exemplo, e depois para terceira, dependendo do caso. Ainda conforme o fabricante, as trocas são quase imperceptíveis, principalmente a partir da quarta marcha.
Os exemplos de novos sistemas continuam com os faróis que iluminam o caminho conforme o movimento do volante, como no Audi A8. Outras novidades devem aparecer em breve e algumas que estão começando a ser usadas em modelos produzidos em série (como a injeção direta de combustível na câmara de combustão - FSI). Algumas invenções talvez não venham a ser usadas em grande escala. O certo é que nesse início de século XXI o automóvel continua em evolução e deve apontar para novos caminhos em busca do aperfeiçoamento.