Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Divulgação e reprodução
Janeiro de 1953, a neve do inverno rigoroso de Nova York (EUA) cai sobre o prédio do Hotel Waldorf Astória, onde um protótipo com carroceria de fibra-de-vidro daria origem a um dos maiores mitos da indústria automobilística norte-americana: o Chevrolet Corvette, que completa 50 anos em produção em junho de 2003.
Embora ainda falte um ano, as comemorações do cinqüentenário já estão começando. A GM está lançando uma série comemorativa com pintura exclusiva (conhecida como "red anniversary"), bancos de couro preto-azulado (com o logo do aniversário nos encostos) e um inédito sistema de suspensão com controle eletrônico. Sob o capô, o motor não poderia deixar de ser um V8 capaz de gerar 350 cavalos, com os mesmos 5.7 litros dos modelos convencionais.
Para delírio dos aficionados, o esportivo "cinquëntão" será o carro-madrinha da 86ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, uma das mais tradicionais provas do automobilismo, cuja largada será dada no próximo dia 26 de maio. Trata-se da quinta vez que um Corvette é escolhido como "pace-car" da mais famosa prova de automobilismo norte-americana.
Os primeiros anos do Corvette foram marcados pela inovadora carroceria de fibra, mais leve e imune à ferrugem. Feito à mão, o Corvette de 1953 era disponível apenas com carroceria branca e interior vemelho. Com linhas harmoniosas, mas longe de transmitir a esportividade que viria a aflorar anos mais tarde, o esportivo era anunciado como um carro de sonho que se tornou real. Mas os que esperavam "voar" sobre rodas ficaram desapontados. O motor seus cilindros 3.8 de 150 cv não empolgava. Outro "empecilho" era o câmbio automático de duas marchas.
Algo deveria ser feito para o carro fazer jus ao título de esportivo. Dois anos depois de ter sido lançado, o Corvette ganhava motor V8 4.4 de 195 cv e opção de câmbio manual de três marchas, graças ao engenheiro russo Zora Arkus-Duntov, que assumiu a responsabilidade de transformar o modelo norte-americano no campeão que a Chevrolet anunciava. Dito e feito. Assim que recebeu a nova motorização, o carro bateu o recorde de tempo na pista de Daytona - 240 km/h.
Com fôlego renovado, o carro passou pela primeira reestilização em 1956. Os faróis eram redondos e uma capota rígida removível era oferecida como opcional. Um ano depois, a cilindrada do motor V8 aumentava para 4.6 e a potência chegava a 283 cv, com direito a injeção de combustível em lugar dos carburadores. Para aproveitar tanta força, o câmbio passou a ser manual de quatro marchas. Com o mesmo motor, o Corvette mudou o visual em 1958, quando ganhou frente de quatro faróis, entradas de ar nos pára-lamas dianteiros e um par de vincos salientes no capô.
Em 1960 as vendas já superavam 10 mil unidades. No ano seguinte, o carro passou a ter quatro lanternas traseiras, detalhe usado até hoje e que se tornou um ícone do modelo. O ano de 1962 foi marcado pela chegada do V8 5.3 que gerava mais de 360 cv. Mas o melhor viria um ano depois: a versão Sting Ray. Foi a primeira vez que o Corvette passou a ser oferecido com capota rígida. E que capota. Afunilava-se a partir da coluna traseira e vinha com janela bipartida, atualmente bastante valorizada pelos colecionadores. Para coroar o bem sucedido desenho, a Chevrolet passou a instalar um V8 de 425 cv.
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| 1980 | | 2003 | As cinco gerações |
A próxima reforma no visual viria em 1968. O longo capô, (que chegava a esconder os limpadores de pára-brisa) e a capota removível da versão targa eram as alterações mais marcantes e durariam 15 anos. Começavam nos anos 70 a era dos enormes motores V8. O mais conhecido foi o 454 pol ³ (7.4 litros), capaz de gerar 390 cv. Até que veio a crise do petróleo. Os motores ficaram menores e a versão conversível deixou de ser produzida, em 1975, para voltar apenas 11 anos depois.
Em meados da década de 80, o Corvette passou a incorporar itens eletrônicos, como freios (ABS) nas quatro rodas, injeção eletrônica multiponto e sistema antifurto. Mas foi a partir de 1989 que o carro alcançaria um nível de sofisticação considerável. A suspensão era regulável eletronicamente e o câmbio tinha seis marchas. Mais um ano e surgia a versão ZR-1, equipada com motor LT-5 V8, com 32 válvulas e 375 cv, desenvolvido em parceria com a Lotus.
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| Logo do cinquentenário | | Pace Car | Corvette Z06 |
Os anos 90 foram marcados pelo emprego de um série de dispositivos e equipamentos eletrônicos: controle de tração (ASR), sistema de abertura das portas por controle remoto e duplo airbag, entre outros. A potência dos V8 não foi deixada de lado. No modelo ZR-1, o motor LT-5 gerava 405 cv, em 1993. Dois anos depois, uma das principais mudanças foi o painel de instrumentos analógico.
O fato histórico mais recente do Corvette foi o lançamento da versão Z06, a mais veloz e sofisticada de todos os tempos. Equipado com motor LS6 V8 de 405 cv, o carro acelera de 0 a 100 km/h em meros 3,9 segundos e atinge mais de 280 km/h. Mostrando a evolução de quase meio século, o esportivo norte-americano combina a sofisticação dos tempos atuais com a nostalgia de um cinqüentão em plena forma.
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