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Clássicos
18º Encontro Nacional de Automóveis Antigos
27/05/2008
Araxá, em Minas Gerais, vira palco para obras de arte sobre rodas
Texto e Fotos: Marcelo Goto
Vídeo: Vinícius Zucatelli
A cidade de Araxá, no interior de Minas Gerais, não é conhecida apenas pelas fontes de águas medicinais ou pela história de Dona Beja (isso mesmo, sem a letra "i"), bela cortesã que viveu na região no século 19. A paixão por automóveis antigos também faz parte do cotidiano local. A cada dois anos, o município, distante cerca de 600 quilômetros de São Paulo, serve de palco para o Encontro Nacional de Automóveis Antigos/Brazil Classics Fiat Show, que neste ano chega à sua 18ª edição. A mostra, que teve início na quinta-feira (22) e terminou domingo (25), exibiu 322 raridades diante do pátio do Ouro Minas Grande Hotel e Termas de Araxá, sede do evento. Assim como nas edições anteriores, o encontro se destaca pela invejável qualidade dos veículos expostos, que o equipara às principais mostras internacionais, como Pebble Beach Concours d'Elegance, em Monterrey, na Califórnia, Estados Unidos, e o Villa d'Este Concorso d'Eleganza, realizado em Tivoli, próximo de Roma, capital italiana.
Logo na entrada, os visitantes puderam conferir de perto preciosos exemplares Graham-Paige e Studebaker das décadas de 1930 e 40, além de um raro Facel Vega HK500, de 1958. O modelo, fabricado na França na década de 1950, é equipado com um motor Chrysler Hemi 5.8 litros V8, capaz de entregar 325 cavalos de potência. Na ala esquerda da exposição, o principal destaque ficou por conta do Spazio Itália, que reuniu 40 automóveis de origem italiana, entre eles 18 modelos Ferrari e um Iso Griffo, 1965, outro europeu com mecânica americana, mais precisamente um motor V8 Chevrolet. Os esportivos da marca do "Cavalino Rampante" eram os principais alvos das câmeras fotográficas dos visitantes, em especial um F40 1990 e um Testa Rossa 1973. A frota de Maranello era formada ainda por lendários modelos Daytona, incluindo um 365 GT/4 1973, Dino - 246 1974, 246 GTS 1973 e 246 GT 1973 -, 355 Berlineta e 330 GTC, entre outros clássicos.
Adiante, ainda na ala da esquerda, era possível ficar frente a frente com representantes dos muscle-cars, como Ford Mustang e Dodge Charger e Three Hundred, dos anos 1970. Mais ao fundo estavam alguns ícones da indústria automotiva brasileira das décadas de 60 e 70, como os Ford Maverick e Galaxie, e Chevrolet Opala, incluindo versões Comodoro, Gran Luxo e Coupe. Entre eles estavam alguns modelos Volkswagen - Fusca, Kombi, SP2 e TL - além de um belo Interlagos Berlineta 1964, pintado de azul metálico. Quase escondidos em um canto do pátio estavam duas simpáticas viaturas da Polícia Militar Rodoviária, "trajadas" de uniforme azul e amarelo: um Fiat 147 1979 e um Fusca 1300 1974. Este ostentava um folclórico enfeite de caranguejo no pomo da alavanca de câmbio. Ao lado, uma fileira formada por cinco conversíveis exóticos Concorde, nas cores verde, amarelo e vermelho, também chamou a atenção dos visitantes.
A ala da direita exibia mais automóveis norte-americanos que marcaram época, como um grupo de Chevrolets Corvette. Entre eles, quatro modelos Stingray e um raríssimo exemplar da primeira geração, fabricado em 1954. A Rolls-Royce esteve presente ao evento com nove modelos Corniche, a maioria deles da década de 70. A marca de carros de luxo britânica também foi representada por reluzentes modelos Phantom V 1967, Silver Cloud III 1934 e Silver Wraith 1954, que ocupavam lugares de destaque na mostra. A edição deste ano do também marcou o Cinqüentenário da chegada da Simca ao País. Para comemorar, o evento contou com a participação de 18 exemplares do Simca, nas versões Chambord, Esplanada, Esplanada GTX, Tufão, Rallye e Presidence. Um dos garotos-propaganda da marca francesa no Brasil, o ator Carlos Miranda, que interpretou o protagonista da série de tevê "O Vigilante Rodoviário", exibida pela TV Tupi na década de 1960, também prestigiou o encontro.
Diante da entrada principal do hotel, estavam clássicos cobiçados por colecionadores, incluindo três Mercedes-Benz 300SL - dois roadster, um 1960 e um 1958, e um raro cupê "Gullwing" ("Asa de Gaivota"), prateado, 1955. Divindindo espaço no tapete vermelho estavam um De Dion Bouton "Vis a Vis", de 1902, o veículo mais antigo licenciado no Brasil, e belos exemplares Packard dos anos 20, 30, 40 e 50. Um raro Isotta Fraschini, 1927, que pertenceu ao aviador João Ribeiro de Barros, até então inédito em exposições foi um dos destaques da mostra. Em 1927, Barros realizou a primeira travessia aérea, sem escalas, do Oceano Atlântico. Mas o troféu de vencedor da 18ª edição do Encontro Nacional de Automóveis Antigos ficou para um Daimler Straight Eight Sedanca 1939, uma verdadeira obra de arte sobre rodas. Entre os exemplares exóticos podemos destacar um carro funerário Chevtrolet Tigre, de 1935, adornado por imagens de santos na carroceria, e um carro de bombeiro Seagrave, fabricado em 1920.