Texto: Marcelo Goto
Fotos: Divulgação / Leandrini Acoustic Design
Apresentada no último Salão de Paris, a F430 substituiu a 360 Modena e marcou a chegada da nova geração de motores V8 da Ferrari. O propulsor 4.3 litros é capaz de gerar 490 cavalos de potência e 47,4 kgfm de torque máximo a 5.250 rpm, números suficientes para levar o superesportivo de 0 a 100 km/h em apenas 4 segundos, e atingir a máxima de 315 km/h.
O modelo desembarcou no Brasil em setembro do ano passado custando nada menos que R$ 1,35 milhão. E, de lá para cá, oito brasileiros privilegiados já se exibem ao volante dela. Um deles fez questão que a sua F430 fosse diferente das outras sete e encomendou algumas modificações na macchina à Leandrini Acustic Design, loja paulistana especializada em projetos de personalização e som automotivo.
“Quando ela (a Ferrari) chegou à loja, não tinha placa, nem documentos, e o hodômetro registrava apenas 300 quilômetros rodados”, conta Willy Leandrini, um dos donos da loja. A princípio, segundo ele, o dono do carro pediu que as rodas fossem pintadas de preto. “Mas não ia combinar com o resto da carroceria. Por isso, decidimos criar uma cor exclusiva que combinasse com outros detalhes externos”, explica.
A tonalidade escolhida é a mesma que estampa as bordas internas das máscaras dos faróis, da entrada de ar frontal, das molduras do vidro e do difusor de ar traseiros. Trata-se de um pigmento de cor grafite fosco com acabamento high-gloss (partículas microscópicas) em dourado, que realça e dá efeito de profundidade aos detalhes. “Se você olhar a cor original prata e o acabamento atual, dá para notar que a roda ficou mais bonita, combinando com o resto do carro e deixou Ferrari com visual mais agressivo”.
Mas, o processo de pintura das rodas, com esse tipo de tinta, não é tão simples quanto parece. O pigmento fosco não tem verniz, cuja função é proteger a pintura. Ele é frágil e pode sofrer danos ao menor esbarrão. De acordo com Leandrini, foi preciso aplicar várias camadas de tinta para chegar ao nível de acabamento final.
O passo seguinte foi dar à F430 um sistema de áudio e entretenimento à altura do carro. E o equipamento escolhido foi a linha F1 Status, modelo topo de linha da Alpine. A escolha do conjunto levou em conta a altíssima qualidade e os recursos tecnológicos embarcados na aparelhagem.
A unidade principal é um gerenciador multimídia CDA990 que logo ganhou lugar privilegiado no painel. Logo abaixo, a equipe da loja instalou um console para abrigar uma tela de DVD DVA-9990 de sete polegadas. Para não fugir à originalidade do carro, o suporte foi revestido com couro idêntico ao do esportivo, a mesma costura avermelhada e detalhes em fibra de carbono. A peça até ganhou uma placa metálica com o logotipo da Leandrini, idêntica à que traz a inscrição F1, aplicada na fábrica de Maranello. A instalação do novo sistema de áudio incluiu a troca dos alto-falantes das portas e dos dois subwoofers, instalados entre os bancos.
Calibração dos equipamentos foi um capítulo à parte. Como o gerenciador PXIH990 de áudio do sistema é muito complexo e não há como visualizar os ajustes no visor do gerenciador de multimídia foi necessário conectar o aparelho a um notebook. “Por meio dele (computador portátil), você tem toda as informações de corte de freqüência de cada alto-falante, de cada tweeter e os ganhos de equalização de cada ponto do carro. Tudo de forma independente”, explica Leandrini. “Para se ter uma idéia, essa linha da Alpine tem regulagem de equalização de meio em meio decibél, enquanto a maioria dos equipamentos é feita de 3 em 3 dB”. Ao final dos ajustes, segundo ele, a impressão é de se estar ouvindo música em uma sala de estar.
Outra curiosidade: toda a customização da F430 foi feita pela equipe da Leandrini em apenas quatro dias. E não poderia ser diferente para um superesportivo que acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4 segundos.