Os primeiros modelos importados na década de 90, que já foram símbolos de "status", perderam muito valor e atualmente sofrem com falta de assistência e peças. Sofisticados e com linhas que chegam a seduzir nas lojas de usados, esses carros parecem verdadeiras pechinchas, mas é preciso estar ciente das dificuldades que podem aparecer em pouco tempo, como os custos de manutenção e seguro, algumas vezes com preço proibitivo. Acompanhe a seguir um retrato do que envolve ter um importado que deixou de ser trazido para o Brasil.
Encontrar peças originais para alguns importados, da parte mecânica ou de lataria, no mercado de reposição, é cada vez mais difícil. Atualmente, encontrar componentes para modelos como Daihatsu Feroza, Suzuki Samurai, Daewoo Espero, Hyundai Accent, Alfa Romeo 164, entre outros, é tarefa semelhante à busca por tesouros desaparecidos. Isso, sem contar o preço das "relíquias" frente ao baixo valor de mercado destes automóveis, que ficam em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil.
Mesmo assim, existem algumas empresas especializadas no fornecimento destas peças, sejam importadas ou originais, do mercado paralelo ou até mesmo recondicionadas.
Os automóveis asiáticos como os mais complicados para encontrar peças na reposição. O volume de componentes originais dos veículos provenientes do Oriente é quase zero. O que se encontra por aí é do mercado paralelo, comprado de automóveis leiloados, batidos ou com alto valor de multas.
Uma empresa do ramo é Anchieta Imports. Esta só trabalha com peças usadas ou recondicionadas. De acordo com o vendedor Sérgio Ricardo Rodrigues, além das peças adquiridas por meio de leilão de carros batidos, ou de automóveis com alto valor de multas, trata-se de um segmento onde o "boca-a-boca" é a alma do negócio. "Se eu não tiver a peça solicitada no estoque, pego minha lista de contatos e começo a ligar para todos", diz Rodrigues.
Segundo Rodrigues, entre os modelos mais difíceis de achar peças está o Chrysler Stratus 6 cilindros - que apresenta queima do módulo com facilidade (só o módulo custa R$ 2.500 e o distribuidor R$ 1.800) -, Honda Accord, que tem um dos câmbios automáticos mais difíceis de achar (custa cerca de R$ 2.500), e Cherokee, para o qual também é difícil encontrar câmbio e diferencial (o primeiro não sai por menos de R$ 4.000 e o outro por R$ 2.800). Rodrigues ainda disse ser complicado montar grande estoque de peças para estes carros, já que a procura é pequena e a quantidade existente no mercado também. "O jeito é ir atrás depois do pedido do cliente", completa.
Além das lojas independentes e das importadoras, o consumidor, em alguns casos, pode tentar encontrar a peça original diretamente nos concessionários. O proprietário de um Tigra 98, por exemplo, consegue encontrar nas revendas Chevrolet a maioria dos componentes desse pequeno cupê. Os preços, entretanto, não são muito animadores: Pára-choque dianteiro completo sai por R$ 3.784, farol R$ 1.115 cada um, amortecedor dianteiro completo R$ 1.858 e pastilha de freio R$ 1.038. Segundo as revendas consultadas, caso a peça não esteja disponível no estoque é feito um pedido para a General Motors, que entrega em no máximo três dias.
Nas concessionárias Volkswagen também é possível encontrar peças para o Golf GTI 94. O pára-choque custa R$ 1.950, o farol sai por aproximadamente R$ 750, amortecedor R$ 900 e pastilha de freio R$ 310. Em caso de falta de peça em estoque, o prazo de entrega é de cinco a seis dias. Na Ford, os proprietários de uma Explorer 96 também têm vez, apesar do alto custo de manutenção. O pára-choque pode ser comprado por cerca de R$ 2.150, o farol por R$ 850, amortecedor por R$ 940 e pastilha de freio por 366.
Nas revendas Fiat, peças para o Cupê 95 são difíceis de achar. Mesmo assim, as lojas se comprometem em conseguir as peças com a montadora. "Se não tiver em Betim (MG) a gente traz da Itália, afirmou um representante da área de peças de uma das concessionárias da marca." De tabela, um pára-choque dianteiro do Cupê sai por R$ 1.923, faról por R$ 1.892, amortecedor por R$ 428 e pastilha de freio (que é a mesma do Marea) por R$ 213. De acordo com as concessionárias, se a peça estiver disponível no estoque da fábrica mineira o prazo de entrega é de seis dias. Caso contrário, é impossível determinar prazo.
Os desmanches são outras fontes alternativas para aquisição de peças. Apesar de totalmente informais e com poucas referências de procedência, os desmanches muitas vezes acabam sendo a última cartada de proprietários desesperados. Mesmo nesses lugares, a dificuldade em encontrar componentes para automóveis importados mais antigos também é muito grande. A maneira utilizada por estas empresas para encontrar peças de reposição é praticamente a mesma das utilizada pelas lojas convencionais. A diferença fica por conta da aquisição de carros batidos provenientes de seguradoras.
Se não bastasse o alto custo de manutenção, os importados mais antigos tem preço do seguro de assustar. E vale lembrar que, em determinados casos, o seguro depende de aprovação da seguradora. No caso da Porto Seguro existem algumas restrições. O seguro para automóveis de passeio, picapes leves e esportivos só é autorizado para modelos produzidos após 1993. Para picapes importadas pesadas o ano limite também é 1993 e para os chamados modelos especiais só superior a 1995.
O valor do seguro de um Tigra 98, calculado sobre o perfil de um jovem de 24 anos, solteiro, sem filhos, com residência em prédio e sem antecedentes recentes de acidentes fica em torno de R$ 5.350 e a franquia em R$ 2.890. A cobertura envolve colisão, incêndio e roubo. Para danos materiais, fica assegurado R$ 30 mil e para danos corporais outros R$ 30 mil. Com base no mesmo perfil usado acima, o seguro de um Golf GTI 1994 fica em R$ 4.992, com franquia de R$ 1932. O seguro de um Cupê 95 sai por R$ 7.930 e franquia R$ 2.898 e de um Explorer XL 96, R$ 5.568, com franquia de R$ 1.932.
SERVIÇO
Anchieta Imports
Via Anchieta, 1933
Sacomã, São Paulo.
Telefone: 6947-1936