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 Gurgel Moto-Machine30/03/2004 

 O dois em um
Texto e fotos: Carlos Guimarães

Já pensou num carro com a economia e a sensação de liberdade que uma moto pode dar? O fundador da Gurgel Motores, o engenheiro João Gurgel, sim. E decidiu por sua idéia em prática em 1992, quando foi lançado o Moto-Machine, modelo com portas transparentes e pára-brisa rebatível, o que faz o vento soprar no rosto com o carro em movimento. Até o som do motor de dois cilindros lembra o de algumas motocicletas. Interessante, não? Pena que esse sonho durou pouco, mais exatamente até 1993, quando a Gurgel pediu concordata.

Em quase um ano, foram produzidas poucas unidades desse pequeno modelo nacional, produzido em Rio Claro (SP). Entre os poucos modelos em bom estado que restaram está o do empresário Maurício Filoni, que viu o carrinho abandonado no interior e decidiu comprá-lo. A raridade estava parada há três anos, com motor travado, carroceria rachando e, por causa de uma fissura no assoalho, uma pequena árvore cresceu dentro do carro, chegando a rasgar a capota de lona.

   

Depois de ter comprado o carro, Maurício o trouxe a São Paulo, onde começou o processo de restauração, que durou quase dois anos e contou com a ajuda de seu pai, Leonardo Filoni, quem refez toda a parte elétrica. A carroceria de plástico FRP ficou à cargo de uma oficina especializada e várias peças foram compradas novas. A capota de lona foi feita sob medida, por encomenda. E assim o carro foi voltando à forma original. Tudo ficou pronto recentemente para os passeios no fim de semana ou até para pequenas compras no supermercado.

O Moto-Machine era derivado do Supermini, evolução do pequeno BR 800, que começou a ser vendido em 1990. Com apenas 3,19 metros de comprimento, o modelo com portas transparentes vinha equipado com motor Enertron 0.8 de dois cilindros contrapostos, produzido pela própria Gurgel. Rendia 35 cavalos e 5,8 kgfm de torque a 2.800 rpm. Era refrigerado a água e alimentado por carburador de corpo simples. Segundo os dados do fabricante, o consumo ficava em 14km/l na cidade e, a uma velocidade constante de 80 km/h, em quarta marcha, era possível chegar aos 19 km/l de gasolina. Ainda conforme a Gurgel, a velocidade máxima era de 117 km/h.

   

Apesar de elogiado por fabricantes europeus, as primeiras unidades desse motor tiveram problemas de descarga da bateria por causa do alterador acionado pelo eixo comando de válvulas. Mas logo a Gurgel resolveu a falha com o emprego da tradicional correia trapezoidal, já presente no Moto-Machine. Além disso, outro dado técnico interessante fica por conta do diferencial do extinto Chevette, o que garantiu longa durabilidade à peça, montada originalmente num carro cujo motor tinha o dobro da cilindrada do pequeno Gurgel.

As portas transparentes faziam a alegria da rapaziada ao ver as moças passeando a bordo do Moto-Machine de saias curtas ou bermudas. Alías, essas portas podiam ser retiradas. Mas o que aumentava mais a sensação de estar ao volante de um verdadeiro dois em um (meio moto e meio carro) era o pára-brisa rebatível, que também servia como uma espécie de cobertura transparente. O Moto-Machine foi uma boa idéia, que ainda cativa muita gente curiosa em saber o preço do carro ou se ainda está sendo fabricado.

   


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