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 NA HORA DA COMPRA O QUE VALE É O PREÇO10/06/2005 

Texto: Jairo Morelli
Fotos: Divulgação

Nada melhor do que comprar um carro zero quilômetro. Mas o que será que mexe realmente com a cabeça do consumidor na hora da compra? Segundo nossa reportagem apurou com diversas concessionárias, das principais marcas, o que vale, de verdade, é o preço. Ainda conforme apuramos, na maioria das vezes, não importa se tal modelo vai ter novo motor, ou ser reestilizado, o que mais pesa é o menor valor na hora de fazer o cheque. Em resumo, quem dita as regras no Brasil é o bolso. São poucos os clientes que optam pelos modelos renovados quando as versões descontinuadas têm desconto.

É unânime entre os vendedores de veículos de que a estratégia de vendas e a política de descontos, praticada pelas principais montadoras, com a chegada da linha 2006, vêm dando resultado. No caso da Fiat, por exemplo, a chegada da motorização Flex 1.4 litros (começou a ser vendida a cerca de três semanas), em substituição a 1.3 Flex, não gerou nenhum problema no desovamento do estoque. De acordo com as revendas da marca, não foi necessária nenhuma medida especial para vender os modelos 1.3.

   

Apenas a diferença de preço a favor da extinta versão 1.3 já foi suficiente para que os clientes optassem pelo mais barato. Atualmente, estes lojistas contam com pouquíssimas unidades em estoque, que chegam a custar aproximadamente R$ 2 mil a menos do que os 1.4 litro. Mas é importante salientar que o tiro pode sair pela culatra. Não se pode esquecer do fator desvalorização. Muitas vezes a economia na hora da compra pode representar prejuízo na revenda. Mas desde quando isso importa por aqui?

Além da nova linha Palio, o fabricante italiano também prepara o lançamento do novo Marea, que chegará renovado e com motorização 1.6, o que o deixará mais em conta e, conseqüentemente, aumentará seu volume de vendas. Vale a pena esperar. Já nas lojas Chevrolet são várias as novidades: os renovados Vectra, que chega em meados do segundo semestre; S-10 e Blazer, ambos programados para agosto; além da motorização 1.0 Flex dos modelos Celta, Corsa Classic e Novo Corsa - que, apesar da montadora não confirmar, deve chegar no início de julho.

   

Apesar da enxurrada de novidades, as concessionárias da marca afirmam ainda não ter sentido nenhum enfraquecimento nas vendas. A exceção fica por conta do novo Vectra, que, por já ter sido anunciado há algum tempo, vem registrado queda substancial nos últimos meses. Mesmo assim, a General Motors prepara para os próximos dias 18 e 19 um feirão de fábrica com a intenção de desovar, o mais rápido possível, o estoque de modelos 1.0 a gasolina.

Na Renault a situação é um pouco distinta. A rede de concessionárias paulistanas conta com apenas uma unidade do Mégane Sedan argentino. E isto já se arrasta a cerca de três meses em razão da chegada da nova versão do modelo, programada para agosto. Neste caso, nem que o consumidor queira, encontrará o sedã à disposição. E esta única unidade restante é da versão Privilége com câmbio automático, que sai por R$ 62.500. Valor bem abaixo do que deverá custar a nova versão fabricada em São José dos Pinhais.

 

Outro fabricante a viver situação parecida é a Peugeot. Dois meses após lançar a motorização 1.6 Flex para a linha 206, as revendas da marca já venderam praticamente todas as unidades restantes a gasolina. Durante o período, a diferença de preço chegou a R$ 2 mil, o que facilitou o desovamento do estoque. De acordo com uma concessionária da marca, no bimestre, a preferência foi por modelos 1.6 a gasolina, o que demonstrou, por mais incrível que pareça, ainda uma certa desconfiança do consumidor com os modelos "flexíveis". Ainda segundo o mesmo lojista, restam poucas unidades a gasolina, porém, estas podem chegar a custar até R$ 3,5 mil a menos.

A Mercedes-Benz também se prepara para período de vacas magras. Em agosto começam a desembarcar por aqui as primeiras unidades do Classe A, que deixará de ser produzido no país. As concessionárias da marca já acusam certa redução no volume de vendas e projetam para os próximos meses queda ainda maior. A justificativa está no preço muito mais alto da versão européia do modelo, que chegará custando a partir de R$ 120 mil. Apesar do valor salgado para os padrões brasileiros, trata-se de um carro totalmente diferente do atual e que irá figurar em segmento superior. Quem quiser já pode encomendar o novo rebento alemão.


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