Texto: Carlos Guimarães
Fotos: mplafer.com
O prazer de dirigir com o vento batendo no rosto, desfrutando da paisagem e da sensação de velocidade de um esportivo já foi mais acessível. No fim dos anos 20, o inglês Cecil Kimber criava uma série de conversíveis simples, com motor de baixa cilindrada, mas que não deixavam de ser divertidos e charmosos. Eram os modelos da Morris Garage (MG), marca fundada em 1923 e que teve o modelo TC como inspiração para o brasileiro Percival Lafer criar o MP Lafer, no início da década de 70.
Com mecânica usada nos modelos da Volkswagen equipados com motor refrigerado a ar, o MP Lafer tinha manutenção fácil, confiável e barata. A carroceria de fibra e vidro exibia as linhas do MG TC com a vantagem de ser mais leve e não enferrujar. Símbolo de elegância, o esportivo nacional fora-de-série tornou-se um sucesso de vendas, inclusive no exterior, já que mais de mil unidades foram exportadas para Europa e Estados Unidos logo nos primeiros anos de produção.
A idéia de produzir o MP partiu de um MG TD 1952 estacionado na fábrica de móveis Lafer em uma manhã do início dos anos 70. O carro havia sido um presente de aniversário de um dos funcionários da empresa, João Arnault, à sua esposa Ivone. Apaixonado por carros antigos, o empresário Percival Lafer, então dono da Lafer, logo notou o pequeno conversível e, depois de algumas viagens à Inglaterra, decidiu fabricar a versão nacional do charmoso MG.
Desde a primeira reunião que viria a dar início do projeto do MP houve a preocupação de fazer um produto de qualidade. Além da carroceria que vinha com pára-lamas dobrados para sua parte interna, o carro tinha detalhes dignos de um autêntico esportivo inglês, como o painel de madeira repleto de instrumentos e o chassi duplo. Para abafar o ruído do motor, a tampa traseira era feita com duas peças de fibra de vidro. A posição de dirigir mantinha a mesma esportividade do MG TC original.
Entre as vantagens do MP em relação ao modelo no qual foi inspirado ainda estavam os vidros, que podiam ser levantados e mantidos em qualquer posição graças a um dispositivo de pressão. Além disso, o pára-brisa era basculante, o que aumentava a sensação de velocidade, semelhante a que se tem ao estar montado em uma motocicleta. A capota de lona era totalmente retrátil. Como opcional, havia um teto rígido, geralmente usado nos dias de inverno. As primeiras unidades vinham com rodas de aro 15 montadas em pneus diagonais 5.60-15, com tala de 4,5 polegadas.
Assim com o MG TC, o MP Lafer tinha desempenho comportado, mas garantia diversão ao volante. O motor 1.6 com quatro cilindros contrapostos (boxer), refrigerado a ar, tinha 50 cavalos a 4.200 rpm. O torque também não era muito empolgante, ficava nos 11 kgfm, mas era atingido a meros 2.200 rpm, o que tornava as respostas mais ágeis. Outro ponto que favorecia o MP era o baixo peso, de apenas 760 kg. A velocidade máxima não constava no manual do proprietário.
Em 16 anos de história, 4,3 mil unidades do MP Lafer foram produzidas. Os altos custos de produção tiraram de linha do simpático modelo fora-de-série, que teve até algumas cópias como o MG Agnus. Para atrair os jovens, veio o modelo TI, sem cromados, linhas mais simples e faróis retangulares no lugar dos redondos. Mesmo assim, no início dos anos 90, terminava o sonho do conversível de linhas clássicas feito no Brasil. Mas ainda existem aqueles que mantêm seus raros exemplares em perfeito estado e se reúnem em grupos para trocar idéias e desfilar em um agradável passeio.
|