A Jaguar demorou mais de uma década para seguir o exemplo de outras marcas de luxo e entrar de vez no segmento de utilitários esportivos. A fabricante inglesa tenta tirar esse atraso aproveitando a tradição off-road da co-irmã Land Rover para lançar o F-Pace, o primeiro SUV de sua história. O modelo apresentado há um ano no Salão de Frankfurt, na Alemanha, chega ao Brasil, em versões a diesel e a gasolina, com a missão de atrair clientes endinheirados que ainda não pensavam em ter um Jaguar na garagem.

Um dos principais apelos de compra do F-Pace com certeza é o visual marcante. A carroceria combina elementos do sedã XE na dianteira com a traseira encorpada e as lanternas esguias do esportivo F-Type. “O F-Pace será para a Jaguar como o Evoque foi para a Land Rover em 2011. Ele tem potencial para ser o carro mais vendido da marca no país”, diz Vinícius Frata, gerente de produto da JLR no Brasil. A empresa acredita que boa parte dos compradores será formada por clientes novos – incluindo donos de Evoque.

Confira as versões e preços do Jaguar F-Pace:

Prestige 2.0 turbodiesel (180 cv) – R$ 309.700
R-Sport 3.0 V6 Supercharged gasolina (340 cv) – R$ 360.500
S 3.0 V6 Supercharged gasolina (380 cv) – R$ 405.900
S First Edition 3.0 V6 Supercharged gasolina (380 cv) – R$ 416.400 (limitada a 19 unidades)

A versão de entrada Prestige é movida pelo novo motor da família Ingenium, totalmente desenvolvido pela Jaguar Land Rover. O bloco de 2.0 litros turbodiesel gera 180 cv de potência e 43,9 kgfm de torque. As demais configurações levam sob o capô o V6 de 3.0 litros sobrealimentado com compressor mecânico (supercharger) – herdado da época que a marca pertenceu a Ford – que desenvolve 340 cv na variante R-Sport e 380 cv na topo de linha S. O torque é de 45,9 kgfm em ambas as versões. Todas as motorizações são associadas ao câmbio automático ZF de oito marchas e contam com sistema de tração integral.

Rival declarado de BMW X4 e Porsche Macan no mercado brasileiro, o F-Pace deixa claro que quer proporcionar ao motorista a experiência de dirigir um Jaguar, porém, conciliando a versatilidade de um SUV. O modelo enfatiza o DNA da marca ao rodar a maior parte do tempo tracionando as rodas traseiras, mas mostra o seu lado utilitário nas situações em que é necessário abrir mão dessa esportividade para transpor obstáculos fora do asfalto. O F-Pace não é um carro feito para trilhas pesadas, mas não deixa o motorista na mão caso tenha de encarar estradas de terra e trechos levemente acidentados.

Durante o teste-drive promovido pela Jaguar no interior de Minas Gerais, assumimos o volante da versão Prestige a diesel em trechos de serra, estradinhas de terra batida e em um pequeno percurso off-road. Graças ao torque máximo disponível a 1.750 rpm, o motor do SUV garante acelerações ágeis, principalmente se o modo de condução Dinâmico for selecionado no botão no console central. O novo motor da JLR também impressiona pelo baixíssimo nível de ruído e vibração. Nem parece um carro movido a diesel. O propulsor leva o F-Pace da imobilidade aos 100 km/h em 8,7 segundos e à velocidade máxima de 208 km/h.

No trecho de rodovias, testamos a versão R-Sport de 340 cv. O motor V6 Supercharged a gasolina permite ao SUV atingir os 100 km/h em 5,8 segundos e chegar aos 250 de velocidade final (limitada eletronicamente). Nessa configuração, o F-Pace parece outro carro. Para começar, o ronco grave do seis-cilindros herdado do F-Type instiga a pisar fundo e as respostas do acelerador são instantâneas. A rapidez do câmbio, seja no modo automático ou trocando as marchas nas borboletas atrás do volante, também contribui para o comportamento do SUV.

Em comparação com SUVs de outras marcas, o F-Pace apresenta uma dirigibilidade peculiar, voltada à esportividade. O modelo compartilha a plataforma com o sedã XF (feita 80% em alumínio), cuja distribuição de peso é praticamente igual sobre cada eixo, e a suspensão é sensivelmente mais firme. Esse acerto compromete um pouco o conforto dos ocupantes em pisos irregulares, porém, transmite mais segurança ao motorista por não permitir rolagem excessiva da carroceria em curvas e mudanças bruscas de direção. A tarefa do condutor fica mais tranquila graças ao sistema de vetorização de torque, que aciona o freio da roda do lado interno da curva para corrigir a trajetória do veículo.

Outro recurso que facilita a vida do motorista é o All Surface Control (ASC), um sistema que estreou no sedã médio XE e serve para evitar que as rodas do veículo patinem em situações de baixa aderência. O ASC mantém o carro a uma velocidade constante previamente programada (entre 3,6 e 30 km/h), acelerando e freando sozinho, tanto em subidas ou descidas. O único trabalho do motorista é direcionar o volante.

A exemplo dos outros modelos da Jaguar, o F-Pace tem uma cabine com acabamento primoroso e materiais de ótima qualidade – a série especial First Edition conta com revestimento em couro premium Windsor. Desde a versão de entrada Prestige há ar-condicionado de duas zonas, seis airbags, bancos de couro com ajuste elétrico, teto solar panorâmico fixo, rodas de 18 polegadas e central multimídia com tela tátil de 8 polegadas. As variantes R-Sport e S são equipadas com uma nova com tela de 10,2 polegadas e HD interno com capacidade armazenamento de 60 GB e que projeta informações ao painel digital.

Entre os opcionais para a versão Prestige estão a chave presencial (R$ 4.400), o volante com regulagem elétrica (incluso em um pacote de R$ 5.900) e a câmera de ré (R$ 2.600). Controle de cruzeiro adaptativo, sistema de estacionamento automático e a inédita Activity Key são vendidos à parte para todas as configurações que, somados, chegam a custar R$ 15.100.

Activity Key (foto abaixo) é uma pulseira de borracha à prova d’água e de choques que substitui a chave do carro para que o motorista possa praticar atividades esportivas sem precisar levar nada no bolso. Basta encostar a pulseira na tampa do porta-malas para que ela trave ou destrave todas as portas. Segundo a Jaguar, a chave convencional fica impossibilitada de dar a partida no motor se o carro não for destrancado pela pulseira.

A Jaguar diz que ainda é cedo para estipular uma previsão de vendas no Brasil, mas o F-Pace mostra que tem potencial para atrair clientes de marcas de luxo alemãs, uma vez que combina o conhecido refinamento inglês com a experiência da Land Rover no fora-de-estrada. O modelo chega em uma momento que o mercado prevê um crescimento global de 20% do segmento de SUVs nos próximos quatro anos.

Viagem a convite da Jaguar Land Rover
Fotos: Fernanda Freixosa (Divulgação)