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 Clássicos

 Encontro Paulista de Autos Antigos chega a sua 13ª edição24/04/2008 

 Mostra de antiguidades automotivas reúne desde clássicos europeus, americanos e nacionais
Texto: Fernando Garcia
Fotos: Mariana Muoio

Referência para colecionadores de automóveis antigos e apreciadores que buscam um fim de semana diferente com a família, o Encontro Paulista de Autos Antigos, que acontece todos os anos em Águas de Lindóia, cidade situada a 170 quilômetros de São Paulo é um dos mais aguardados pelo público. Os organizadores estimam que cada edição do evento receba mais de 200 mil visitantes e uma média de 500 automóveis clássicos entre nacionais, americanos, europeus e japoneses.

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Desde 1996, quando a exposição era realizada em Águas de São Pedro, também no interior do Estado de São Paulo, até hoje, o evento não parou de crescer e inclusive já é conhecido na Europa. Colecionadores vindos de todos os cantos do Brasil cruzam País com suas relíquias a bordo de caminhões cegonha ou até mesmo rodando pela estrada, provando que apesar de ser um modelo antigo, ele ainda tem fôlego para encarar uma viagem, seja qual for o destino.

Nossa cobertura do evento começou às 6 h do último dia 19, ainda em São Paulo, de onde partimos rumo à cidade das águas termais. Ao chegar ao destino, notamos um público generoso. Nossa visita começou pelo espaço destinado aos caminhões antigos. Lá conferimos de perto diversos modelos da GMC dos anos 1951, 1952, 1957, 1974, passando por exemplares do Chevrolet 6400, de 1950, Brasil, de 1961, e D60, de 1974. Modelos da Volkwagen, como um não tão antigo 7-110 S, de 1988, e um Scania Vabis 1963, também marcaram presença na mostra. Um Fiat 180 N3, de 1978, foi flagrado carregando um GMC 1962 azul, nas "costas".

   

O ator Carlos Miranda, que interpretou o inspetor Carlos no seriado de tevê "O Vigilante Rodoviário", exibido nas décadas de 1960 e 70, também estava lá. Na trama, que ia ao ar às quartas-feiras, em São Paulo, e às quintas, no Rio de Janeiro, pontualmente às 20 h, após o telejornal Repórter Esso, Carlos e seu fiel cão Lobo se aventuravam sempre à bordo de uma moto Harley Davidson 1952 ou de um Simca Chambord 1959. O seriado foi exibido também pela extinta TV Excelsior e pelas emissoras Cultura, Globo e Record.

A Praça Adhemar de Barros, no centro de Águas de Lindóia, serviu de palco para clássicos nacionais fabricados pela VW, entre eles, várias unidades do Fusca. Um dos mais curiosos era um simpático Fusca "Pé-de-Boi" 1966, na cor azul pastel. “Este modelo era desprovido de acessórios como frisos e aros de faróis cromados, setas, marcador do nível de combustível, tampa do porta-luvas", descreveu Ervin Moretti, diretor do Fusca Clube do Brasil. A Renault também mostrou seu exemplar espartano no evento, um "Teimoso" 1966, marrom. Ambos são representantes da política do então presidente Castelo Branco, que criou incentivos fiscais para motivar as montadoras a fabricar modelos simplificados, mais baratos, para que pudessem servir às populações do interior do País e também taxistas.

De volta aos “besouros”, conferimos de perto dois raros VW Sedan (este era o nome dado ao Fusca no mercado germânico) "Split Window", de 1953. Um deles exibia teto-solar de lona, um opcional de época. Não menos simpático, nos deparamos com um Fusca 1974, verde Hippie, apelidado carinhosamente de "Horácio", em alusão ao personagem pré-histórico da Turma da Mônica.

Apesar da aparência geral autêntica, que na gíria antigomobilista é chamada de “Testemunho de Época”, um belo VW Sedan de 1952 aparentava vigor mesmo com mais de 55 anos de história. Merecem destaques as entradas de ar instaldas nos pára-lamas, para ajudar na refrigeração interna. O modelo alemão chegou à cidade de Pirassununga, no interior do Estado, completamente desmontado (CKD, Completely Knocked Down), em 1952. Seu atual proprietário, Manuel Pereira de Godoy, adquiriu o veículo de Dauzízio dos Santos. Godoy é colecionador de Fuscas e um dos 30 primeiros a ter na garagem um dos primeiros modelos a desembarcarem por aqui.

   

Além de Fuscas, o público pode apreciar diversos clássicos das décadas de 1960 e 70, como Brasília, Variant, TL, Passat, SP2, VW 1600 (apelidado de "Zé-do-Caixão"), Kombi, Karmann Ghia - inclusive um raro modelo alemão de 1968 -. Além dos fora-de-série Puma, Adamo e um alegre Dacon PAG Nick, de 1984. Este modelo foi desenhado pelo designer Anísio Campos e suas linhas foram inspiradas no Porsche 928. Seu motor 1.8 litro era o mesmo da família Gol dos anos 80.

Da Willys Overland do Brasil, diversos Aero Willys e Itamaraty ilustraram a 13ª edição da exposição. Junto a ela os Simca Chambord, clássico que virou letra de música, graças à banda de rock nacional Camisa de Vênus, entraram no “ritmo” junto a outras versões do Simca como o "Tufão", o "Jangada" e "Presidence". No espaço destinado aos "muscle cars" brasileiros, representado pelo Mopar clube do Brasil, diversos Charger R/T, Challenger e Dart marcaram presença. Um imponente Charger americano verde escuro e um Magnun azul, de 1980, foram os destaques.

O Clube do Opala de São Paulo não poderia deixar de mostrar seus modelos, como faz todos os anos. Entre as raridades estavam uma variante Limousine, produzida pela empresa Avallone, além dos míticos SS, SS4 de Opala e Caravan. Os mais singelos Standard não deixavam de ter seu brilho próprio e exibiam suas linhas simples e clássicas.

Entre os Cadillac havia um raríssimo Calais Coupé marrom, de 1974, que exibia com orgulho a sua boa forma com apenas 10 mil quilômetros rodados. Além deste, completavam a família diversos modelos das Séries De Ville (1954, 1973 e 1974); 62, de 1958; conversível, de 1954; Fleetwood, de 1950; além de um La Salle Sedan, de 1939.

No lado europeu do Encontro, chamavam a atenção do público os cobiçados esportivos, principalmente os alemães da Porsche representados por um 914, de 1974; e unidades 911, de 1974, de 1976 e 1980. Dois Opel GT - um de 1969 e outro de 1970 - completavam a ala germânica. Entre os italianos, um Ferrari Dino 1974 e um 365 GT4 BB ("Berlinetta Boxer"), também de 1974, dividiam espaço com um Maserati Merak 1973 e um Alfa Romeo Giulia GT 1300 1968. Quem teve a oportunidade de ir ao XIII Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia não se arrependeu.


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