Depois da breve apresentação, no início de maio, a Porsche mostra em detalhes a nova geração do lendário 911. Como os bons vinhos, o esportivo da marca alemã vai se tornado cada vez melhor com o passar do tempo. O alto nível de sofisticação chega ao ponto do desenho da base retrovisores ter sido estudado em túnel de vento para que o ar em movimento expulse a sujeira dos vidros das portas e siga para o aerofólio traseiro, aumentando a pressão aerodinâmica. E isso é apenas o começo.
Nenhum Porsche chegou tão perto da perfeição quanto esse. Há que se tirar o chapéu. O novo 911 não deve decepcionar os puristas que cultuam o prazer de dirigir, nem os que não fazem questão de muita esportividade e comportamento arisco. Além de conciliar esses dois mundos, o esportivo renovado vem com itens inéditos. Um deles é o conjunto de rodas de aro 19 com pneus 235/35ZR na frente e 295/30ZR atrás, disponível para o Carrera S. Outro fica por conta do sistema Sports Chrono, que serve para cronometrar voltas em um circuito, bem como mapear o desempenho do carro com ajuda de gráficos no monitor colorido.
Os novos traços inspiram robustez e estão em harmonia com componentes de última geração, como os faróis com lâmpadas de xenônio nos fachos alto e baixo (no Carrera S). Na frente, o capô é de alumínio, o que levou a uma economia de peso de 6 kilos em relação ao 911 anterior. Além disso, na versão mais "apimentada", próximos dos ventiladores do sistema de refrigeração do motor ficam defletores que aumentam a fluidez do ar acima de 70 km/h. Na traseira, o limpador do vidro não fica mais fixado na carroceria, mas na própria janela, sendo mais leve e mais aerodinâmico. Atrás da rodas ficam os discos de freio de fibra de cerâmica perfurados, com pinças de quatro pistões.
Internamente, as novidades começam pelos bancos com apoios laterais mais largos e que deixam o motorista em posição mais baixa. Agora o volante vem com regulagem de altura e os pedais podem ser posicionados mais para frente, contribuindo com o perfeito ajuste da posição de dirigir. Entre os itens de segurança estão incluídos oito air bags, entre os quais os que protegem os ocupantes de impactos laterais. Mas ao lado dessas inovações permanecem detalhes tradicionais, como a partida do lado esquerdo e o contagiros no centro da instrumentação.
O novo Carrera 911 pode ser equipado com motor 3.6 de 325 cavalos e 37,8 kgfm de torque a 4.250 rpm, ou 3.8 de 355 cv e 40,8 kgfm a 4.600 rpm. São números que impressionam, assim como detalhes técnicos, como lubrificação por cárter seco com três bombas de óleo, comandos de válvulas variáveis e amortecedor na polia do virabrequim para absorver vibrações. Até o ângulo da injeção de combustível na câmara de combustão foi estudado minuciosamente para otimizar a mistura e diminuir o nível de emissões com o motor frio. Ainda no conjunto mecânico, o novo câmbio manual também reserva boas surpresas, como os anéis de sincronização da primeira à terceira marchas com reforço de carbono.
O resultado de tudo isso pode ser traduzido em um desempenho de tirar o fôlego. Segundo dados do fabricante, no Carrera S, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em meros 4,8 segundos. Para retomar de 80 a 120 km/h em quinta marcha são necessários apenas 6,1 segundos. Graças à nova suspensão (controlada eletronicamente) a rolagem da carroceria nas curvas é quase nula e o carro mantém alto nível de aderência. Testes realizados pela Porsche no circuito alemão em Nürburgring constataram uma melhora de 5 segundos, em média, no tempo da volta em relação ao 911 anterior. Com se não bastasse toda essa evolução, o intervalo de manutenção do motor foi ampliado para cada 30 mil quilômetros. Nada mal.