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 Marcas já anotam concorrência interna01/10/2007 

Texto: Michel Escanhola
Fotos: Divulgação

Tem gente que escolhe o carro pelo preço. Outros, pela relação custo/benefício. Há quem não abra mão da segurança ou de um design moderno. Mas sempre há aquele modelo específico, de uma determinada marca, que se identifica mais com você. Mas cuidado: a compra dos seus sonhos pode não ser a mais racional. Às vezes, equipar determinados veículos pode sair mais caro do que partir para um modelo de uma categoria superior, sem mudar de marca.

Quando um novo carro é lançado, as montadoras sabem que de alguma forma seu portfólio será afetado, gerando uma canibalização natural. A Volkswagen, entretanto, é uma das marcas que mais tem “concorrentes internos”. Como explicar o fato de um Fox Plus 1.6 Total Flex completo custar praticamente a mesma coisa que um New Beetle? Ainda nos modelos Volks, outra situação inusitada: o Fox 1.0, também com todos os opcionais disponíveis, é mais caro que um Polo 1.6 Sportline. Mas será que vale a pena abrir mão de um modelo 1.6 razoavelmente equipado para adquirir veículo 1.0 completo? Pode ser que sim, pode ser que não: questão de gosto e de necessidades.

Um Fox Plus 1.0 desenvolve até 73 cavalos de potência com álcool e tem preço sugerido de R$ 33.470, mas salta para R$ 50.055 quando acrescido de freios ABS, rodas de liga leve de 14 polegadas, ar-condicionado, duplo airbag, entre outros. Por R$ 47.920, a montadora alemã oferece o Polo Sportline, que já sai de fábrica equipado com direção hidráulica, ar-condicionado, rodas de alumínio de 15” e sensor de estacionamento, sem falar do motor 1.6 l de 103 cv.

   

E a situação se repete com o Polo, quando todo equipado. O modelo sobe para R$ 59.610, valor bem maior que os cerca de R$ 55 mil do New Beetle — veículo projetado globalmente, equipado com motor 2.0 l de 116 cv (mesmo do Golf e do Bora), freios ABS, piloto automático e rodas aro 16. Vale lembrar ainda que o Fox 1.6 em sua versão mais equipada custa R$ 53.235, o Golf de entrada tem preço fixado em R$ 56.300 e o CrossFox pode chegar a incríveis R$ 64.180 (mais caro que um Bora com teto solar!)

Essa “invasão” de segmentos acontece também com modelos mais caros. Em nome da esportividade, o Golf GTI traz motor 1.8 Turbo de 193 cv, controle eletrônico de estabilidade (ESP), sensores de estacionamento e de chuva e vários outros equipamentos. Porém, estes itens aliados a seu estilo agressivo custam R$ 92.460.

Desse valor, sobram R$ 7.635 no bolso do consumidor que comprar um Jetta (R$ 84.825), que já sai de fábrica muito bem recheado (com seis airbags, câmbio automático de seis marchas com Tiptronic, rodas de 16”). Com esta diferença é possível ainda colocar teto solar e o “módulo couro” no sedã (150 cv), que passa a contar com aquecimento elétrico nos bancos.

FIAT
Com a montadora italiana, o caso que mais chama a atenção ocorre entre o Palio 1.8R e o Punto Sporting. O motor é o mesmo e o visual esportivo está presente em ambos, mas o preço... O Palio 1.8R sai por R$ 43.380, mas quem adicionar o kit "Connect" (sistema viva-voz de telefonia celular com Bluetooth) airbags frontais e laterais, freios ABS e os quatro vidros elétricos com comandos “um toque” irá desembolsar a bagatela de R$ 55.433.

   

Com R$ 2.913 a menos, o fabricante de Betim (MG) sugere o Punto Sporting (R$ 52.520), que tem como principais itens de série ar-condicionado, direção hidráulica, kit HSD (duplo airbag e freios ABS), CD player com MP3 e controles de som no volante (que é em couro, por sinal), rodas de 16 polegadas e Bluetooth. Recheando o Punto com sensores de chuva e crepuscular, vidros traseiros com acionamento “um toque” e sistema de entretenimento "Blue&Me", seu valor sobe para R$ 55.785, isto é, apenas R$ 352 a mais que o Palio.

