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 VW Beetle29/07/2003 

 "Carro do povo" se despede de vez
Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação

E o primogênito da Volkswagen sai de linha e entra para a história. Conhecido como Fusca, Beetle e por uma série apelidos carinhosos por todo o mundo, o "carro do povo" teve a última unidade produzida hoje (30), no México, depois de quase 70 anos de estrada. Foram mais de 20 milhões de unidades vendidas no planeta. O início da produção no Brasil foi em 1959 e, até 1996, ano que deixou de ser fabricado em São Bernardo do Campo (SP), 3,2 milhões de unidades saíram da linha de montagem paulista.

A primeira versão do Beetle tinha praticamente o mesmo formato de besouro da "Última Edición" mexicana, mas o motor era de 985 cm³ e gerava apenas 22,8 cavalos. Logo em seguida veio o propulsor de 1.1 litro de cilindrada e 25 cv. Foi depois da Segunda Guerra Mundial, em 1945, que o simpático carrinho entrou em processo de evolução mais acelerado. Algumas peças do motor passaram a ser feitas de liga de magnésio, a capacidade cúbica do motor chegava a 1.192 cm³ e os cilindros foram retrabalhados. Com isso, a potência atingiu 34 cv, o que era suficiente para a aceleração de 0 a 100 km/h ser feita em 35 segundos.

   

O rápido desenvolvimento do período pós-guerra fez aumentar a demanda por motores mais potentes e detalhes mais sofisticados. Em 1952 os pneus de lona passaram a ter nova medida (5.60 - 15), os pára-choques foram reestilizados e as luzes de freio combinavam com os "olhos de gato" instalados na traseira. No ano seguinte, o vidro traseiro deixou de ser bipartido para ter formato oval. Foi em 1955 que o escapamento ganhou saídas duplas, os freios foram redimensionados e começou a ser oferecido o teto solar de PVC.

Em 1965 o Beetle já podia ser equipado com motor 1.5 (no mercado europeu), capaz de levá-lo a 125 km/h graças aos 44 cavalos extraídos com ajuda do carburador Solex 30 PICT com afogador automático. Nesse modelo, a traseira era mais larga e havia novas fechaduras nas portas. O próximo ponto importante foi a chegada da versão conversível, em 1970. Vinha equipada com motor de 50 cv. Em 1976, o carrinho ficava mais confortável com encostos de altura regulável nos bancos, cintos de três pontos e aquecimento para os passageiros de trás.

   

Na década de 80, o Beetle tornou-se mais sofisticado, com ênfase à melhoria do acabamento interno, que recebeu detalhes como volante espumado, bancos mais largos e viseira do passageiro articulada. A série de itens de proteção antifurto veio em 1985. Três anos depois, o motor 1.6 passava a ser equipado com sistema de ignição eletrônica. Mas o maior avanço para reduzir o nível de emissão de gases poluentes foi em 1990, quando começou a ser empregado o catalisador. A injeção eletrônica de combustível do Beetle veio em 1993, ano em que as válvulas passaram a ser acionadas por tuchos hidráulicos.

Nos últimos dez anos, o carrinho da marca alemã manteve-se o mesmo, tendo como novidades apenas novas cores e acabamentos. Durante todo o tempo em que foi produzido foi visto com ar de admiração e se tornou um dos modelos mais carismáticos da história do automóvel. Para os fãs do Fusca, resta apenas a esperança de poder (pelo menos) ver de perto uma das 3.000 últimas unidades que foram produzidas no México. Já é certo que algumas delas (poucas) serão importadas para o Brasil e devem ser arrematadas por colecionadores.

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