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 MODELOS RAROS SÃO EXPOSTOS EM SÃO PAULO31/01/2005 

Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação

Em março de 1955 era apresentado oficialmente o BMW Isetta, modelo que, apesar da aparência frágil, foi considerado o responsável pela sobrevivência da marca alemã sediada em Munique depois da Segunda Guerra Mundial. Além disso, o carrinho também foi fabricado no Brasil, mais exatamente em Santa Bárbara d´Oeste, no interior de São Paulo, entre 1956 e 1961, ano em que teve sua produção encerrada, fechando com cerca de 3 mil unidades vendidas. Vítima de um decreto que previa incentivos fiscais para carros maiores, o Isetta nacional poderia ter tido aqui todo o sucesso conseguido no mercado europeu.

O nome Isetta vem do diminutivo de Iso, fábrica de motonetas e refrigeradores que entrou no ramo de automóveis com o carrinho de linhas curiosas em 1953. Dois anos depois, a BMW apresentou oficialmente o Isetta na Alemanha, com motor de 245 cc de cilindrada, motor de apenas um cilindro e 12 cavalos de potência. Com formato de ovo, o carrinho tinha a porta na parte dianteira, onde também ficavam os faróis e o pequeno pára-brisa. De ponta a ponta o Isetta tinha 2,3 metros de comprimento, daí a facilidade com que era estacionado e manobrado nas estreitas ruas européias. Na traseira, mais uma curiosidade: as pequenas rodas do eixo ficavam tão juntas que o diferencial era dispensável.

   

O que também chamava a atenção nesse pequeno BMW era o volante, companheiro inseparável da porta dianteira, já que com ela vinha junto quando estava aberta. No pára-brisa, havia um pequeno limpador que tentava remover a água da chuva, ou melhorar a visibilidade em trechos sob neblina. A tração traseira contribuía com a visibilidade, uma vez que deixavam as rodas da frente livres apenas para os movimentos do sistema de direção, cuja coluna separava o motorista do passageiro. Os freios eram a tambor nas quatro pequenas rodas de 10 polegadas de diâmetro e sofriam um pouco para parar o carro, que atingia 85 km/h e pesava 360 kg.

Para quem zombava do tímido desempenho do Isetta, a BMW informava que um casal conseguiu ir da Sicília (Itália) à Suécia em 62 horas. Além disso, o carrinho também participou da tradicional prova italiana "Mile Miglia" em que o piloto dirigia a uma velocidade média de 70 km/h, marca que pode parecer modesta, mas está apenas 15km/h da máxima, o que significa que o carro conseguia ter boa estabilidade nas curvas e retomar com certa rapidez.

Mas se mesmo com esses argumentos o cliente não estivesse convencido, em 1956 a marca alemã oferecia a versão 300, com motor de 298 cc e 13 cavalos, potência que aumentou para 19,5 cv dois anos depois, quando foi lançado o modelo 600, dois cilindros, seguido pelo 700, em 1959. Apesar das novas opções de motorização, o BMW Isetta teve a produção encerrada em maio de 1962, com um total de 162.728 unidades fabricadas.

   


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