Imagine uma pista de testes livre, só para você dirigir. Agora, pense nos carros e motos da BMW que mais te atraem. Pronto, bem-vindo ao BMW Driving Experience — Road Show 2007. Na última sexta-feira (20), a montadora alemã resolveu mostrar no Campo de Provas Pirelli, em Sumaré, município localizado a 115 quilômetros de São Paulo, do que alguns de seus veículos são capazes.
À disposição da imprensa nada menos que o 550i, o X3 2.5si, o 120i, o Z4 3.0i, o Série 3 Coupé, a segunda geração do X5 4.8i - lançada recentemente no Brasil - e o M6, além das principais motocicletas da marca. O primeiro modelo a ser testado foi o mais chamativo: o Z4 3.0 si. Equipado com a motorização 3.0 de seis cilindros em linha, a mesma que do X3 3.0, o modelo não escondeu na pista sua vocação esportiva.
Com 265 cavalos de potência a 6600 rpm (5 cv a menos que o X3 3.0) e torque de 32,1 kgfm a 2.750 rpm, o esportivo acelera, segundo informações da BMW, de 0 a 100 km/h em apenas 6 segundos e tem velocidade máxima de 250 km/h. E olhando por fora, na primeira impressão que se tem do carro, logo se percebe que a montadora priorizou o espaço para acomodar o motor.
Além de comportar somente duas pessoas, do banco do motorista é que se tem a real dimensão do capô (enorme, por sinal). Apesar de o carro ter 4,09 metros de comprimento, o condutor tem visibilidade total do veículo, principalmente da traseira, pois o curto porta-malas — que comporta 240 litros (sem a capota recolhida) e 260 l (com teto) — permite ao condutor ver a traseira inteira.
Ao girar a chave, o ronco do V6 fala por si só. O câmbio automático de seis velocidades Steptronic não tem segredos, mas as borboletas de troca de marcha no volante fogem do convencional. Normalmente, a alavanca da direita aumenta as marchas, enquanto que a da esquerda reduz. No Z4 não é bem assim que funciona. Ambas as hastes podem elevar ou diminuir as marchas.
Quando o condutor aciona as borboletas pela parte inferior, o câmbio passa para a marcha superior. Para reduzir, o motorista precisa utilizar os dedões, apertando a parte superior das alavancas. Em um primeiro contado, esse mecanismo pode parecer um pouco complicado, mas na prática não é. Com o carro em movimento “não tem tempo ruim”, principalmente se a capota estiver aberta.
Mesmo em altas velocidades (mais precisamente a 160 km/h), o vento dentro do carro não é tão forte quanto se pensa. É claro que o há vento, mas nada incomoda quem está dentro de um carro desses e na pista.
Com 1,78 m de largura, 1,29 m de altura e distância entreeixos de 2,49 m, o veículo fica “no chão” nas curvas, passando total segurança ao condutor. O volante tem boa pegada e, por ser assistido eletricamente, é leve em baixas velocidades. Mas, na medida em que o pedal do acelerador é pressionado, a direção vai ficando mais firme.
O fato de o torque de 32,1 kgfm já estar disponível a 2.750 rpm faz com que os 1.340 quilos do conversível sejam literalmente ignorados, pois o modelo sempre está pronto para ganhar velocidade, seja em retomadas ou em acelerações.
O acionamento da capota (de lona) é elétrico e feito com um simples toque em um botão localizado no painel, logo abaixo do sistema de som. O Z4 3.0 si testado contava com acabamento interior em couro bege, o que dava ainda mais pompa para o conversível. No entanto, tanto luxo e tecnologia a céu aberto pesam no bolso. O esportivo da BMW tem preço sugerido de R$ 302.500, o que foge da realidade financeira da maioria dos brasileiros.
Conforto para quatro pessoas
Mesmo depois de dar três voltas na pista de testes, ficou aquele gostinho de quero mais. Mas ainda restavam outros veículos que não eram de se jogar fora (mesmo). O segundo a ser dirigido foi o 325 Coupé, integrante da Série 3. Com um motor mais fraco que o Z4 e bem maior, o modelo apresenta dados de desempenho mais discretos, porém mantém a linha de alta performance. E se R$ 302.500 é muito para o seu orçamento, a possibilidade deste cupê de duas portas caber no seu bolso é maior: por “apenas” R$ 229.500 você pode ter um.
