Texto: Jairo Morelli
Fotos: Divulgação
Dia 21 de dezembro começa o verão. Estação perfeita para a prática de esportes náuticos, viagens para o litoral, passear de carro conversível, entre outras atividades. Tudo isso se encaixaria perfeitamente se não estivéssemos falando de um país como o Brasil, onde o índice de criminalidade e, conseqüentemente, a insegurança crescem em níveis assustadores a cada ano, freando possibilidades, paixões e prazeres. Um dos segmentos que mais sentiu - e ainda sente - na pele os efeitos do aumento da bandidagem é o automotivo.
Para comprovar essa situação basta voltar um pouco no tempo, mais precisamente para a década de 80, e comparar o parque automotivo nacional da época com o de hoje. Há mais ou menos vinte anos atrás a quantidade de automóveis conversíveis nacionais era extensa. Os interessados podiam encontrar nas lojas modelos como Escort XR3, Kadett GSi, Puma, Miura, MP Lafer, Adamo, Fera XK, entre outros. Isso sem contar os importados. Mas eram outros tempos, outra realidade.
Os anos passaram e o cenário mudou drasticamente. Por incrível que pareça, apesar do clima tropical, atualmente não existe nenhum modelo nacional conversível de série. As opções ficam por conta dos caríssimos importados Mercedes SLK e SL, BMW Z4, Audi TT e A4 Cabriolet, Porsche Boxster e Carrera, entre outros, que partem dos R$ 200 mil em diante. Modelos mais baratos são oferecidos por apenas uma marca, a Peugeot. O fabricante francês comercializa por aqui o 206 cc e 307 cc. O primeiro pode ser adquirido na faixa dos R$ 80 mil e o segundo por aproximadamente R$ 130 mil.
Mas se o seu bolso não se enquadra aos modelos listados acima, ainda existe solução, apesar da falta de divulgação. A empresa Sulam é uma das poucas que restou no mercado que promete transformar tanto o popular Ford Ka, quanto o quase cinqüentenário Fusca, em conversível. De acordo com Givaldo Silva, responsável pela área técnica e de desenvolvimento da empresa, a transformação - que inclui reforço da carroceria, pintura personalizada para exterior e interior, além de pára-choque dianteiro, par de sais laterais e tampa traseira, todos em fibra de vidro - do Ka sai por R$ 15 mil e a do Fusca US$ 12 mil.
De acordo com Silva, o serviço demora aproximadamente setenta dias no caso do Ka e cem dias para o Fusca. Mesmo se tratando de uma das poucas empresas do segmento no mercado brasileiro a procura ainda é pouca. São apenas cerca de três transformações/mês em época de verão. "No inverno a procura diminui ainda mais", afirma Silva. Para o ano que vem, existe a possibilidade da empresa incorporar ao seu portfólio o também popular Celta. Entretanto, a viabilidade do negócio depende do fechamento de parceria com uma concessionária Chevrolet, que bancaria o desenvolvimento de algumas unidades. Fato semelhante chegou a acontecer com a Ford, que apesar de realizar visitas na fábrica da Sulam e atestar a qualidade do processo, preferiu engavetar o projeto de fabricar cerca de trinta unidades do Ka, que seriam distribuídas pelas revendas da marca no país.
Tirando os modelos convencionais, as opções ficam por conta das réplicas de Porsche fabricadas pela empresa Chamonix, que custam entre R$ 52 mil e R$ 57 mil. Considerada uma das melhores empresas do ramo, ela comercializa cerca de 120 unidades/ano. O número impressionaria se, do total, aproximadamente 110 unidades não fossem para o mercado externo. "Nosso negócio é praticamente só exportação. Mesmo assim jamais abandonaremos o mercado nacional", afirma Newton Mastegin, proprietário da empresa. Entre os modelos mais vendidos pela Chamonix estão Spyder 550, Spyder 550 S e Speedster S. O prazo para fabricação dos carros, segundo Mastegin, é de cerca de 60 dias para Brasil e 120 dias para exterior.
Além dos seis modelos próprios, a Chamonix ainda é responsável pelo fornecimento da carroceria de outro conversível nacional, porém, ainda em fase final de desenvolvimento. Trata-se do Lobini, esportivo apresentado oficialmente durante o Salão do Automóvel de São Paulo de 2002, que terá sua primeira unidade entregue somente em abril de 2005. Segundo Eduardo Menga, diretor superintendente da Lobini, a demora para finalização do projeto deve-se a algumas mudanças no processo de fabricação do carro, que será totalmente produzido na nova fábrica da empresa, em Cotia (SP), com inauguração prevista para o mês que vem. O modelo, que chegará custando algo entre R$ 140 mil e R$ 150 mil, já conta com 56 encomendas, que serão efetivadas gradativamente a partir de abril. Na nova unidade serão produzidas entre quatro e oito unidades/mês, entretanto a capacidade pode superar as dez unidades.
Mas é impossível falar destes carros sem pensar na segurança. Para se ter uma idéia da peculiaridade do segmento, excluindo-se os importados, atualmente não existe nenhuma seguradora que aceite segurar logo de cara estes modelos especiais. A única empresa que se dispõem a analisar determinados casos é a Chubb. Entretanto, a possibilidade limita-se a situações onde a pessoa já é cliente da empresa e, mesmo assim, cada caso é estudado individualmente. Portanto, se você é um desses corajosos de plantão, arrisque-se a sair por aí sem capota, caso contrário, mantenha os pés no chão, ou melhor, com cobertura sobre a cabeça.
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