Uma obra de arte. É assim que o argentino Horacio Pagani faz jus à sua criação, o Pagani Zonda F, carro mais caro vendido no Brasil, por R$ 4 milhões. O superesportivo, filho único no país, foi apresentado hoje (29) durante coletiva de imprensa da importadora de luxo Platinuss, primeira representante oficial da marca. Por que o Brasil? "Não basta só encontrar um consumidor que tenha dinheiro. Para ter um Zonda, é preciso ter muito amor pelo automóvel e aqui encontrei este perfil", afirmou o presidente da Pagani Automobili, que fica em Modena, na Itália, berço das grandes Ferrari, Lamborghini e Maserati.
Algum apaixonado se candidata? É bom correr, pois a fila já espera três compradores - todos em potencial, segundo o presidente da Platinuss, Natalino Bertin Jr. "Sou um empresário e darei prioridade àquele que me oferecer melhor condição de pagamento", declarou Bertin. Nem adianta ficar curioso, porque os bolsos são confidenciais. "São consumidores de apartamentos de alto luxo, que desejam um carro exclusivo, afinal nenhum Zonda F é igual ao outro", disse o empresário, que não deu nenhuma volta no Zonda, mesmo com a provável dor no coração. "Vamos preservar toda a exclusividade do carro ao comprador", afirmou.
Foram produzidas 25 unidades do Pagani Zonda F, todas já vendidas, com exceção da que está pertinho dos consumidores brasileiros. Em 2009, mais um modelo estará disponível, segundo a Platinuss. "A partir de 2010, serão duas por ano", estima Natalino Bertin Jr. Além da Pagani, a importadora promete trazer outros carros de alto luxo ao país.
Na Europa, o Zonda F custa cerca de 700 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 2 milhões. Com a carga tributária nacional, o valor salta para incríveis R$ 4 milhões. O seguro? Será "apenas" 5% ou 6% do valor do carro, a média praticada no mercado, o que, neste caso, custaria aproximadamente R$ 200 mil. "Ainda não temos seguradora definida, mas sabemos que será de fora do país, pois não há nenhuma empresa brasileira que trabalha com veículos deste valor", explicou Bertin.
O que é um pontinho amarelo?
Se você tiver muita, mas muita sorte, poderá responder que aquele pontinho amarelo na rua ou estrada é o Pagani Zonda F. Seu encontro com o superesportivo será raro por dois motivos: provavelmente o comprador vai namorar a obra de arte bem escondido ou, quando ele passar por você, já será tarde demais. O Zonda F, com motor V12 e capacidade para 7.291 cm3 de volume deslocado, acelera de a de 0 a 100 km/h em apenas 3,5 s, empurrado pelos seus 659 cv a 6150 rpm. Quer mais? Tem motor Mercedes-Benz preparado pela AMG, divisão esportiva da montadora alemã, 48 válvulas e transmissão mecânica de 6 marchas, para sentir cada troca de marcha com gosto.
O carro é uma tradução da "alma" do piloto argentino Juan Manuel Fangio, cinco vezes campeão mundial de Fórmula 1. "Ele foi um campeão na vida. Aprendi muito com seus valores morais e inteligência", afirmou Horacio Pagani, eterno admirador de Fangio. A precisão do piloto e sua sensibilidade técnica foram inspirações para a criação do Zonda F que, no início, se chamava Fangio F1, época de seu falecimento. Pagani então decidiu adotar o nome Zonda, nome de um vento dos Andes, e adicionar o F, de Fangio. O piloto ajudou Pagani a chegar à Modena, na Itália, além de conseguir, anos mais tarde, apresentar o idealista à Mercedes-Benz, fazendo com que a Pagani fosse a única empresa independente a usar um motor da alemã.
Sangue argentino, alma italiana
A paixão do argentino Horacio Pagani por carros começou cedo e, com apenas 12 anos, ele já construía seus modelos em madeira balsa ou argila. Estreou no mundo das corridas com 20 anos, ao projetar um F3 que competiu na Argentina pela Renault. Conheceu o lendário piloto Juan Manuel Fangio, seu herói na infância, que foi essencial para sua chegada à Modena, na Itália. Iniciou na Lamborghini, como mecânico de terceiro nível trabalhando com carroceria. Foi promovido em seguida a gerente de departamento, participando de diversos projetos, como o LMA Jeep, o Countach Evoluzione (o primeiro inovador a trazer chassi totalmente em fibra de carbono) e o Countach 4 válvulas. Em 1988, Horacio criou a Pagani Composite Research e finalmente em 1991 deu início às atividades do estúdio Modena Design, onde são feitos os estudos de design, engenharia, construção de modelos, moldes e protótipos. A empresa cresceu tanto que passou a colaborar com as grandes Dallara, Ferrari, Aprilia, Berman, Lange e Renault.