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 Ferrari F4012/11/2002 

 O avô da nova Enzo fez história e ainda se mantém atual
Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação

O último carro apresentado pelo comendador Enzo Ferrari, em 21 de julho de 1987, foi o F40. Fabricado para comemorar o quadragésimo aniversário da marca italiana, o esportivo (que é considerado o avô da novíssima Enzo) era um dos modelos mais velozes da época em que foi fabricado. E podia ser definido como o que os italianos apelidaram "um automóvel de corrida para estrada", já que foi feito para ser usado no dia-a-dia e facilmente preparado para entrar nas pistas.

As linhas do F40 foram traçadas levando em consideração a importância dos efeitos aerodinâmicos para manter o carro estável. Do espóiler dianteiro às entradas de ar do tipo NACA, tudo foi planejado minuciosamente. Um dos recursos usados para aproveitar ao máximo a força aerodinâmica foi direcionar o ar para o aerofólio traseiro com a ajuda da tampa transparente do motor. Outro deles era o fundo do carro coberto com uma placa, o que evitava turbulências indesejáveis.

O que também chamava atenção nesse ícone de supercarro dos anos 80 era a riqueza de detalhes. Um dos mais curiosos era a proteção dos faróis com filamentos elétricos para evitar embaçamento. Outro ponto interessante era o fato de não haver estepe. No lugar dele, a Ferrari incluiu uma garrafinha com um líquido que cobria um eventual furo. Além disso, como o som do motor invadia a cabine, também não foi incluído sistema de som no painel.

Com ar de carro de corrida, o F40 tinha o interior bastante despojado. As portas não tinham acabamento e eram abertas por uma simples “cordinha”. As janelas de plástico rígido (para economizar peso) eram abertas no sentido horizontal. Os dois bancos de kevlar (material usado nos coletes à prova de bala) eram moldados a partir de uma única peça e vinham com cintos de quatro pontos. O único item ligado ao conforto era o ar-condicionado.

Os componentes mecânicos eram dignos dos modelos de competição mais refinados. O motor era um V8 3.0 sobrealimentado por dois turbos IHI e com dois radiadores de ar (intercoolers). Podia gerar exatos 478 cavalos de potência (163cv/litro) e 58,8 kgfm de torque a 4.500 rpm. O câmbio era manual de cinco marchas, refrigerado por radiador de óleo. Com toda essa energia, o F40 acelerava de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos. E os primeiros 400 metros podiam ser percorridos em 11,8 segundos. Velocidade máxima? Uma das mais altas entre os carros produzidos em série: 324 km/h.

A estrutura tubular de aço foi fabricada para tornar a carroceria rígida o suficiente para garantir estabilidade nas curvas, mesmo em alta velocidade. A suspensão podia incluir como opcional um sistema que incluía amortecedores controlados eletronicamente. Por meio de um botão no painel, a altura e a rigidez podia ser regulada em três níveis.

Em compensação, os freios não vinham com servoassistência hidráulica, o que obrigava a aplicar força no pedal para frear. Mas freava, graças os discos de 13,1 polegadas de diâmetro e às pinças de alumínio com quatro pistões.

Como um dos mitos da história do automóvel, o F40 foi produzido em número limitado. Uma das 1.100 unidades fabricadas foi exibida no Salão do Automóvel, em 1990, e “pilotada” pelo então presidente Fernando Collor. Ano que vem, o superesportivo italiano completará 16 anos, mas, pela modernidade do projeto, será sempre atual.


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