De acordo com a Fiat, não existe briga entre os dois modelos. O que acontece, segundo a marca, é que há uma extensa lista de opcionais à disposição do consumidor, que raramente equipa um veículo com todos os equipamentos oferecidos.

CITROËN
“A raposa no meio das galinhas” da montadora francesa é seu mais recente lançamento, o C4 Pallas. O três volumes Citroën tem porta-malas de 580 litros e preço fixado a partir de R$ 64.990. Nesse valor já estão incluídos rodas 16”, freios ABS com EBD e AFU, duplo airbag, CD player com MP3, vidros com acionamento “um toque” e saída de ar-condicionado para o banco de trás.

   

A configuração compacta do modelo, o C4 VTR, é comercializada em versão única no mercado brasileiro e sai das concessionárias por R$ 70.270, com direito a seis airbags, bancos com ajuste elétrico com memória de posição, freios ABS com EBD e AFU e sensores de estacionamento, chuva e crepuscular. Porém, não traz couro. Com este acabamento, o hatch sobe para R$ 72.005.

Em outras palavras, mais caro que a versão Exclusive do Pallas (R$ 71.690). E olha que nesta configuração o sedã ganha detector de obstáculos na frente e atrás, acabamento em couro, sensores de chuva e de luminosidade, ar-condicionado digital dual zone e retrovisor eletrocrômico. Em ambos os veículos o motor é o mesmo: 2.0i 16V, a gasolina, capaz de render 143 cv de potência a 6.000 rpm e 20 kgfm de torque a 4.000 rpm.

FORD
O grande dilema aqui fica por conta da versão Trail do Fiesta 1.6. O modelo aventureiro custa exatamente R$ 160 a mais que o Focus Hatch, que parte de R$ 45.400. Está certo que Fiesta traz mais equipamentos que seu “irmão maior”, como rodas de alumínio, sistema de som com MP3 e a aparência fora-de-estrada.

  

Por outro lado, o Focus (que já conta com ar-condicionado, direção hidráulica e vidros e travas elétricos) tem a seu favor espaço interno bem maior (distância entreeixos 14 centímetros maior) e transporta no porta-malas 45 litros a mais que o Fiesta. O motor é o RoCam 1.6 l Flex nos dois, mas o motorista do Focus terá 113 cv e 15,9 kgfm para usufruir, ao passo que o do Fiesta contará com 111 cv e 14,8 kgfm. Resumindo: o Focus é maior, anda mais e é mais barato.

A briga interna ocorre também com os sedãs. O Fiesta Sedan 1.6 sai das concessionárias por R$ 36.810, mas todo equipado (incluindo couro, freios ABS e duplo airbag), passa a valer R$ 52.130 — preço que rende R$ 2.430 de troco para quem quiser um Focus Sedan GLX (R$ 49.700), que tem como itens de série ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e trava elétricos e CD player com MP3. As vantagens para o segundo modelo são as mesmas na comparação entre os hatches, a exceção fica por conta do porta-malas, onde o Focus leva 12 litros a mais.

Conforme garante a gerente de marca do Ka e Família Fiesta, Lucíola Duarte de Almeida, todo o posicionamento de preços da Ford é avaliado considerando a competição dos próprios produtos entre os segmentos. Desta forma, o catálogo mais completo do Fiesta está na faixa de preço do próximo produto no portfólio que é o Focus no catálogo básico.

“Este posicionamento não gera canibalização entre os produtos e sim delimita aonde começa o posicionamento de um e termina o do outro. O cliente fica com a liberdade de escolher entre um produto de um segmento superior com menos opcionais, ou um carro do segmento anterior com uma maior gama de opcionais. Sobre o Fiesta Trail e o Focus são produtos destinados a diferentes perfis de consumidores e não competem entre si, apesar dos preços similares”, afirma. Procuradas, as marcas Volkswagen e Citroën não quiseram se pronunciar sobre o assunto.


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