Mais de quinze anos depois do presidente Fernando Collor de Mello ter declarado que os carros brasileiros eram verdadeiras carroças, alguns modelos nacionais passam a estar novamente defasados em relação aos europeus, norte-americanos e japoneses. Os exemplos do atraso brasileiro são vários. Basta verificar como são as versões européias dos nossos Vectra, Golf, Audi A3, Scénic, Astra, Focus, entre outros. Sistemas sofisticados, como faróis direcionais e navegação por satélite estão longe de realidade brasileira. Mas há esperanças desse cenário melhorar.
Alguns fabricantes de peças adiantaram que alguns componentes de última geração vão estar disponíveis em modelos fabricados no Brasil dentro de três anos. Além disso, há carros mais modernos em vista, como os novos sedãs Mégane e Vectra, que devem chegar até o fim do ano. E quando o assunto é carro pequeno, temos exemplos de modernidade, como Fox, C3 e Fit. Nossa tecnologia que permite o uso de álcool e gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção, também merece elogios e tem sido alvo de interesse de outros países.
Mas, para se ter uma idéia da desafagem tecnológica da maioria de nossos modelos, podemos começar pelo Golf, cuja quinta geração está disponível na Europa desde o fim do ano retrasado com uma série de itens não disponíveis na versão fabricada em São José dos Pinhais (PR). Entre os quais, destacam-se novo sistema de controle de estabilidade (ESP), que envia pulsos elétricos à direção para que o motorista possa corrigir a trajetória esterçando o volante. Enquanto isso, o Golf nacional deve receber apenas retoques visuais para continuar em linha até, pelo menos, 2007. Não há previsão da chegada da versão européia por aqui. Se vier, o carro deverá ser importado do México.
Outro exemplo fica por conta do Audi A3, cuja recém-lançada versão européia conta com o novo motor FSI, que combina injeção direta de gasolina com turbo. No Brasil, o modelo da marca alemã deixará de ser produzido em São José dos Pinhais (PR) em meados de 2006. Antes disso, no início do ano que vem, nosso mercado deve começar a receber o novo A3 europeu, importado da Alemanha. O problema é que carro chegará com preço acima dos R$ 100 mil.
A Mercedes-Benz não confirma o encerramento da produção do Classe A em Juiz de Fora (MG), nem a importação da nova geração, vendida na Europa desde meados do ano passado. Além de maior e com linhas totalmente renovadas, o novo Classe A conta como principais novidades o sistema de amortecedores seletivos, câmbio seqüencial de seis marchas Autotronic, além de ar-condicionado automático Thermatronic (que detecta parâmetros como nível de umidade e poluição), rádio com sistema de navegação e mostrador multifunção.
Outro exemplo do nosso atraso fica por conta do já ultrapassado Astra: na Europa, a Opel (subsidiária da GM) incorporou ao carro uma nova geração de faróis de xenônio, controlados por processador eletrônico ligado a sensores e até ao sistema de navegação por satélite. Isso para agir por antecipação quando for preciso iluminar caminhos sinuosos. No Brasil, o Astra Sedan não tem perspectivas de mudanças. Mas o modelo atual deverá servir de base para o sedã que vai substituir o Vectra no Brasil até o final do ano, porém sem a sofisticação do modelo equivalente vendido na Europa.
Uma dos raros casos de modelos em sintonia com o mercado europeu é novo Mégane nacional, que chega entre o final deste ano e o início de 2006. A marca afirma que o carro trará sistemas tecnológicos avançados, mas não divulga quais. Por enquanto, só adianta que este será o primeiro modelo nacional a incorporar acionamento do motor e travamento/destravamento das portas por meio de cartão. O recurso foi herdado do importado Laguna.
Apesar da estagnação das montadoras, os fabricantes de peças têm algumas notícias boas para nosso mercado. A Delphi promete lançar, para modelos fora de estrada, o Autoride. O sistema promove controle totalmente automatizado do veículo, agindo no amortecedor, na suspensão e na carroceria. A empresa ainda lançará para o mercado automotivo brasileiro um rádio portátil via satélite. Entretanto, a Delphi afirma que estes sistemas só estarão disponíveis entre 2007 e 2008.
A Bosch também tem uma novidade para o Brasil: o ABS 8.1. Trata-se de uma versão avançada do sistema de freios, que promove melhorias na parte eletrônica do modelo e oferece menor trepidação quando acionado. O recurso será lançado por aqui entre 2006 e 2007. Mesmo com esses novos sistemas tecnológicos, a maioria dos modelos nacionais parece que deve ficar defasados em relação às versões correspondentes vendidas na Europa, Estados Unidos e Japão. Assim, apenas os caros modelos importados trarão novos benefícios aos consumidores.