Muita gente considera a compra de um automóvel uma das aquisições mais importantes na vida de uma pessoa. Na verdade, adquirir um carro novo só fica atrás da casa própria ou de uma empresa. Mas, dependendo do modelo escolhido, o consumidor terá de ter um pouco de paciência para realizar seu sonho. Não pelo dinheiro, mas pelo prazo de retirada do veículo zero-quilômetro de uma concessionária.
A recém-lançada linha Corsa 1.4 Econo.Flex, da Chevrolet, por exemplo, conta com uma fila de espera de cerca de 60 dias. Período que pode ser ainda maior na configuração "Sedan Premium" e no caso de sedã Prisma, que usa o mesmo motor 1.4 litro Econo.Flex. Em função disso, algumas autorizadas da marca não estão sequer reservando os pedidos de compra, com o receio de não cumprir com os prazos combinados com o cliente.
A situação em certas concessionárias Volkswagen é parecida. Quem quiser um Golf ou um Polo na versão Sportline, por exemplo, também têm prazo indeterminado para entrega. Contudo, o consumidor que pesquisar ou optar por uma configuração mais completa consegue achar concessionárias que prometem o “carro na mão” em 45 dias. Aliás, esse tempo é utilizado quase como uma “espera-padrão”.
Um levantamento realizado com concessionárias de São Paulo apontou que a maior parte delas trabalha com este período de entrega. As lojas da Fiat pedem este período nas gamas Palio 1.8 e Doblò e Idea Adventure. Outro que se enquadra é o Tiida, da Nissan. E quando não são os 45 dias, as marcas apelam para os 30 dias úteis.
É o caso de certas revendas da Ford. As versões mais equipadas do Fiesta — principalmente com a carroceria sedã e motorização 1.6 l —, o Fusion (equipado ou não com teto solar) e o Ka com o kit "SP" são vistos como “raridades”, assim como o Renault Logan.
O sedã, que chegou às concessionárias em meados do mês passado, tem filas de espera de aproximadamente 80 dias nas versões dotadas de motorização 1.0 l. Para a configuração 1.6, esse tempo de espera cai pela metade. Vale ressaltar ainda os acabamentos "Allure" e "Feline" com câmbio automático do Peugeot 206, que saem das autorizadas com um mês de espera, em média.
Circunstâncias
Para o consultor de mercado automotivo, Vitor Meizicas Filho, não existe uma razão para justificar a falta de veículos no estoque, mas vários fatores. O primeiro, e talvez o mais importante, é o crescimento da indústria automobilística.
“As estratégias de fornecimento adotadas pelas marcas, que cada vez mais racionalizam suas linhas de montagem, interferem bastante no volume de estoque. Como ninguém quer ficar com carro parado no pátio, alguns modelos acabam em falta num mercado que este ano surpreendeu praticamente todas as projeções”.
Algumas marcas, entretanto, vêm se adaptando às exigências dos consumidores. A Honda, que claramente não calculou corretamente o sucesso de seus veículos, concluirá as obras de ampliação de sua linha de montagem em Sumaré (SP) — onde são produzidas as linhas Civic e Fit — até o final do ano. Para este mês, a planta da marca japonesa passará de 460 para 550 veículos produzidos por dia.
Por outro lado, enquanto as reformas na fábrica não terminam, as versões com motor bicombustível equipadas com câmbio automático do Fit e do Civic são figuras raras nos showroons: entrega só para o final de setembro. Outra que vem intensificando suas atividades é a General Motors. A marca está acelerando a curva de produção da fábrica de Gravataí (RS) para conseguir atender aos pedidos do Celta e do Prisma.
De acordo com a montadora, a tendência da fila de espera é diminuir até o final do ano, pois em setembro a linha de montagem gaúcha chegará ao ritmo de produção de 230 mil unidades por ano. Além disso, a marca frisa que a espera pela linha Corsa 1.4 Econo.Flex está ocorrendo em virtude do lançamento do modelo e que, em breve, deve voltar ao normal.
A Fiat, por sua vez, afirma que a planta em Betim (MG) está operando quase com capacidade total. Prova disso foi a abertura no início do ano do terceiro turno de produção. Segundo informações da montadora italiana, diariamente são distribuídos mais de 2.500 veículos, volume que nem sempre é suficiente para satisfazer a procura por determinadas versões, mas ao mesmo tempo dá ao consumidor alternativas de modelos à pronta entrega.
A Volkswagen justifica a fila de espera em função da grande procura por configurações específicas. A marca reconhece que suas projeções foram superadas, mas garante que nos próximos meses a situação dos estoques será normalizada. A Ford não quis se pronunciar sobre o assunto.