De acordo com informações da BMW, o veículo acelera de 0 a 100 em 7,6 s e chega aos 245 km/h. Nada mal para um carro de 1.450 kg e 4,58 metros de comprimento. Tais números são garantidos pelo propulsor 2.5 de 218 cv a 6500 rpm. Assim como seu “irmão” esportivo, o 325 disponibiliza já aos 2750 rpm toda a força de seu motor (25,5 kgfm).
Contudo, mesmo com dimensões típicas de um sedã, o modelo transporta apenas quatro pessoas: não há espaço para o terceiro passageiro no banco traseiro. Respeitando sua capacidade, o espaço para quatro pessoas é mais do que bom. Não era para menos: o modelo tem 1,78 m de largura, 1,39 m de altura e 2,76 m de entreeixos, sem falar no porta-malas de 440 litros.
Entrando no cupê, o motorista se depara com um carro que só falta andar sozinho. Além de não ter que girar a chave (basta apertar um botão ao lado do volante), o condutor conta com uma “ajudinha” para pegar o cinto de segurança. Se você é daqueles que têm preguiça de se esticar para puxar o cinto, seus problemas acabaram. Assim que o 325 entra em funcionamento, uma espécie de braço mecânico empurra o cinto de segurança para frente, trazendo o equipamento bem próximo à mão do condutor.
Mas tudo isso em movimento é muito melhor. Mais silencioso que o Z4, o motor 2.5 corresponde às expectativas de quem está no comando do 325. Em comparação ao conversível, o volante do cupê é bem mais firme, chegando a ser pesado.
O câmbio automático de seis velocidades é o mesmo utilizado no Z4, com a tecnologia Steptronic, porém não conta com a opção de trocas de marcha no volante. Mas o condutor que quiser uma condução mais esportiva tem à disposição a opção “M”, que permite que as trocas marchas semi-seqüenciais, feitas diretamente na alavanca do câmbio. Assim como todo o interior, o conjunto de suspensão é bem acertado. O cupê não inclina nas curvas, nem ameaça sair de traseira.
507 cv por R$ 665 mil
Como se não bastasse andar alguns dos modelos mais prestigiados da marca, a BMW oferecia ainda uma demonstração do desempenho do M6 em um percurso denominado Power Lap. A bordo da supermáquina e com o piloto César Urnhani ao volante, o motor 5.0 V10 aspirado, de 507 cv a 7750 rpm e torque de 53 kgfm a 6100 rpm, falou alto na pista. Em outras palavras, o carro anda muito.
Com vários componentes em alumínio e fibra de carbono, a relação peso/potência do M6 é de nada menos que 3,5 kg/cv. Isso permite que o modelo acelere de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos, tendo a velocidade máxima limitada eletronicamente em 250 km/h. Preço: R$ 665 mil.
Recheado de tecnologias, o M6 pode ser configurado ao gosto do freguês. Com incontáveis botões no painel, console e volante, o piloto pode ajustar motor, suspensão e câmbio do esportivo de várias formas. Há, também, a opção de desligar o sistema de controle de estabilidade, o que dá ao veículo 7 cavalos extras (como se ele precisasse), totalizando os 507 cv.
Rodando na configuração mais esportiva possível, Urnhani chegou a marcar 210 km/h na reta em quarta marcha — ainda faltavam mais três, pois o M6 traz caixa de câmbio de sete velocidades. Com trocas de marchas extremamente rápidas, o veículo usa e abusa do freio-motor. E, independente do regime de condução, a carroceria mantém-se da mesma forma: estável.
E para quem estava dentro do carro a 210 km/h ficou claro que o esportivo ainda tinha muito a oferecer. Talvez seja por isso que a BMW tenha dado ao M6 um velocímetro com escala até 330 km/h. Pena que o modelo comercializado no Brasil é obrigado a ter limitador de velocidade.
Mas o evento ainda não tinha acabado. O Road Show 2007 foi dividido em várias estações. Chamou a atenção também o trajeto fora-de-estrada elaborado para o X5. Nesta área foi possível comparar a segunda geração com a primeira do utilitário esportivo em exercícios de frenagens leves, desvios e trepidações. A montadora separou ainda um espaço para demonstrar o funcionamento da tecnologia Night Vision, que ajuda o motorista a visualizar obstáculos à frente do veículo mesmo com pouquíssima luminosidade.