O Chile é conhecido por ter um dos mercados automotivos mais abertos e competitivos do mundo. O país, que tem 15,6 milhões de habitantes, possui uma demanda de cerca de cem mil veículos ao ano. Lutando por sua fatia nesse mercado, mais de 37 marcas disputam a preferência do consumidor e oferecem uma das mais amplas gamas de veículos do mundo, muitos deles importados do Brasil.
Um dos anos de ouro do mercado automotivo chileno foi 1997, no qual foram emplacadas mais de 175 mil unidades de veículos de passeio e comerciais leves. Depois de um período de crise, que chegou ao auge em 2001 com a venda de cerca de 98 mil veículos, o mercado automotivo local passa atualmente por uma fase de recuperação. Para acelerar esse processo, a Associação Nacional Automotiva do Chile, Anac, está fazendo uma campanha agressiva para estimular a compra de carros zero quilômetro e melhorar as condições na oferta de veículos ao consumidor.
Segundo a entidade, esse é o melhor momento para a aquisição de carros novos, pois as taxas de juros atuais são as mais baixas da história da indústria chilena. Além disso, os financiamentos de automóveis estão sendo facilitados e o dólar está em um patamar favorável, condição fundamental para um mercado em que praticamente 100% dos veículos são importados.
O presidente da Anac, Roberto Maristany, ressaltou a importância de apresentar ao público as facilidades de financiamento, a queda nos preços e as novas tecnologias empregadas nos veículos, para ativar o mercado interno. Nos últimos cinco anos, os veículos comercializados em solo chileno receberam avanços tecnológicos e itens de segurança, sem ter seu custo agregado ao preço final. Dos veículos vendidos esse ano no Chile, estima-se que 22% possuam freios ABS e 39% airbags.
Parece impossível, mas muitos carros custam mais barato hoje que há cinco anos. O Chevrolet Corsa Swing 1.6 é um deles. Em 1998 o modelo custava o equivalente a US$ 8.764 e hoje pode ser encontrado nas revendas da marca por US$ 5.626, o mesmo preço de um de seus concorrentes, o Fiat Palio. A política de preços praticada no Chile realmente surpreende. O preço dos veículos chega a ser inferior no mercado chileno que o praticado em seu país de origem. O Peugeot 206, por exemplo, importado da França, onde custa o equivalente a US$ 13.693, é vendido por US$ 8.014 no Chile.
A participação de veículos importados do Brasil aumentou 7,3% em 2003, passando de 10,7% em 2002 para 18% em 2003. Os familiares Audi A3, Chevrolet Corsa, Astra e S-10, Fiat Palio, Strada, Siena, Fiorino e Stilo, Ford Ka e Fiesta, Honda Civic e Fit, Renault Clio, Volkswagen Gol, Polo, Golf e Saveiro produzidos no Brasil, são facilmente encontrados em ruas e rodovias chilenas, mas não é preciso olhar muito além para ver que as semelhanças param por aí.
A enorme gama de veículos oferecida no Chile inclui veículos da Daihatsu, Mazda, Mini, Rover, Samsung, Saab e Skoda, carros que muitos brasileiros gostariam de ter. O Toyota Yaris, vice-líder de vendas no mercado chileno, não é vendido por aqui, assim como o Ford Escape, a Chevrolet TrailBlazer e o mini Cooper S, a nova sensação do mercado automotivo chileno. O pequeno gigante de 163 cavalos é importado da Inglaterra e encontrado no mercado local por US$ 38 mil.
A crescente oferta de novidades de carros de passeio fez com que o segmento disparasse nas vendas em relação aos comerciais leves. A divisão do mercado, que antes se mantinha na média de 65% para carros de passeio ante 35% para comerciais leves hoje atinge a marca de 75% de automóveis e apenas 25% de comerciais leves. Segundo executivos do setor, a popularização do acesso ao automóvel também contribui para esse quadro, além de fazer com que carros mais baratos como o Chevrolet Corsa, Toyota Yaris e Fiat Palio liderem o ranking de vendas.
Os esforços da Anac parecem estar surtindo efeito. Segundo a entidade, no mês de novembro 10.573 unidades de automóveis e comerciais leves foram vendidas no mercado chileno, um aumento de 11,4% em relação a novembro do ano passado, em que 9.490 unidades foram comercializadas. No acumulado de janeiro a novembro foram vendidos 108.414 veículos zero quilômetro, um crescimento de 17,6% em relação a igual período de 2002.