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 Clássicos

 VW SP- 213/07/2000 

 O sonho que durou pouco
Texto: Carlos Guimarães
Fotos: Oswaldo Palermo

O SP-2 foi o primeiro projeto de carro genuinamente nacional

A oferta de carros-esporte sempre foi pequena no Brasil. No início da década de 70, era possível comprar modelos importados por alguns milhares de dólares, ou optar pelos nacionais Puma e Karmann Ghia. Quem procurava por linhas que inspiravam velocidade não encontrava uma opção interessante entre os grandes fabricantes nacionais. Foi assim até junho de 1972, quando entrava em produção o Volkswagen SP-2, com suas formas arredondadas que encantaram o mundo e se tornaram clássicas.

Criado em São Bernardo do Campo, o primeiro carro totalmente projetado no Brasil foi desenhado por Senor Schiemann e apresentado como protótipo na Feira da Indústria Alemã, em março de 1971. Daí a sigla "SP", como homenagem ao Estado de São Paulo. Já o número "2", indicava a segunda versão do modelo SP, mais potente e veloz do que o SP-1, lançado na mesma época e cuja produção durou pouco. O carro contava com detalhes estéticos exclusivos e um conjunto mecânico bem afinado.

Cupê 2+2 só podia abrigar duas pessoas e alguma bagagem atrás

A frente de quatro faróis acompanhava o padrão da perua Variant, originada do modelo europeu VW 412 type 4. O pára-choque de borracha com piscas integrados contornava a carroceria em conjunto com os frisos laterais e os filetes vermelhos refletivos. Brilhando no pára-brisa, os limpadores de hastes pantográficas (que mantêm a posição ideal das palhetas) também compunham o estilo jovial.

Na parte traseira, chamavam a atenção a cobertura cromada do escapamento, as lanternas estreitas e a luz de ré colocada abaixo dos pára-choques. Os pneus radiais 185/70 eram montados em rodas de aro 14 completando o visual esportivo.

Com motor 1.7 de 75 cavalos, o SP-2 tinha grande apelo esportivo

Ao abrir as portas, a visão dos bancos de couro (com encostos de cabeça e abas laterais de apoio para o corpo) confirmava se tratar de um legítimo Gran Turismo (GT). No painel, o velocímetro e o contagiros eram bem visíveis, logo atrás do volante de três raios - um ícone dos carros de corrida. No centro, os quatro mostradores voltados para o motorista foram inspirados nos de modelos europeus. Detalhe interessante é a haste de acionamento dos limpadores de pára-brisa, a primeira a aparecer em um carro nacional. O requinte do modelo também estava presente nas alavancas do câmbio e do freio de estacionamento revestidas de jacarandá.

Painel esportivo era inspirado nos de modelos de competição

Para o motorista, sentado a apenas 15 centímetros do chão, era um prazer acelerar o motor 1.7 de quatro cilindros opostos, que gerava 75 cavalos a 5.000 rpm. De acordo com dados do fabricante, 13 segundos eram suficientes para ir da imobilidade aos 100 km/h. O ronco forte denunciava a dupla carburação, e os freios dianteiros a disco continham o ímpeto esportivo do modelo. O chassi era basicamente o mesmo da Variant, assim como a suspensão, que apenas passou por ajustes para se adequar às velocidades mais altas.

Até fevereiro de 1976 foram produzidas 10.205 unidades do modelo, das quais 681 foram exportadas para a Europa. Na esperança de ampliar o pequeno volume de vendas, até mesmo a fabricação do SP-3 foi sondada, com motor dianteiro refrigerado a água. Mas o carro não passou da fase de protótipo. O alto custo de produzí-lo venceu a paixão dos admiradores do modelo. "O VW mais bonito do mundo", como anunciou na época do seu lançamento a revista alemã Hobby, saía de linha.

Lanternas estreitas e escapamento cromado destacavam a traseira


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