Texto: Mariana Carnicelli
Fotos: Divulgação
Dezenas de empresas do ramo da mobilidade, entre elas montadoras, sistemistas e fabricantes de autopeças participaram do XII Congresso e Exposição Internacional de Tecnologia da Mobilidade SAE Brasil 2003, em São Paulo, de 18 a 20 de novembro. Foram 235 palestras técnicas e 98 estandes - dos quais 29 inéditos - com a apresentação das mais recentes tecnologias e produtos da engenharia da mobilidade. Muitas delas vão fazer parte dos modelos que serão vendidos num futuro próximo.
O que mais chamou a atenção no evento foi o motor tricombustível desenvolvido pela Bosch. O novo propulsor é uma junção do sistema bicombustível (Flex Fuel), que utiliza gasolina/álcool, e do sistema bifuel alemão, movido a gasolina ou gás. A proposta do tricombustível (gás/gasolina/álcool) é de que o carro possa usar um dos três combustíveis com a ajuda da mesma unidade de gerenciamento de motor, com ganho de desempenho e diminuição da emissão de poluentes.
O projeto do motor tricombustível prevê o emprego de um turbo compressor para alterar automaticamente a taxa de compressão e extrair todo o potencial do Gás Natural Veicular (GNV). Estudos desenvolvidos pela Bosch na Europa apontam que um motor de 100 cavalos de potência, à gasolina, perde 10 cv se movido à GNV. Com a utilização do turbo, com pressão de até 1 bar, inverte-se o processo, com um ganho de potência de 50% em relação ao uso exclusivo de gasolina.
Esse bom rendimento é verificado porque aproveita-se a alta octanagem do GNV (132 octanas) para comprimir mais a mistura ar-combustível na câmara de combustão. A Bosch está aperfeiçoando o protótipo de motor para oferecê-lo às montadoras nacionais. A expectativa da empresa é que os primeiros carros saiam de fábrica equipados com o sistema tricombustível no prazo de dois anos. Enquanto isso, os testes são feitos em um VW Polo. No veículo, a troca do combustível líquido para o gasoso dá-se por meio de um seletor manual no console.
De olho no Mercosul, a Magneti Marelli mostrou o motor Tetra-fuel, que além de gasolina, álcool e gás, também funciona com a gasolina vendida na Argentina e nos países andinos. Nesse caso, a principal novidade é a cetralina (módulo de comando eletrônico) capaz de ler e gerenciar quatro tipos de combustíveis. A capacidade de gerenciar o combustível utilizado em outro mercado pode facilitar a exportação dos veículos produzidos no Brasil, que não precisariam ser adaptados para esse fim.
O gerente de programas da Marelli, Fernando Damasceno, diz que o sistema permite reduzir o custo da instalação do GNV em 40%. A centralina "tetrafuel" dispensa uma série de equipamentos eletro-eletrônicos que hoje são necessários na conversão a gás. Isso porque o carro já sairá de fábrica com o gerenciador que permite o uso do gás. O sistema foi desenvolvido no Brasil e já está sendo avaliado por algumas montadoras. A previsão é que em 15 meses um novo modelo equipado com esse sistema seja lançado no mercado.
Entre as principais novidades do habitáculo está o painel do futuro da Siemens VDO. Denominado Pure Vision 2.0, o cockpit conceitual vem com um mostrador de 10 polegadas instalado junto a dois botões rotativos que controlam todas as funções ligadas ao conforto, do ar-condicionado ao sistema multimídia. O painel conceitual economiza fios condutores, o que o torna mais leve. As tradicionais saídas de ar foram retiradas e a climatização é feita pelas extremidades do próprio painel.
O kit multimídia é um dos equipamentos que serão oferecidos já a partir do ano que vem. O sistema integra monitor de sete polegadas, DVD, computador de bordo com acesso a Internet, TV e aparelho de som com MP3. Outro item interessante é uma câmera instalada na traseira do veículo. Quando a marcha à ré é engatada, o sistema capta imagens para auxiliar nas manobras de estacionamento.
No estande da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) estava em exposição o Citizen Eco-Drive, um veículo de competição movido à energia solar desenvolvido por professores e alunos da universidade. O carro é um dos três do Brasil movido à energia solar e o único totalmente acadêmico. Com formato aerodinâmico, o modelo tem três metros de largura por seis de comprimento. Feito de fibra de carbono, fibra de vidro, alumínio e aço, o carro é leve e resistente. O painel solar gera uma potência de 2.2 cavalos.
Quem foi ao evento também pôde conferir de perto um clássico da indústria automobilística mundial. Um Ford Modelo T de 1917, parte do acervo do Museu de Tecnologia da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), que estava exposto no estande da Dana. O modelo, equipado com motor de quatro cilindros em linha, câmbio manual de duas marchas e tração traseira, foi o primeiro automóvel produzido em série. Considerado o carro do século XX, foi o responsável por colocar o mundo sobre rodas.
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