Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação
Le Mans, França, junho de 1966, o carro projetado pela Ford para vencer a temida equipe Ferrari cruza a linha de chegada em primeiro lugar e ainda traz mais dois companheiros do time na segunda e terceira posições. É o início da consagração do GT40, modelo de corrida vitorioso nas pistas até o fim dos anos 60. Quase quarenta anos depois, a lenda do esportivo volta à tona com o lançamento do GT, versão para andar na rua do arqui-rival dos carros de Maranello (Itália).
A primeira aparição do GT foi em Detroit (EUA), em janeiro de 2002, ainda como protótipo. A versão definitiva veio em junho do ano seguinte, para brilhar na festa dos 100 anos da Ford. E como brilhou. As linhas do GT 40 original serviram como base, mas foram aperfeiçoadas com os resultados obtidos no túnel de vento. Defletores e entradas de ar laterais foram estudados meticulosamente, sempre procurando ser fiel ao modelo dos anos 60. Depois, bastou a inclusão de detalhes modernos para dar o arremate final.
Os faróis com lâmpadas de xenônio estão entre as novidades. Outra é a tampa de alumínio na dianteira, item que faz parte do tanque com sensores do nível de combustível, válvulas para controlar a formação de vapor e que dispensa chave, já que assim que o bico da bomba se aproxima do bocal, o reservatório é aberto automaticamente. Para ser fechado, basta terminar de abastecer. Além disso, o GT 2005 diferencia-se do GT 40 original por pequenos detalhes, entre os quais as rodas de aro 18 com pneus 235/45ZR na frente e de aro 19 calçadas em dois Goodyear Eagle F-1 315/40ZR atrás.
O interior mantém o ar nostálgico do visual externo, com a maioria dos comandos do mesmo formato usado no GT 40. O grande velocímetro no lado direito é voltado para o motorista. Como todo carro de corrida, o contagiros fica no centro, em destaque, para facilitar a visualização. Os bancos são de couro e enfeitados com pequenas aberturas circulares de alumínio. O console central divide o habitáculo em dois e vem com os controles do ar-condicionado. A manopla da alavanca de câmbio também é de metal, outro detalhe para deixar clara a vocação esportiva do GT.
O motor não poderia deixar de ser V8, tradição da marca do oval azul. Com 5.4 litros de cilindrada, o propulsor vem sobrealimentado com compressor volumétrico Eaton e é derivado do usado na picape esportiva F-150 Lightning. Mas vem com uma série de diferenças, como pistões forjados, dois bicos injetores por cilindro, cárter seco e intercooler (ar/água) para refrigerar o ar de admissão. A potência chega a 500 cavalos e o torque a brutais 69,2 kgfm a 4.500 rpm. O câmbio é manual de seis marchas acoplado à embreagem de disco duplo. Segundo a Ford, o GT atinge 305 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos.
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