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| Ghosn: Brasil pode ter carro mais barato | 26/08/2008 |

Carsale - Ele é conhecido mundialmente por sua ousadia. Levantou a francesa Renault e tirou a Nissan do abismo ao traçar planos de crescimento para as duas marcas e tomar decisões radicais, como o grande corte de funcionários e fechamento de fábricas no Japão. Na semana passada, o presidente mundial do Grupo Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, esteve no País para lançar dois produtos da Aliança franco-japonesa: a versão off-road do Sandero e a minivan Livina, o primeiro automóvel da gama atual da Nissan fabricado no Brasil - o hatchback Tiida e o sedã Sentra são fabricados no México - e que chegará aos consumidores no primeiro semestre de 2009.
Durante breve coletiva de imprensa, o executivo falou sobre o mercado brasileiro e defendeu a possibilidade de um carro de baixo custo no País. "É possível, sim, produzir um carro mais barato no Brasil", afirmou, enquanto se referia ao Fiat Uno Mille, que hoje é vendido por cerca de R$ 23 mil. Nem por isso carro de baixo custo implicaria falta de segurança. "Carro barato não é carro perigoso", declarou.
Na Índia, o Grupo Renault-Nissan firmou parceria com a indiana Bajaj para produzir um carro da categoria ULC (Ultra Low Cost - superbaixo custo), que custará cerca de US$ 2,5 mil, assim como o Tata Nano, veículo apresentado pela Tata no ano passado. "O desafio é adaptar este veículo ao mercado brasileiro. Imagino que aqui ele teria um custo de US$ 10 mil e, mesmo assim, seria viável", disse.
Potencial é aqui
O crescimento da indústria automobilística nacional dos últimos anos, estimado em 30% ao ano, é extraordinário, na visão de Ghosn. Mas o mercado está amadurecendo e, até 2009, o Brasil e outras economias emergentes, como Índia, China e Rússia, devem manter uma taxa de crescimento de 10%. "O Brasil ainda crescerá um pouco acima disso nos próximos anos", disse Ghosn.
Isto porque, na opinião do executivo, o País se diferencia dos demais. "Não tenho dúvidas que o Brasil produzirá cinco milhões de veículos em breve. O que é problema para outros países, aqui é solução. O Brasil tem água, num mundo que está perto da escassez. Tem comida e, mais do que nunca, o etanol. O potencial está aqui. Mas será que o País terá uma aceleração para atingir este potencial? Este é o grande desafio".
Futuro é a inteligência
Com as mudanças constantes dos cenários econômicos mundiais, muito se fala a respeito do futuro da indústria automobilística. Bem preparado para esta questão, Carlos Ghosn repetiu o discurso da coletiva de imprensa, momentos depois, durante a abertura do XVIII Congresso Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores). "Daqui a 15 anos, não sei se vou ler mais jornais. Mas tenho certeza que o mundo vai dirigir carros. Talvez tenha de ser um carro diferente, e este é o desafio da indústria, pois não há nenhuma idéia certa sobre o carro ideal", afirmou.
Mas, com tantos carros nas ruas, o mundo não vai parar? "Espaço para os carros há. O que falta é inteligência. É preciso pensar na estrutura de transporte", declarou. Segundo o executivo, a chave para solucionar o problema é a tecnologia. "Carros inteligentes, que se comuniquem entre si e tragam soluções para o tráfego. Este sim é o grande futuro".
A mensagem final de Ghosn para os executivos presentes na abertura do Congresso, como não poderia deixar de ser, foi otimista. "O carro será um produto que todos vão utilizar e o Brasil se tornará um dos mercados mais dinâmicos do mundo. Portanto, parabéns. Vocês estão na indústria certa", concluiu.
(Carina Mazarotto)
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