Então, o que é que esse smart fortwo tem? Schiemer tenta responder. "É uma coisa muito interessante mesmo. O smart provoca uma mudança de comportamento nas pessoas", explicou o executivo, durante apresentação do modelo à imprensa especializada, nesta semana, em São Paulo. Desde que o primeiro modelo foi lançado em 1998 mais de um milhão de unidades já foram produzidas. Ele começou a ser vendido na Alemanha e depois chegou a oito países europeus. Foi para a Ásia e até para os Estados Unidos, o país dos SUVs, picapes e carrões. Em 2009, além do Brasil, o carrinho chegará às ruas da China.
Simpático smart
Com 2,69 m de comprimento, 1,86 m de entreeixos, 1,54 m de altura e 1,55 m de largura, o smart fortwo é mesmo simpático. Durante nossa cobertura do Salão do Automóvel de Paris, França, no mês passado, era possível encontrar de dois a três carrinhos em cada quarteirão. E quando não havia vaga, os franceses sabiam bem como resolver: estacionavam o smart de 'atravessado' no meio-fio. E não é que ele cabia certinho? Situações como estas são muito comuns em outros países da Europa e nos mercados em que o smart é vendido. Não é à toa que a versatilidade do modelo é um dos pontos-fortes trabalhados pela marca em sua campanha publicitária. Aqui no Brasil, não será diferente.
Mas já que o assunto é mercado brasileiro, vamos aos detalhes. O smart fortwo chega com motor 1.0 turboalimentado, de três cilindros, 12 válvulas, capaz de gerar 84 cavalos a 5.250 rpm e com torque de 12,2 kgfm a uma rotação de 3.250 giros. As duas versões, cupê e cabrio, trazem câmbio automático de cinco velocidades, com opção de trocas manuais.
Segundo a marca, este conjunto dá ao fortwo a capacidade de acelerar de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos e alcançar velocidade máxima de 145 km/h. Mas o melhor está no consumo: o pequeno pode fazer média de até 24 km/l em estradas e 15 km/l na cidade. Por enquanto, o motor flex, apesar de estar sendo estudado, é inviável. "Os custos de desenvolvimento seriam muito altos", justificou Roberto Gasparetti, supervisor de Marketing de Produto da Mercedes-Benz.
Com preço salgado, o pequeno smart tem direito de trazer lista de equipamentos de gente grande. Ele virá com ar condicionado, direção hidráulica, rádio CD player com MP3, rodas em liga-leve de 15 polegadas, volante esportivo em couro com borboletas para troca de marcha, faróis de neblina, airbags frontais e laterais, além de freios com ABS, EBD (distribuição eletrônica de força de frenagem), ESP (controle eletrônico de estabilidade) e BAS (assistência eletrônica de frenagem).
Por dentro, o smart é mesmo impressionante. Você só lembra que está num carro de dois lugares quando olha para trás. O espaço para as pernas é bom, mesmo para os mais altos, que podem afastar o banco para uma posição mais confortável - neste caso, quem perde é o porta-malas, que passa do volume total de 340 litros para 220 l. Além do conforto e bom acabamento interno, o carrinho traz soluções inteligentes, como porta-objetos removível próximo das pernas do passageiro, além de controles do ar bem próximos aos difusores.
Foco nos paulistanos
Em outros países, o perfil do consumidor do smart é definido por sua atitude e não pela idade. É aquela pessoa que simplesmente quer ter um fortwo, seja por questão de 'estilo' ou preocupação ecológica. Mas no Brasil o cenário pode ser outro, afinal as realidades sociais e econômicas são bem diferentes.
Para começar a desvendar o público-alvo no País, a Mercedes aposta suas fichas em São Paulo, uma capital moderna e, principalmente, caótica. "Se 70% dos carros fossem smart, o trânsito da cidade de São Paulo cairia pela metade", afirmou Schiemer durante coletiva de imprensa, numa previsão bem futurista.
O início das vendas do smart fortwo, previsto para março, será realizado por meio de duas lojas exclusivas da smart na capital. Já a assistência técnica poderá ser feita pela rede de concessionárias da Mercedes-Benz. Os prazos de revisão e garantia, de dois anos, também seguem os padrões da empresa alemã. Se a reação à chegada do pequenino for positiva, a Mercedes estuda ampliar a rede para outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.